TST reconhece natureza salarial de valores pagos como “previdência privada” a executivo de banco

Data:

crédito / Dinheiro / auxílio emergencial / bolsa família
Créditos: Rmcarvalho / iStock

A Subseção I Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho decidiu que valores pagos “por fora” a um alto executivo do HSBC Bank Brasil S.A. — atualmente incorporado pelo Banco Bradesco S.A. —, sob a forma de previdência privada, possuem natureza salarial. Com isso, as quantias deverão ser integradas ao salário para cálculo de outras verbas trabalhistas.

O bancário trabalhou na instituição entre 1976 e 2007 e, nos últimos anos, exercia função de gestão. Na ação, alegou que, entre 2004 e 2006, recebia valores mensais depositados em um plano denominado “Previdência Corporate”, que poderiam ser resgatados em curto prazo. Segundo ele, a medida tinha como objetivo mascarar a natureza salarial da parcela.

O banco, por sua vez, sustentou que os pagamentos estavam relacionados à atividade exercida e que, a pedido do próprio empregado, eram utilizados para custear despesas pessoais, negando tratar-se de verba salarial.

Após decisões divergentes nas instâncias anteriores, o caso chegou ao TST. O Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região havia reconhecido que os valores eram calculados com base no salário e no desempenho do executivo, caracterizando contraprestação pelo trabalho. No entanto, decisão posterior de Turma do TST havia afastado essa conclusão.

Ao analisar o caso, o relator, ministro Alberto Balazeiro, entendeu que a Turma reexaminou indevidamente provas já analisadas pelo tribunal regional, em desacordo com a Súmula 126 do TST. Para a SDI-1, ficou comprovado que os pagamentos tinham natureza remuneratória, o que justifica sua integração ao salário.

A decisão foi unânime e restabeleceu o entendimento do TRT, garantindo ao executivo o recálculo das verbas trabalhistas com a inclusão dos valores pagos a título de previdência privada.

Processo: E-RR-542300-38.2008.5.09.0009

(Com informações do TST por Lourdes Tavares)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça dos EUA suspende fusão bilionária entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação antitruste

A Justiça dos Estados Unidos suspendeu a fusão de aproximadamente US$ 110 bilhões entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação movida por 12 estados, liderados pela Califórnia. Os autores sustentam que a operação viola a legislação antitruste e poderá reduzir significativamente a concorrência nos mercados de cinema, televisão e entretenimento. O caso ainda será analisado pela Justiça, enquanto a transação também aguarda aprovação de reguladores internacionais.

Eduardo Bolsonaro obtém green card nos EUA após condenação pelo STF

Eduardo Bolsonaro recebeu o green card dos Estados Unidos, documento que lhe garante residência permanente no país. A concessão ocorre após sua condenação pelo STF a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. O documento amplia sua estabilidade migratória nos EUA, embora não lhe confira direitos políticos, como o voto nas eleições norte-americanas.

Justiça mantém justa causa de trabalhadora que gravou vídeos no TikTok com uniforme e críticas à empresa

A Justiça do Trabalho manteve a demissão por justa causa de uma trabalhadora que gravou vídeos para o TikTok nas dependências da empresa, utilizando uniforme com identificação da empregadora e divulgando informações consideradas falsas sobre o ambiente de trabalho. A decisão concluiu que a conduta violou normas internas, comprometeu a imagem da empresa e configurou mau procedimento, indisciplina e ato lesivo à honra do empregador, nos termos da CLT.

Copa do Mundo impulsiona apostas esportivas, mas setor enfrenta pressão por regras mais rígidas sobre publicidade

A Copa do Mundo impulsionou o mercado brasileiro de apostas esportivas, registrando aumento expressivo no número de apostas e no volume de transações. Apesar do crescimento, o setor não atingiu as projeções esperadas e passou a enfrentar maior pressão por regras mais rígidas para a publicidade das bets. O governo federal reforçou normas sobre propaganda, enquanto órgãos públicos e entidades civis discutem novas medidas para ampliar a proteção dos consumidores.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo