
Uma operação deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e pela Polícia Civil investiga suspeitas de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio da empresa de ônibus Transunião. A ação, batizada de “Última Parada”, resultou na prisão temporária do vereador paulistano Senival Pereira de Moura (PT).
A operação cumpre cinco mandados de prisão temporária e mobiliza o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e o Ministério Público na execução de 103 mandados de busca e apreensão na capital paulista, na Grande São Paulo e no município de Extrema (MG).
Além do parlamentar, também é alvo da investigação Devanil de Souza Nascimento, conhecido como “Sapo”, apontado como homem de confiança do vereador. A defesa de Senival afirmou ter recebido a prisão com “indignação”, alegando que a medida ocorreu em momento sensível, às vésperas do período eleitoral.
De acordo com as investigações, o vereador, que presidia a Comissão de Trânsito e Transporte na Câmara Municipal de São Paulo, teria utilizado seu escritório político para armazenar planilhas informais relacionadas ao controle de frota e ao fluxo financeiro da empresa investigada.
O presidente da Transunião, Lourival de França Monário, é considerado foragido. Também são citados na investigação suspeitos apontados como integrantes do PCC, entre eles Jair Ramos de Freitas, conhecido como “Cachorrão”, e Leonel Moreira Martins. As defesas dos investigados afirmam que ainda não tiveram acesso integral aos autos ou que adotarão as medidas cabíveis.
No âmbito das medidas judiciais, a Justiça determinou o bloqueio de bens e valores que podem chegar a R$ 194 milhões, além da apreensão de 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações vinculados aos investigados e à empresa.
A decisão também determinou o afastamento de diretores da Transunião e a comunicação à Prefeitura de São Paulo para adoção de medidas administrativas e regulatórias. O objetivo é garantir a continuidade do serviço de transporte público sem prejuízo à população, podendo haver intervenção na operação da empresa.
Segundo o Ministério Público e a Polícia Civil, um núcleo paralelo teria assumido decisões estratégicas dentro da empresa, direcionando recursos para integrantes da facção criminosa. A investigação também apura suspeitas sobre a evolução patrimonial da companhia, cujo capital social teria saltado de pouco mais de R$ 100 mil para mais de R$ 50 milhões sem origem comprovada dos recursos.
O caso teve início após o assassinato de Adauto Soares Jorge, ex-diretor financeiro da Transunião, em 2020, evento que levou à abertura da força-tarefa responsável por reunir indícios de que a concessionária teria sido utilizada para movimentação ilícita de valores.
(Com informações do UOL por Josmar Jozino e Luana Takahashi)
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