Justiça condena mulher a indenizar homem por falsa acusação de crime sexual

Data:

acusado
Créditos: Andrey Popov | iStock

A 3ª Vara Cível de Taguatinga condenou uma mulher a pagar R$ 5 mil de indenização por danos morais a um homem após acusá-lo falsamente de estupro. O inquérito policial foi arquivado após investigação e perícia confirmarem que a relação íntima entre ambos foi consensual.

De acordo com os autos, a ré registrou boletim de ocorrência imputando ao autor o crime de estupro e divulgou as acusações no ambiente em que ambos residiam, comentando o caso com vizinhos e terceiros. Segundo o homem, a denúncia foi motivada pelo descontentamento da ré com o término do relacionamento e teve impacto devastador em sua vida: ele passou a sofrer constrangimentos, foi tratado com desconfiança e desprezo por conhecidos e desenvolveu quadro depressivo com crises de ansiedade.

Em sua defesa, a ré afirmou não ter agido com dolo ou má-fé, alegando sofrer de transtornos psiquiátricos graves — esquizofrenia e transtorno afetivo bipolar — que afetariam sua percepção da realidade e discernimento. Sustentou ainda que não houve intenção caluniosa e que o arquivamento do inquérito não gera automaticamente o direito à reparação civil.

A magistrada responsável pelo caso destacou que registrar boletim de ocorrência, por si só, não configura ato ilícito, pois se trata do exercício regular de um direito. No entanto, quando a acusação é feita de forma leviana e sem fundamento, causando danos claros à honra do acusado, caracteriza abuso de direito.

“O dano moral decorre de uma violação a direitos da personalidade, atingindo, em última análise, o sentimento de dignidade da vítima”, afirmou a juíza.

Sobre a alegação de incapacidade da ré, a decisão afastou o argumento. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) indicou que ela apresentava saúde mental preservada na data do exame, confirmando que possuía capacidade para os atos praticados. Por não se tratar de pessoa incapaz ou interditada, reconheceu-se a responsabilidade civil pelos atos.

Para definir o valor da indenização, a juíza considerou a gravidade da acusação, suas consequências na vida do autor e as circunstâncias do caso. O valor de R$ 5 mil foi considerado proporcional e com efeito pedagógico, sem caracterizar enriquecimento indevido.

A decisão ainda cabe recurso.

(Com informações do TJDFT)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

New Balance processa Decathlon nos EUA por suposta violação de marca em logotipo da Kiprun

A New Balance processou a Decathlon nos Estados Unidos, alegando que o logotipo utilizado pela marca esportiva Kiprun apresenta semelhança com seu tradicional símbolo em formato de “N”. A fabricante pede a retirada dos produtos do mercado, a destruição dos itens com o símbolo e indenização. A Decathlon contesta a acusação e afirma que o desenho representa a letra “K”. O processo tramita no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito de Massachusetts.

IA amplia preocupação com empregos e já afeta a entrada de jovens no mercado de trabalho

Pesquisas recentes indicam que a inteligência artificial já produz efeitos perceptíveis sobre o mercado de trabalho, especialmente nas oportunidades destinadas a profissionais jovens em ocupações mais expostas à automação. Estudos também apontam crescimento do uso de IA generativa nas empresas, inclusive sem conhecimento dos empregadores, levantando questões relacionadas à governança, segurança da informação, proteção de dados e relações trabalhistas. Os pesquisadores ressaltam, contudo, que os dados disponíveis ainda não comprovam uma substituição generalizada de trabalhadores pela tecnologia.

Nelson Wilians transferiu R$ 6,6 milhões para empresa de herdeiro da Casas Bahia, aponta Coaf

Relatório do Coaf que embasou a Operação Distrato registra 15 transferências realizadas por Nelson Wilians, entre setembro de 2024 e setembro de 2025, totalizando R$ 6,6 milhões destinados à Icon Properties, empresa ligada a Michael Klein. A movimentação é mencionada no contexto de investigação do Ministério Público de São Paulo sobre supostas fraudes envolvendo créditos de ICMS. Wilians afirma que as operações são lícitas e não têm relação com os fatos investigados. Michael Klein não se manifestou, enquanto a Casas Bahia informou ter criado um comitê independente para apurar o caso.

Candidata recorre à Justiça após desclassificação de concurso por uso de medicamento hormonal

Candidata ao concurso da Polícia Penal de Minas Gerais foi considerada inapta na avaliação médica após apresentar documentação indicando histórico de câncer de mama e uso contínuo de tamoxifeno. Ela afirma que exames recentes não apontam atividade da doença e questiona judicialmente a desclassificação, invocando o entendimento do STF no Tema 1.015. Os pedidos de liminar e o recurso apresentado pela candidata foram negados, enquanto o processo principal continua em tramitação.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo