TJ-SC desclassifica condenação por tráfico e reconhece porte para consumo pessoal em caso ocorrido no Carnaval

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Crack - Prisão - Polícia Militar - Direito Penal
Créditos: AerialMike / Depositphotos

A 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ-SC) reformou sentença que havia condenado dois réus pelo crime de tráfico de drogas e desclassificou a conduta para porte de entorpecentes para consumo pessoal, determinando a remessa dos autos ao Juizado Especial Criminal.

Fatos

Os acusados foram abordados pela Polícia Rodoviária Federal na BR-101, na comarca de Palhoça (SC), durante o Carnaval de 2023. Segundo os autos, ao perceberem a aproximação da viatura, teriam tentado evadir-se e lançado objetos pela janela do veículo.

Após a interceptação, os agentes localizaram 33,8 gramas de maconha, acondicionadas em porção única, além de frascos de lança-perfume que totalizavam aproximadamente 330 ml. Em primeiro grau, ambos foram condenados à pena de dois anos e seis meses de reclusão, em regime inicial aberto, pela prática do crime de tráfico.

Recurso

Em apelação, a defesa sustentou a ausência de provas suficientes para caracterizar a destinação comercial da substância, requerendo absolvição ou, subsidiariamente, a desclassificação para o delito previsto no artigo 28 da Lei nº 11.343/2006. Argumentou que os entorpecentes seriam destinados ao consumo próprio durante as festividades carnavalescas.

A Procuradoria-Geral de Justiça, atuando em segundo grau, manifestou-se favoravelmente à tese defensiva, reconhecendo a insuficiência de elementos probatórios aptos a sustentar a condenação por tráfico.

Fundamentação do acórdão

O relator, desembargador Roberto Lucas Pacheco, destacou que a abordagem policial ocorreu de forma aleatória, inexistindo investigação prévia ou indícios anteriores de prática de comércio ilícito de drogas.

O magistrado observou que os objetos apreendidos — como papel de seda — são compatíveis com o consumo pessoal, e que não foram encontrados instrumentos comumente associados à mercancia, tais como balança de precisão, fracionamento em múltiplas porções ou registros de contabilidade.

Ressaltou, ainda, que a quantidade de maconha apreendida não se mostrou expressiva a ponto de, isoladamente, autorizar a conclusão quanto à finalidade comercial, especialmente por estar acondicionada em porção única.

Na análise do conjunto probatório, o relator aplicou o princípio do in dubio pro reo, por entender que a acusação não demonstrou de forma segura o dolo de traficar. Também mencionou o entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário 635.659, no qual se reconheceu a presunção de usuário para quem porta até 40 gramas de maconha.

Diante dessas circunstâncias, o colegiado, por unanimidade, desclassificou a imputação de tráfico para porte de drogas para consumo pessoal, determinando o encaminhamento do processo ao Juizado Especial Criminal.

Processo nº 5004544-59.2023.8.24.0045.

Clique aqui para ler o acórdão.

(Com informações do ConJur)

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