Atlético Mineiro é condenado a pagar adicional noturno a ex-jogador Richarlyson

Data:

Jogo de Futebol - Copa do Mundo
Créditos: PhonlamaiPhoto / iStock

A Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho decidiu, por unanimidade, que o Clube Atlético Mineiro deverá pagar adicional noturno ao ex-jogador Richarlyson Barbosa Felisbino pelas partidas disputadas após as 22h.

Ao analisar o caso, o colegiado firmou entendimento de que o trabalho noturno não pode ser considerado apenas uma peculiaridade do contrato esportivo. Assim, mesmo diante das especificidades da atividade dos atletas profissionais, devem ser aplicadas as normas gerais da legislação trabalhista.

Richarlyson, que defendeu o clube entre 2011 e 2014 e atualmente atua como comentarista esportivo, ajuizou a ação em 2016. Ele relatou que partidas iniciadas por volta das 21h50 frequentemente se estendiam até quase meia-noite, com jornadas que avançavam pela madrugada e acumulavam horas em período noturno.

A defesa do clube sustentou que a Lei Pelé não prevê o pagamento de adicional noturno — argumento que havia sido acolhido nas instâncias inferiores, que consideraram as partidas noturnas como inerentes à profissão.

Contudo, o relator no TST, ministro Amaury Rodrigues, reformou esse entendimento. Segundo ele, embora o atleta profissional possua regime jurídico especial, a própria Lei Pelé autoriza a aplicação subsidiária das normas trabalhistas.

Diante da ausência de previsão específica, foi aplicado o artigo 73 da Consolidação das Leis do Trabalho, que assegura adicional de 20% para o trabalho realizado entre 22h e 5h. O ministro também destacou que o artigo 7º da Constituição Federal de 1988 garante remuneração superior para o trabalho noturno, não sendo possível excluir os atletas desse direito.

Para o advogado Rodrigo Rodrigues Buzzi, a decisão representa um avanço relevante. “Trata-se de uma vitória significativa para os direitos trabalhistas dos atletas profissionais de futebol”, afirmou. Ele acrescenta que o julgamento reforça que, apesar das particularidades do esporte, o jogador é, antes de tudo, um trabalhador protegido pela Constituição e pela legislação trabalhista.

(Com informações do Misto Brasil)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

STF retoma julgamento sobre uso da metragem dos imóveis no cálculo do IPTU

O STF retomou a análise de recurso apresentado por Chapecó (SC) contra decisão que considerou inconstitucional a definição da alíquota do IPTU com base na área construída do imóvel. O julgamento pode repercutir sobre legislações municipais, critérios de tributação e pedidos de restituição, além de suscitar debates sobre segurança jurídica e eventual modulação dos efeitos da decisão.

Músico é condenado nos EUA por fraude em streaming com músicas geradas por IA

Um músico da Carolina do Norte foi condenado nos Estados Unidos a 18 meses de prisão por participar de uma fraude em plataformas de streaming utilizando músicas geradas por inteligência artificial e robôs para aumentar artificialmente as reproduções. A Justiça determinou ainda dois anos de liberdade supervisionada e o confisco de mais de US$ 8 milhões.

OpenAI interrompe lançamento de novo sistema de IA diante de preocupações com segurança

A OpenAI adiou o lançamento do modelo GPT-6.1 Astra após identificar que o sistema não havia atingido os padrões de segurança estabelecidos pela empresa. O modelo possui capacidade para executar tarefas de forma autônoma. A decisão ocorre em meio a incidentes envolvendo agentes de IA e ao aumento do debate sobre segurança, supervisão independente e regulamentação dessas tecnologias.

Justiça dos EUA rejeita ações contra Google por supostas práticas anticompetitivas com IA

A Justiça Federal dos Estados Unidos rejeitou ações movidas pela Chegg e pela Penske Media contra o Google. As empresas alegavam que recursos de inteligência artificial utilizados no mecanismo de busca estariam reduzindo o tráfego e as receitas de seus sites e configurando práticas anticompetitivas.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo