Vítima de violência doméstica tem direito de recorrer contra revogação de medidas protetivas de urgência

Data:

Lei Maria da Penha
Créditos: lolostock / iStock

A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, por unanimidade, que a vítima de violência doméstica pode recorrer de decisões que indeferem ou revogam medidas protetivas de urgência. O colegiado entendeu que a legitimidade da vítima para recorrer não pode ser limitada pelo artigo 271 do Código de Processo Penal (CPP).

No caso concreto, uma mulher vítima de violência doméstica entrou com recurso especial após o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) entender que ela não tinha legitimidade para contestar a revogação das medidas protetivas, mesmo representada pela Defensoria Pública. O TJGO fundamentou sua decisão na ausência de previsão legal específica no CPP.

No STJ, a vítima alegou violação dos artigos 19, §3º, 27 e 28 da Lei Maria da Penha, além dos artigos 271 e 619 do CPP. Sustentou que a assistência jurídica não se limita às atribuições da acusação e pode incluir outras medidas, conforme a estratégia do defensor e os interesses da vítima.

Acesso da vítima à instância recursal é essencial
O relator do recurso, ministro Ribeiro Dantas, destacou que o artigo 19 da Lei Maria da Penha garante à mulher solicitar medidas restritivas contra o agressor. Segundo ele, é incoerente permitir que a vítima requeira medidas protetivas e, ao mesmo tempo, negar-lhe a possibilidade de recorrer quando essas medidas são indeferidas.

O ministro enfatizou:
“Restringir o acesso da vítima à instância recursal prejudica a prestação jurisdicional em tema tão sensível e complexo na vida das mulheres, que merecem a máxima efetividade da Lei Maria da Penha.”

Concessão de medidas protetivas independe de fato típico penal
Ribeiro Dantas explicou que, nos termos do artigo 19, §5º, da Lei Maria da Penha, as medidas protetivas podem ser concedidas mesmo sem tipificação penal da violência, inquérito, ação judicial ou boletim de ocorrência. Por isso, a legitimidade da vítima para recorrer não se limita ao artigo 271 do CPP, que trata do assistente de acusação, já que ela atua em defesa de seus próprios direitos.

O relator lembrou que a jurisprudência do STJ tem interpretado o artigo 271 do CPP de forma sistemática, evitando restringir seu alcance ao texto literal. Segundo ele, a vítima recorre em nome próprio, defendendo sua integridade física e outros direitos, e não apenas como assistente da acusação.

O número do processo não foi divulgado devido a segredo judicial.

(Com informações do STJ)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça do Rio nega prisão domiciliar humanitária ao ator José Dumont

A Justiça do Rio de Janeiro negou o pedido de prisão domiciliar humanitária formulado pela defesa do ator José Dumont, de 76 anos. Condenado a dez anos e quatro meses de reclusão pelos crimes de estupro de vulnerável e posse de pornografia infantil, ele permanece cumprindo pena em regime fechado.

STJ admite desvinculação de resultados desabonadores associados ao nome de pessoa

O STJ manteve decisão que determinou a desindexação de resultados considerados desabonadores associados exclusivamente ao nome de uma mulher. Para a Terceira Turma, a medida não representa aplicação do direito ao esquecimento, mas proteção à intimidade e aos dados pessoais. Os conteúdos permanecem disponíveis nos sites de origem e podem ser localizados por outras palavras-chave.

Clubes de futebol se posicionam contra possível proibição das bets

Clubes e federações de futebol se manifestam contra possível proibição dos cassinos on-line e defendem a manutenção do mercado regulado de apostas, com maior fiscalização e combate às plataformas ilegais.

Banco Central altera regras do Pix e amplia mecanismos de segurança

Banco Central aprova novas regras para o Pix, amplia o uso do Pix Automático, regulamenta a cobrança híbrida e reforça as obrigações das instituições financeiras na prevenção e no combate a fraudes.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo