Aluguel por temporada em condomínio exige aprovação de condôminos, decide STJ

Data:

inquilino
Créditos: Marchmeena29 | iStock

A 2ª Seção do Superior Tribunal de Justiça decidiu que a locação de imóveis por curta temporada em condomínios residenciais, modalidade explorada por plataformas como o Airbnb, somente pode ocorrer quando houver autorização expressa na convenção condominial.

Por maioria de 5 votos a 4, o colegiado entendeu que o aluguel frequente e habitual de unidades para estadias curtas descaracteriza a finalidade exclusivamente residencial dos condomínios.

Prevaleceu o voto da ministra Nancy Andrighi, acompanhada pelos ministros João Otávio de Noronha, Raul Araújo, Isabel Gallotti e Daniela Teixeira.

Segundo a decisão, a autorização para esse tipo de utilização deve constar expressamente na convenção do condomínio e depende de aprovação de dois terços dos condôminos, conforme previsto no artigo 1.351 do Código Civil.

Para a corrente vencedora, a locação de curta temporada realizada com habitualidade possui características de hospedagem atípica, aproximando-se de atividade comercial. A ministra Nancy Andrighi destacou que o fator determinante não é a plataforma utilizada para anunciar o imóvel, mas a forma de exploração econômica da unidade.

De acordo com a relatora, situações em que o imóvel é oferecido repetidamente a pessoas desconhecidas, sem limitação mínima de diárias e, em alguns casos, com serviços semelhantes aos de hotelaria, afastam a natureza estritamente residencial do condomínio.

A magistrada afirmou que, quando a convenção prevê destinação residencial, a utilização da unidade para contratos atípicos de curta estadia somente pode ocorrer mediante autorização coletiva dos condôminos.

A divergência foi aberta pelo ministro Antonio Carlos Ferreira, que defendeu entendimento oposto. Para ele, a locação por curta temporada deve ser considerada permitida, salvo se houver proibição expressa na convenção condominial.

O ministro argumentou que impedir esse tipo de locação sem previsão legal específica representaria restrição ao direito constitucional de propriedade. Segundo seu voto, eventuais abusos ou uso nocivo do imóvel poderiam ser coibidos pelos próprios mecanismos já previstos na legislação condominial.

O ministro Ricardo Villas Bôas Cueva também manifestou preocupação com a mudança de entendimento jurisprudencial e alertou para possíveis impactos sobre o direito de propriedade e sobre a economia relacionada às locações por temporada.

Após a decisão, o Airbnb divulgou nota afirmando que o julgamento trata de caso específico, não possui efeito vinculante e não determina a proibição geral da locação por temporada em condomínios. A empresa afirmou ainda que pretende adotar medidas legais cabíveis para defender o direito dos proprietários de utilizar seus imóveis para geração de renda.

REsp 2.121.055.

(Com informações do ConJur por Danilo Vital)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Golpes em aplicativos de relacionamento usam engenharia social para obter dados biométricos de vítimas

Golpistas estão recorrendo a perfis falsos em aplicativos de relacionamento para estabelecer contato com vítimas e tentar obter imagens, vídeos e outros dados que podem ser utilizados em fraudes envolvendo identidade e biometria. A prática também levanta questões relacionadas à proteção de dados pessoais e à segurança digital.

Meta restringe uso por adolescentes e amplia pressão global sobre redes sociais

A decisão da Meta de restringir o uso de redes sociais por adolescentes nos EUA intensificou a pressão internacional para que plataformas digitais adotem medidas mais eficazes de proteção de crianças e adolescentes. Países como Austrália, Estados Unidos, integrantes da União Europeia e nações asiáticas discutem limites de idade, controle parental, verificação etária e mudanças em recursos que podem estimular o uso excessivo das redes.

Samsung é condenada a pagar R$ 59,8 milhões por violação de marcas de relógios

A Alta Corte de Londres condenou a Samsung a pagar US$ 11,6 milhões, aproximadamente R$ 59,8 milhões, ao Grupo Swatch por violação de marcas registradas. A decisão considerou que aplicativos de terceiros disponibilizados na loja Galaxy reproduziam designs de relógios de marcas como Omega, Longines e Tissot. A Samsung foi responsabilizada por controlar a análise dos aplicativos e poderá recorrer

EUA suspendem temporariamente agendamentos de vistos de imigração em todo o mundo

O governo dos Estados Unidos começou a remarcar entrevistas de candidatos a vistos de imigração após suspender temporariamente novos agendamentos em embaixadas e consulados americanos no mundo. Segundo o Departamento de Estado, a medida está relacionada a um treinamento global de funcionários consulares para aprimorar a avaliação dos candidatos. Os vistos de não imigrantes, como os de turismo, continuam com agendamentos normais. A mudança ocorre em meio ao endurecimento da política migratória do governo Donald Trump e a recentes disputas judiciais envolvendo medidas de imigração.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo