Latam é condenada por falha em segurança de conta e cancelamento indevido de passagem aérea

Data:

Azul Linhas Aéreas Brasileiras
Créditos: josephmok | iStock

A 4ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) manteve a condenação da Tam Linhas Aéreas (Latam) ao pagamento de indenização por danos morais a três consumidores, em razão da invasão da conta de um deles no programa de fidelidade da empresa e do cancelamento indevido de passagens emitidas regularmente.

Invasão de conta e cancelamento de bilhetes

De acordo com o processo, a conta de um dos autores foi acessada por terceiros, que utilizaram pontos acumulados e créditos disponíveis na “Latam Wallet” para emitir passagens em nome de uma pessoa desconhecida. Além disso, os bilhetes originalmente comprados pelos autores foram cancelados pela companhia aérea sem justificativa válida.

Apesar de tentativas de contato e reclamações administrativas, a empresa não ofereceu solução satisfatória. Os consumidores acionaram a Justiça pedindo a reemissão das passagens e indenização pelos danos sofridos.

Falha na prestação do serviço

Em decisão liminar, a 19ª Vara Cível de Brasília determinou a imediata reemissão dos bilhetes. Na sentença, a juíza entendeu que o acesso não autorizado à conta da autora configurava falha na prestação do serviço, conforme o Código de Defesa do Consumidor, e reconheceu o direito à indenização por danos morais.

Recurso da empresa rejeitado

A Latam recorreu, alegando inexistência de ato ilícito, atribuindo a fraude a terceiros ou à própria consumidora, e argumentando que a situação não passaria de mero aborrecimento. No entanto, a Turma rejeitou os argumentos.

Segundo o colegiado, a empresa apenas tomou providências após ser intimada judicialmente e não agiu com a devida diligência, mesmo após os consumidores registrarem boletim de ocorrência e reclamações em plataformas como o Portal do Consumidor e o Consumidor.gov.br.

Indenização mantida

A Turma reconheceu a falha na segurança do sistema e a omissão da empresa em solucionar o problema de forma ágil. “A negligência em resolver a situação contribuiu para o agravamento do transtorno, causando angústia e frustração aos autores, o que caracteriza dano moral indenizável”, afirmou o relator.

A sentença foi integralmente mantida:

  • R$ 7.000,00 à titular da conta invadida, em razão do vazamento de seus dados e da utilização indevida da conta;

  • R$ 5.000,00 a cada um dos outros dois autores, prejudicados pelo cancelamento das passagens.

A decisão foi unânime.

(Com informações do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Juristas
Juristashttp://juristas.com.br
O Portal Juristas nasceu com o objetivo de integrar uma comunidade jurídica onde os internautas possam compartilhar suas informações, ideias e delegar cada vez mais seu aprendizado em nosso Portal.

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

STJ retoma debate sobre validade de citações judiciais pelo WhatsApp e redes sociais

O STJ retomará presencialmente o julgamento do Tema 1.345, que discute a validade de citações judiciais pelo WhatsApp e por redes sociais. O relator, ministro Sebastião Reis Júnior, propõe critérios rigorosos de identificação e confirmação do destinatário, enquanto entidades apontam riscos de fraude e exclusão digital. A decisão deverá orientar os tribunais brasileiros sobre a utilização desses meios de comunicação processual.

Justiça de São Paulo proíbe Meta de usar conteúdo jornalístico para treinar inteligência artificial sem autorização

A Justiça de São Paulo proibiu a Meta, em decisão liminar, de coletar e utilizar conteúdos jornalísticos de veículos associados à ANJ, à Abert e à ANER sem autorização, inclusive para treinamento e desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial. O descumprimento poderá resultar em multa diária de R$ 1 milhão, limitada a R$ 100 milhões.

Justiça condena 99 a indenizar vítima de estupro após corrida

A Justiça de Minas Gerais condenou a 99 a pagar R$ 300 mil por danos morais a uma vítima de estupro ocorrido após um motorista da plataforma deixá-la desacordada na rua, em Belo Horizonte. A empresa também deverá ressarcir R$ 3.851,77 por danos materiais e custear o tratamento psicológico e psiquiátrico, além dos medicamentos necessários, até a alta médica.

STF valida fim da isenção previdenciária ampliada para servidores aposentados com doenças graves

O STF considerou constitucional a regra da Reforma da Previdência de 2019 que reduziu a faixa de isenção da contribuição previdenciária de servidores aposentados e pensionistas com doenças graves e incapacitantes.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo