Desembargador aponta “alucinação de inteligência” em petição e aciona OAB após citação de precedente inexistente

Data:

tjrs
Créditos: Andrey Popov | iStock

O desembargador Alexandre Freitas Câmara, da Seção de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, determinou o envio de ofício à Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Rio de Janeiro após identificar irregularidades em uma ação rescisória que citava um precedente inexistente do Superior Tribunal de Justiça.

A ação foi proposta com base no art. 966 do Código de Processo Civil, sob alegação de erro de fato e violação de norma jurídica. Os autores sustentaram que a decisão questionada teria desconsiderado efeitos da revelia, além de apontarem suposta inexistência de turbação e apresentarem valores relacionados ao imóvel e a benfeitorias.

Ao analisar o caso, o relator considerou que a petição inicial apresentava falhas, como a ausência de clareza na exposição dos fatos e a falta de indicação precisa dos pontos da decisão que teriam sido violados. Mesmo após a determinação para emenda, os problemas não foram corrigidos.

O magistrado também destacou que não houve justificativa concreta para a alegação de impossibilidade de produção de provas durante a pandemia, ressaltando que o Judiciário manteve suas atividades no período.

Outro ponto que chamou atenção foi a citação de um suposto precedente do STJ que, na prática, não tinha relação com o caso. Ao verificar o número indicado, o desembargador constatou que se tratava de decisões sobre direito à saúde, sem vínculo com a controvérsia envolvendo posse de imóvel.

Diante disso, o relator afirmou que houve tentativa de induzir o tribunal ao erro, classificando o episódio como “alucinação de inteligência”. A petição inicial foi indeferida por inépcia, e o processo extinto sem resolução do mérito.

Além disso, foi determinado o envio de cópia dos autos à OAB/RJ para apuração de eventual infração disciplinar por parte do advogado responsável.

Processo: 0017255-58.2026.8.19.0000

Leia a decisão.

(Com informações do Migalhas)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Câmeras com IA identificam comportamentos suspeitos e reacendem debate sobre vigilância

Câmeras de monitoramento, tradicionalmente utilizadas para registrar ocorrências e...

Inteligência artificial amplia ataques cibernéticos e coloca empresas brasileiras na mira de grupos criminosos

O avanço da inteligência artificial generativa tem contribuído para o aumento e a sofisticação de ataques cibernéticos realizados por grupos criminosos. No Brasil, empresas e instituições passaram a figurar entre os alvos de operações de ransomware e roubo de dados. Além dos prejuízos financeiros, os ataques podem gerar responsabilidades relacionadas à proteção de dados pessoais e exigir comunicação à ANPD e aos titulares afetados.

Nova lei aumenta penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes na internet

A Lei 15.487/2026 endureceu as penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes, inclusive aqueles praticados pela internet ou com o uso de inteligência artificial. A norma elevou diversas penas, incluiu os crimes no rol dos hediondos, criou mecanismos de investigação digital, como as chamadas “rondas virtuais”, e ampliou a proteção psicológica e psicossocial às vítimas. A legislação também prevê aumento de pena quando houver uso de IA, deepfakes, redes sociais, aplicativos de mensagens ou jogos online para facilitar a prática criminosa.

Alemanha planeja reformar “minijobs” e ampliar contribuição previdenciária

A Alemanha avalia reformar o sistema de “minijobs”, modalidade de trabalho de curta jornada que atende cerca de 7 milhões de pessoas. Entre as propostas estão o fim da possibilidade de renunciar às contribuições previdenciárias e o aumento dos encargos pagos pelas empresas. Sindicatos defendem a mudança por considerarem o modelo precário, enquanto empregadores argumentam que os minijobs garantem flexibilidade ao mercado de trabalho. Estudantes e trabalhadores que dependem dessa modalidade temem redução da renda. O governo alemão ainda deverá definir os detalhes da reforma.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo