TST eleva indenização a gerente sequestrado para abrir cofre de banco

Data:

cofre de banco
cofre de banco

A Segunda Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) aumentou de R$ 50 mil para R$ 300 mil o valor da indenização por danos morais que o Banco Bradesco S.A. deverá pagar a um gerente administrativo de uma agência em Poço Redondo (SE), sequestrado junto com a esposa e a filha durante uma ação criminosa destinada a obrigá-lo a abrir o cofre da instituição financeira.

O sequestro ocorreu na noite de 27 de agosto de 2013, quando quatro criminosos invadiram a residência do gerente e mantiveram a família sob ameaça até a manhã seguinte. O grupo também pretendia sequestrar a gerente-geral da agência, já que o acesso ao cofre dependia da atuação dos dois gestores.

Durante a ação, dois criminosos deixaram a residência levando a esposa e a filha do gerente em um veículo, enquanto os outros dois levaram o bancário para localizar a colega de trabalho. Depois do roubo, as vítimas foram abandonadas no local onde estavam a esposa e a filha do gerente.

Após o episódio, o trabalhador ajuizou ação trabalhista e pediu, entre outras medidas, indenização pelos danos morais decorrentes do trauma. Ele apresentou laudos médicos que apontaram estado de choque emocional, tensão e outras reações relacionadas ao estresse. O gerente também alegou que não havia recebido treinamento ou orientação adequada do banco sobre como agir diante de situações de assalto e que a agência não possuía circuito interno de câmeras de segurança.

O Bradesco, por sua vez, afirmou ter oferecido apoio psicológico ao trabalhador por telefone e requereu a realização de perícia para verificar a existência de relação entre os transtornos apresentados e o crime.

Em primeira instância, o banco foi condenado ao pagamento de R$ 800 mil por danos morais. O juízo considerou que o valor deveria levar em conta a gravidade do trauma sofrido pelo trabalhador e a capacidade econômica da instituição. A sentença também reconheceu, com base na perícia, a relação entre os transtornos apresentados e o episódio ocorrido em razão do trabalho.

O magistrado destacou ainda que o contato telefônico realizado pelo banco cerca de 30 dias após o assalto não seria suficiente para oferecer assistência ao empregado, diante da ausência de acompanhamento médico, psicológico ou psiquiátrico adequado.

O Tribunal Regional do Trabalho da 20ª Região (SE), entretanto, reduziu a indenização para R$ 50 mil. O trabalhador recorreu ao TST, que voltou a analisar o valor da reparação.

Ao julgar o recurso, a relatora, ministra Delaíde Miranda Arantes, considerou que a quantia fixada pelo TRT era insuficiente diante da gravidade do episódio e das consequências psicológicas enfrentadas pelo gerente. Entre as sequelas reconhecidas estavam estresse pós-traumático e depressão, que provocaram incapacidade total e temporária para o trabalho.

Para a Segunda Turma, a majoração para R$ 300 mil é necessária para que a indenização seja proporcional à extensão do dano e cumpra também sua função pedagógica, considerando precedentes em situações semelhantes. O colegiado entendeu que a reparação deve representar uma resposta adequada à gravidade do evento e às consequências suportadas pelo trabalhador.

A decisão foi unânime.

Processo: RR-523-59.2015.5.20.0016 

(Com informações do TST por Guilherme Santos)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Influenciadora é presa em flagrante após divulgar vídeo agredindo filhote de cachorro

A influenciadora digital Maria Gabriela Cervantes Pereira foi presa em flagrante em Aquidauana (MS), após a Polícia Civil tomar conhecimento de um vídeo em que ela aparece agredindo um filhote de shih-tzu de aproximadamente 40 dias. O caso é investigado como possível crime de maus-tratos contra animal e poderá resultar em responsabilização criminal.

Desaparecimento de adolescente é investigado após suspeita de aliciamento pelo Discord

Uma adolescente de 13 anos desapareceu em Anápolis (GO) após sair de casa durante a madrugada e deixar uma carta para a irmã. Segundo a família, ela teria mantido contato com um homem de 28 anos por meio do Discord, que supostamente teria prometido levá-la para morar no Canadá. A Polícia Civil investiga o caso sob sigilo e busca esclarecer se houve aliciamento ou participação de terceiros no desaparecimento.

Justiça da Paraíba determina abstenção de uso de marca semelhante à “Korpus Life” por academia

Resumo: A Justiça da Paraíba determinou que uma academia cesse o uso de marca semelhante à “KORPUS LIFE”, altere seu nome fantasia e retire as referências ao sinal de seus materiais e canais de divulgação. O pedido de indenização por danos morais foi rejeitado por falta de comprovação de prejuízo à honra objetiva da empresa autora.

Justiça condena desembargador a indenizar guarda municipal  por danos morais

A Justiça de São Paulo condenou o desembargador Eduardo Almeida Prado Rocha de Siqueira a pagar R$ 54 mil por danos morais a um guarda municipal de Santos. A indenização decorre de ofensas e constrangimentos ocorridos durante uma abordagem em julho de 2020, quando o magistrado foi multado por não utilizar máscara durante a pandemia. A condenação já transitou em julgado.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo