Academia é investigada por uso excessivo de cloro para evitar interdição da piscina; sócios são indiciados por homicídio com dolo eventual

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Prova de natação
Créditos: Pavel1964 / iStock

A academia C4 Gym, com unidades em Santana e no Parque São Lucas, no município de São Paulo, é objeto de investigação conduzida pela Polícia Civil, que apura a utilização reiterada e excessiva de cloro na piscina do estabelecimento com o intuito de evitar sua interdição para manutenção preventiva.

De acordo com o inquérito policial, os sócios da empresa teriam determinado a aplicação de quantidade de cloro equivalente, em um único dia, ao volume normalmente utilizado ao longo de uma semana em piscina de porte semelhante. A prática teria como finalidade manter o regular funcionamento das atividades, afastando prejuízos financeiros decorrentes da paralisação temporária do serviço.

As investigações apontam que a piscina não era submetida ao período obrigatório de descanso da água após a aplicação de produtos químicos, procedimento técnico essencial para a dissipação de gases e estabilização dos níveis de cloro e pH em parâmetros seguros para utilização por usuários.

O excesso de substâncias químicas teria ocasionado a liberação de gás tóxico, cuja inalação resultou na morte de Juliana Faustino, de 27 anos. Segundo a autoridade policial, a vítima aproximou-se de um recipiente contendo mistura química posicionada à borda da piscina pelo funcionário responsável pela manutenção, Severino Silva, de 43 anos, que realizava a manipulação dos produtos. Outras duas pessoas permanecem internadas em estado grave: o esposo da vítima e um adolescente de 14 anos.

A perícia técnica realizada no local constatou concentração elevada de agentes químicos, sendo necessária a utilização de equipamentos de proteção individual pelos investigadores durante a inspeção.

No âmbito administrativo, apura-se que o estabelecimento não possuía responsável técnico formalmente designado, tampouco mantinha o livro obrigatório de controle de cloro e pH, documentos exigidos pela legislação sanitária vigente e que devem permanecer disponíveis para fiscalização dos órgãos competentes.

Os três sócios da academia — Cesar Bertolo Cruz, Celso Bertolo Cruz e Cezar Miquelof Terração — apresentaram-se à autoridade policial quatro dias após os fatos e foram formalmente indiciados pela prática de homicídio com dolo eventual, modalidade em que o agente assume o risco de produzir o resultado morte. Também são investigadas condutas voltadas à suposta manipulação de elementos probatórios, inclusive com a exclusão de mensagens eletrônicas que, segundo um dos investigados, tratariam de medições e dosagens de cloro.

Um dos sócios afirmou possuir habilitação técnica para manutenção de piscinas, alegando deter certificado profissional, o qual, até o momento, não foi apresentado aos autos.

A Polícia Civil apura, ainda, a eventual tentativa de supressão de provas, em razão do envio de um segundo funcionário ao estabelecimento na noite do ocorrido, por solicitação dos sócios.

Além das vítimas já identificadas, foi constatada a situação de uma criança de cinco anos, frequentadora regular das aulas de natação no local, atualmente hospitalizada. Há indícios de que a menor possa ter sido submetida a exposição contínua a níveis elevados de cloro, hipótese que sugere quadro de intoxicação prolongada, a ser confirmada por exames periciais complementares.

O inquérito policial prossegue para conclusão da apuração das responsabilidades penais e eventuais infrações administrativas decorrentes dos fatos.

(Com informações da CBN por Klauson Dutra)

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