
Os pedidos de recuperação judicial (RJ) no agronegócio brasileiro atingiram nível recorde no segundo trimestre de 2025, com alta de 31,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Foram registradas 565 solicitações, segundo dados da Serasa Experian divulgados nesta segunda-feira (29).
Na comparação com o primeiro trimestre do ano, o crescimento foi de 45,2%. A maior parte dos pedidos veio de produtores rurais que atuam como pessoa jurídica, segmento que mais do que dobrou as solicitações em relação a 2024 e superou, pela primeira vez desde 2023, o volume apresentado por produtores pessoa física.
Produtores pessoa jurídica em destaque
No total, foram 243 pedidos de RJ de produtores PJ no trimestre, ante 121 no mesmo período de 2024 e 113 no primeiro trimestre de 2025. Entre eles, os maiores números vieram de produtores de soja (192 pedidos) e de pecuaristas (26).
Os produtores pessoa física somaram 220 solicitações, pouco acima das 214 do mesmo período do ano passado. Já empresas ligadas ao setor agropecuário apresentaram 102 pedidos — também o maior volume da série histórica.
Segundo Marcelo Pimenta, head de Agronegócio da Serasa, a surpresa foi justamente o avanço dos pedidos de PJ. A instituição ainda avalia se houve represamento de demandas ou mudança estrutural no perfil dos devedores.
Setores mais afetados
Entre as empresas, os segmentos que mais recorreram à recuperação judicial foram:
Processamento de agroderivados (óleo e farelo de soja, açúcar, etanol, laticínios): 32 pedidos;
Agroindústria da transformação primária (madeira, couro, beneficiamento de grãos): 22 pedidos;
Comércio atacadista de produtos agropecuários: 18 pedidos.
Estados com mais pedidos
Goiás liderou o número de recuperações judiciais no segundo trimestre, com 94 pedidos, seguido por Mato Grosso (73), Rio Grande do Sul (66), Minas Gerais (63) e Paraná (63).
Contexto de endividamento
Embora o relatório da Serasa não aponte razões específicas para o aumento, especialistas destacam que o setor já enfrentava dificuldades desde 2023, com perdas de safra por problemas climáticos, juros elevados e alta inadimplência. O Banco do Brasil, principal credor do agro, chegou a alertar sobre a prática de “advocacia predatória”, com produtores entrando em recuperação judicial antes de negociar com os bancos.
(Com informações da CNN Brasil)
Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.
PARTICIPE DO CANAL
Acompanhe o Juristas no Google News
receba as principais notícias jurídicas do Brasil