Adultização e vulnerabilidade digital: redes sociais ampliam riscos à infância, segundo Luciana Temer

Data:

Adultização e vulnerabilidade digital: redes sociais ampliam riscos à infância, segundo Luciana Temer | JuristasA diretora-presidente do Instituto Liberta, advogada Luciana Temer, participou do programa Fim de Expediente, onde abordou os riscos jurídicos, sociais e psicológicos decorrentes da exposição indevida de crianças e adolescentes nas redes sociais, com ênfase na crescente adultização infantojuvenil no ambiente virtual.

A discussão ganhou destaque após a divulgação de um vídeo do youtuber Felca, no qual se denuncia o favorecimento algorítmico de imagens que sexualizam crianças e adolescentes no Instagram. A repercussão gerou mobilização social e política, impulsionando a criação de uma comissão geral na Câmara dos Deputados para debater o tema.

Segundo Luciana Temer, o fenômeno da adultização virtual é a extensão de uma violência já consolidada no mundo real. Para ela, o meio digital tem potencializado essa dinâmica após a pandemia da Covid-19:

“Não podemos perder de vista que a violência virtual é grave e requer contenção imediata, no entanto ela é apenas o reflexo de uma violência pré-existente no mundo físico, agora migrada para os meios tecnológicos.”

A advogada também destacou o papel da mobilização social como catalisador da resposta institucional.

“A comoção pública provocada pelo vídeo do Felca pressionou o Congresso Nacional, que reagiu em sintonia com o senso de urgência manifestado pela sociedade civil. Esse despertar coletivo foi determinante para a inclusão do tema na agenda legislativa.”

Medidas de proteção e orientação a responsáveis legais

Durante sua participação, Luciana Temer apresentou recomendações fundamentais para a proteção de crianças e adolescentes nas redes sociais. Ela alertou para a desinformação por parte dos responsáveis quanto ao funcionamento das plataformas digitais:

“Muitos pais criticam o uso das redes, mas sequer compreendem o ambiente em que seus filhos estão inseridos. O primeiro passo é conhecer esses espaços.”

As principais orientações incluem:

  • Supervisão ativa e constante: Crianças não devem ter acesso irrestrito às redes sociais sem acompanhamento.

  • Utilização de controles parentais: Ferramentas nativas dos sistemas operacionais e aplicativos permitem bloquear conteúdos impróprios, monitorar atividades e limitar o tempo de uso.

  • Diálogo permanente: A criação de um canal aberto e de confiança é essencial para que a criança ou adolescente se sinta seguro para relatar situações de risco ou abuso.

Luciana também chamou atenção para a chamada exposição involuntária, quando os próprios responsáveis, de forma ingênua, compartilham imagens dos filhos:

“Pais, não postem fotos de seus filhos pequenos na internet, especialmente em perfis públicos. Essas imagens podem ser facilmente capturadas e reutilizadas por indivíduos com comportamentos predatórios.”

Responsabilidade das plataformas e papel dos algorítmos

Ao comentar sobre o papel das big techs, a advogada destacou que, ainda que não haja um direcionamento proposital para conteúdos sensíveis, os algoritmos falham em impedir sua disseminação:

“As plataformas não criam diretamente esse conteúdo, mas tambpouco implementam barreiras eficazes para conter sua circulação. Isso demonstra uma omissão relevante e estrutural por parte das empresas.”

A ausência de mecanismos eficientes de controle, somada à lógica de engajamento algorítmico, contribui para a perpetuação da exposição e sexualização precoce de crianças e adolescentes, violando princípios constitucionais e dispositivos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

(Com informações da CBN)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Fachin anuncia projeto de lei para regulamentar remuneração de magistrados

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, anunciou que pretende concluir até o final de 2026 uma minuta de projeto de lei federal para regulamentar a remuneração dos magistrados. A proposta integra uma agenda mais ampla de defesa da integridade, transparência e controle dos gastos públicos. Fachin também apresentou ao CNJ medidas para prevenir conflitos de interesse na magistratura.

Gusttavo Lima é responsabilizado por transtornos causados por número em música

Gusttavo Lima foi condenado a pagar cerca de R$ 149 mil a um empresário que afirmou ter recebido milhares de mensagens e ligações após seu número de telefone ser mencionado na música “Bloqueado”. A Justiça entendeu que a divulgação da canção contribuiu para os transtornos sofridos pelo proprietário do número. A decisão ainda não transitou em julgado e o pagamento foi determinado provisoriamente.

Estudo aponta falhas estruturais no combate à violência contra a mulher no Brasil

Estudo da Rede Nacional de Controle Externo pela Proteção das Mulheres, com dados dos 27 tribunais de contas brasileiros, identificou falhas de orçamento, planejamento, equipes e integração entre órgãos responsáveis pelo enfrentamento à violência contra a mulher. Auditorias apontaram estruturas incompletas, baixa execução orçamentária e ausência de planos formais em diversos municípios.

Executivos do Goldman Sachs são alvo de investigação por suposta fraude societária

A Polícia Civil de São Paulo indiciou dois executivos do Goldman Sachs por suspeita de fraude e abuso na administração de sociedade por ações em investigação envolvendo a estrutura societária de fundos ligados à Oncoclínicas. A apuração busca esclarecer se informações sobre a participação da Centaurus Capital foram omitidas ou apresentadas de forma irregular para evitar uma oferta pública de aquisição de ações. O Goldman Sachs nega irregularidades, enquanto a CVM já havia concluído que a Centaurus não estava obrigada a realizar a OPA.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo