CNJ vai mapear processos de crimes contra defensores de direitos humanos

Data:

CNJ vai mapear processos contra defensores de direitos humanos
Créditos: artisteer / iStock

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) criou novas classificações para identificar e mapear processos judiciais relacionados a crimes e atos infracionais praticados com violência ou grave ameaça contra pessoas defensoras de direitos humanos. A iniciativa busca melhorar a produção de dados e permitir o acompanhamento desses casos pelos tribunais brasileiros.

A mudança foi incorporada às Tabelas Processuais Unificadas (TPUs), utilizadas pelo Poder Judiciário para padronizar a classificação dos processos. Com os novos códigos, será possível identificar não apenas o tipo de crime investigado, mas também sua possível relação com a atuação da vítima na defesa dos direitos humanos.

Como o CNJ vai mapear os processos contra defensores de direitos humanos

As novas classificações abrangem crimes praticados contra pessoas defensoras dos direitos humanos com violência ou grave ameaça e atos infracionais da mesma natureza. Elas permitem identificar os tribunais em que os processos tramitam e reunir informações mais específicas sobre esses casos.

Antes da mudança, os registros eram identificados principalmente pelo tipo penal, como homicídio ou ameaça, sem indicar diretamente se a vítima era defensora de direitos humanos. A classificação complementar poderá ser acrescentada quando houver elementos que relacionem a violência à atuação da vítima.

Os novos códigos já podem ser utilizados, mas sua incorporação aos sistemas eletrônicos depende das adaptações feitas por cada tribunal. O CNJ também recomenda atualizar os processos que ainda estão em tramitação. Os casos encerrados não precisam ser revisados.

Medida busca melhorar o monitoramento e combater a impunidade

A iniciativa atende a recomendações do Grupo de Trabalho Gabriel Sales Pimenta, criado após a condenação do Brasil pela Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH) no caso do advogado Gabriel Sales Pimenta.

O advogado atuava na defesa de trabalhadores rurais no sul do Pará e foi assassinado em 1982, após receber ameaças relacionadas à sua atuação. Em 2022, a Corte IDH responsabilizou o Estado brasileiro por violações relacionadas à falta de investigação e responsabilização dos envolvidos.

Segundo o CNJ, a melhoria dos registros poderá ajudar a identificar obstáculos à responsabilização, orientar estratégias institucionais e subsidiar a priorização de julgamentos. A produção de dados, contudo, é apenas uma das medidas necessárias: o enfrentamento da impunidade também depende de investigações adequadas, proteção às vítimas e atuação efetiva das instituições responsáveis.

(Com informações do Conselho Nacional de Justiça (CNJ)).

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Filho e noivado não bastam para comprovar união estável, decide STJ

A Terceira Turma do STJ decidiu que a existência de filho em comum e de noivado não é suficiente, por si só, para comprovar união estável após a morte. O reconhecimento exige a demonstração da intenção atual de constituir família, além de convivência pública, contínua e duradoura.

Competência territorial trabalhista: TRT-10 mantém ação em Pernambuco

O TRT-10 manteve a decisão que determinou o envio de uma ação trabalhista para Pernambuco, onde a trabalhadora reside e prestou serviços. A sede nacional do Banco do Brasil em Brasília e a localização dos advogados não justificam, por si só, a escolha do foro. A decisão aplicou a regra territorial da CLT e os critérios excepcionais definidos pelo TST no Tema 215.

Limite de faturamento do MEI sobe para R$ 110 mil em 2027

A Lei Complementar nº 238/2026 amplia o limite de faturamento do MEI de R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028. A norma também prevê remissão de dívidas com a União, sujeita a condições legais, e permite a contratação de até dois empregados.

Eleição presidencial de 2026 registra 804 ações judiciais no TSE

O TSE recebeu 804 ações judiciais relacionadas à eleição presidencial de 2026 até 21 de outubro, mais que o dobro do registrado no mesmo período de 2022 e 2018. Os processos envolvem propaganda eleitoral, redes sociais, WhatsApp e inteligência artificial. Investigações sobre possíveis abusos de poder podem ter consequências como cassação de mandato e inelegibilidade, caso as irregularidades sejam comprovadas.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo