Projeto que tipifica a misoginia como crime é aprovado pelo Senado

Data:

sinal de pare feito por mulher
Créditos: iweta0077 | iStock

O Plenário do Senado Federal aprovou, nesta terça-feira (24), o projeto de lei que inclui a misoginia entre os crimes de preconceito ou discriminação (PL 896/2023), prevendo pena de dois a cinco anos de prisão, além de multa. A aprovação ocorreu com 67 votos favoráveis e nenhum contrário, na forma do substitutivo apresentado pela senadora Soraya Thronicke ao projeto original da senadora Ana Paula Lobato. A matéria segue agora para apreciação da Câmara dos Deputados.

O texto aprovado define a misoginia como “conduta que exteriorize ódio ou aversão às mulheres” e insere a expressão “condição de mulher” entre os critérios de interpretação da Lei do Racismo (Lei 7.716/1989), ao lado de cor, etnia, religião e procedência. A medida visa diferenciar a injúria misógina da injúria comum prevista no Código Penal (arts. 139 a 141), tornando-a substancialmente mais grave, conforme justificativa da relatora.

A senadora Soraya Thronicke destacou que países como França, Argentina e Reino Unido já possuem legislação específica contra a misoginia e enfatizou a urgência da medida no Brasil, diante de quase 7 mil tentativas de feminicídio registradas em 2025. Ela alertou também para a disseminação de ideologias de ódio contra mulheres, como os chamados red pills, frequentemente propagadas pela internet.

Segundo a relatora, é importante diferenciar quatro conceitos:

  • Machismo: dominação histórica e estrutural do homem sobre a mulher;
  • Femismo: ideologia que defende a superioridade da mulher sobre o homem;
  • Feminismo: movimento que luta pela igualdade de direitos entre homens e mulheres;
  • Misoginia: ódio ou aversão extrema às mulheres, manifestado por violência física, psicológica ou difamação.

Divergências e apoio

Durante a votação, houve debates sobre possíveis impactos à liberdade de expressão e à Lei do Racismo, mas prevaleceu o entendimento de que a medida é necessária para proteção das mulheres. A senadora Ana Paula Lobato reforçou que o projeto não se opõe à família nem aos homens, mas busca garantir respeito e liberdade às mulheres.

Diversos senadores, como Leila Barros (PDT-DF), Zenaide Maia (PSD-RN), Teresa Leitão (PT-PE), Alessandro Vieira (MDB-SE) e Fabiano Contarato (PT-ES), defenderam a aprovação como medida de prevenção à violência de gênero, ressaltando a gravidade da misoginia no país.

Houve também propostas de emendas para limitar a aplicação da lei a manifestações artísticas, acadêmicas, jornalísticas ou religiosas, quando ausente intenção discriminatória, mas estas foram rejeitadas. A relatora destacou que a Constituição Federal já garante a liberdade de expressão, não sendo necessária ressalva no texto.

O substitutivo aprovado modifica a ementa da Lei do Racismo, incluindo a misoginia como fundamento de discriminação nos crimes tipificados, garantindo resposta penal à hostilidade dirigida às mulheres. O projeto PL 985/2023, do ex-senador Mecias de Jesus, tramitava conjuntamente, mas foi considerado prejudicado e arquivado após a aprovação do PL 896/2023.

(Com informações da Agência Senado)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Meta restringe uso por adolescentes e amplia pressão global sobre redes sociais

A decisão da Meta de restringir o uso de redes sociais por adolescentes nos EUA intensificou a pressão internacional para que plataformas digitais adotem medidas mais eficazes de proteção de crianças e adolescentes. Países como Austrália, Estados Unidos, integrantes da União Europeia e nações asiáticas discutem limites de idade, controle parental, verificação etária e mudanças em recursos que podem estimular o uso excessivo das redes.

Samsung é condenada a pagar R$ 59,8 milhões por violação de marcas de relógios

A Alta Corte de Londres condenou a Samsung a pagar US$ 11,6 milhões, aproximadamente R$ 59,8 milhões, ao Grupo Swatch por violação de marcas registradas. A decisão considerou que aplicativos de terceiros disponibilizados na loja Galaxy reproduziam designs de relógios de marcas como Omega, Longines e Tissot. A Samsung foi responsabilizada por controlar a análise dos aplicativos e poderá recorrer

EUA suspendem temporariamente agendamentos de vistos de imigração em todo o mundo

O governo dos Estados Unidos começou a remarcar entrevistas de candidatos a vistos de imigração após suspender temporariamente novos agendamentos em embaixadas e consulados americanos no mundo. Segundo o Departamento de Estado, a medida está relacionada a um treinamento global de funcionários consulares para aprimorar a avaliação dos candidatos. Os vistos de não imigrantes, como os de turismo, continuam com agendamentos normais. A mudança ocorre em meio ao endurecimento da política migratória do governo Donald Trump e a recentes disputas judiciais envolvendo medidas de imigração.

Revista Juristas lança 9ª edição com entrevista exclusiva ao conselheiro do CNJ Ilan Presser e debates sobre justiça algorítmica, crime organizado e o futuro...

Edição de agosto reúne magistrados, advogados e pesquisadores de todo o país em análises sobre inteligência artificial no Judiciário, segurança pública, uberização, tributação, ESG e cultura, consolidando a publicação como referência de atualização jurídica no Brasil.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo