O ministro Jhonatan de Jesus, relator do processo que apura a condução do caso Banco Master no Tribunal de Contas da União (TCU), decidiu suspender a inspeção que havia autorizado no Banco Central (BC) para examinar a atuação da autoridade monetária durante o processo de liquidação extrajudicial da instituição financeira. A suspensão permanecerá válida até que o plenário da Corte de Contas se manifeste formalmente sobre o tema.
No despacho divulgado nesta quinta-feira (8), o relator afirmou que a determinação de inspeção — classificada por ele como um procedimento administrativo ordinário no âmbito do TCU — acabou assumindo uma “dimensão pública desproporcional”. Diante da repercussão e da sensibilidade institucional do caso, o ministro considerou mais adequado submeter a decisão à apreciação conjunta dos demais integrantes do tribunal. Com isso, atribuiu efeito suspensivo à medida e solicitou que a continuidade da fiscalização seja debatida e deliberada de forma colegiada.
A decisão ocorre após questionamentos internos no próprio TCU e manifestações de autoridades em Brasília, que avaliaram a inspeção como uma possível interferência excessiva na atuação do Banco Central. O BC foi responsável por decretar, em novembro de 2025, a liquidação extrajudicial do Banco Master, após identificar irregularidades consideradas graves na gestão da instituição.
De acordo com relatos de bastidores, também pesou na decisão do relator a avaliação de que a inspeção poderia deslocar o foco principal das apurações e, eventualmente, retardar a venda de ativos do banco, etapa vista como essencial para viabilizar o pagamento de investidores e credores afetados pelo colapso da instituição financeira.
O recuo do relator ocorre em um cenário de tensão institucional crescente em torno do caso Master, que envolve suspeitas de fraudes financeiras e passou a mobilizar diferentes instâncias do poder público. O episódio já despertou atenção do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Palácio do Planalto, que acompanham o desdobramento do caso com preocupação em relação a seus possíveis impactos sobre a estabilidade do sistema financeiro e o equilíbrio entre os órgãos de controle.
(Com informações do UOL por Daniela Lima)
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