
A Justiça do Rio de Janeiro determinou a aplicação de medidas protetivas contra o maestro Marco Aurélio Xavier, fundador e ex-regente das Meninas Cantoras de Petrópolis, após denúncias apresentadas por ex-integrantes do coral envolvendo supostos abusos sexuais, psicológicos e morais ocorridos ao longo de décadas.
A decisão foi proferida pela 3ª Vara de Garantias de Petrópolis, após atuação da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro em defesa das ex-coralistas. O caso tramita sob sigilo.
As denúncias ganharam repercussão após reportagens publicadas pela revista piauí, que reuniu relatos de antigas integrantes do grupo. Fundado em 1976 e encerrado em 2016, o coral era formado exclusivamente por meninas e adolescentes, com integrantes entre 5 e 15 anos, e se tornou uma das formações infantojuvenis mais conhecidas do país.
Entre as medidas determinadas pela Justiça está a proibição de que o ex-maestro faça manifestações públicas sobre o caso, as supostas vítimas ou testemunhas, inclusive por meio da imprensa e das redes sociais. Em caso de descumprimento, poderá ser determinada a remoção dos conteúdos, além da aplicação de multa de R$ 50 mil.
Xavier também está proibido de manter contato com as supostas vítimas, seus familiares e testemunhas, devendo observar distância mínima de 500 metros.
A decisão judicial determinou ainda a retirada de fotografias de quatro ex-coralistas habilitadas no processo de uma página mantida no Facebook em nome das Meninas Cantoras de Petrópolis. Também foi ordenada a preservação dos dados e metadados relacionados à página, medida que poderá contribuir para a apuração dos fatos.
Uma das ex-integrantes que prestou depoimento sobre o caso relatou que ingressou no coral ainda criança e descreveu um ambiente marcado, segundo seu relato, por medo, disciplina rígida e humilhações. Ela também afirmou ter sido vítima de supostos abusos sexuais durante viagens realizadas pelo grupo.
Segundo informações divulgadas pela Defensoria Pública, o Coletivo das Meninas Cantoras de Petrópolis reúne mais de 50 mulheres. A instituição realizou reuniões com ex-integrantes para colher relatos, além de comunicar os fatos ao Ministério Público e solicitar providências junto à Polícia Civil e outros órgãos competentes.
O Ministério Público do Rio de Janeiro confirmou que requisitou, em junho, a instauração de inquérito policial na 105ª Delegacia de Polícia, em Petrópolis, para investigar os fatos. As autoridades, contudo, não divulgaram detalhes em razão do sigilo legal.
A investigação também envolve declarações atribuídas ao ex-maestro em um vídeo divulgado nas redes sociais após a publicação das primeiras denúncias. Até o momento, o procedimento judicial e a investigação seguem sob sigilo.
(Com informações da Folha de São Paulo por Aléxia Sousa)
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