CNJ pune juiz de SP por descumprimento reiterado de decisões do STJ

Data:

CNJ pune juiz de SP por descumprimento reiterado de decisões do STJ | Juristas
Crédito: AndreyPopov / istock

O Plenário do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu aplicar a pena de disponibilidade, com vencimentos proporcionais pelo prazo de 30 dias, ao juiz Átis de Araújo Oliveira, titular da 2ª Vara das Execuções Criminais de Presidente Prudente (SP). A decisão foi tomada por unanimidade durante a 1ª Sessão Extraordinária de 2026, realizada na terça-feira (3).

A sanção foi aplicada no julgamento do Processo Administrativo Disciplinar nº 0005243-12.2024.2.00.0000, sob relatoria do conselheiro Ulisses Rabaneda.

Descumprimento de decisões judiciais

O procedimento disciplinar foi instaurado após indícios de que o magistrado teria descumprido reiteradamente decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ), mantendo um condenado em regime fechado mesmo após determinações expressas da Corte para que fosse analisada e concedida a progressão de regime.

A investigação teve origem na Reclamação nº 43.458, em que o STJ reconheceu o não cumprimento de decisões anteriores proferidas em habeas corpus e em outra reclamação constitucional.

Durante o julgamento no CNJ, os conselheiros destacaram que a independência funcional do magistrado não autoriza o descumprimento de determinações emanadas de tribunais superiores. Para o colegiado, a resistência reiterada em aplicar decisões do STJ viola deveres da magistratura, compromete a segurança jurídica e pode prolongar de forma indevida a restrição à liberdade do preso.

Segundo o relator, o comportamento do magistrado foi deliberado.

“Ele descumpriu de forma deliberada determinações expressas de tribunal superior, em violação à Lei Orgânica da Magistratura e ao Código de Ética da Magistratura. Essa postura atrasou a progressão de regime por cerca de dois anos”, afirmou Ulisses Rabaneda.

Histórico do caso

As controvérsias tiveram início após decisão da ministra Laurita Vaz no habeas corpus nº 698.882, na qual determinou que o juiz reavaliasse o pedido de progressão de regime considerando exclusivamente fatos ocorridos durante a execução da pena.

Na ocasião, a ministra apontou que não havia elementos objetivos que justificassem a negativa do benefício, observando que eventuais ressalvas apontadas em laudo psicológico eram genéricas.

Apesar disso, o magistrado voltou a indeferir a progressão com base nos mesmos fundamentos já afastados pelo STJ. Em nova análise, no âmbito da Reclamação nº 42.705, a Corte reiterou que o juiz utilizava critérios estranhos ao comportamento do preso durante o cumprimento da pena.

Mesmo após nova decisão da ministra determinando o imediato cumprimento das ordens judiciais, o magistrado manteve o entendimento anterior e voltou a negar a progressão, chegando a afirmar que a parte interessada deveria buscar diretamente no STJ a medida pretendida.

Posteriormente, ao julgar o habeas corpus nº 792.162, o STJ voltou a determinar que a análise fosse restrita a dados objetivos da execução penal. Ainda assim, o juiz proferiu nova decisão reiterando os fundamentos anteriores e mantendo a negativa do benefício.

Reforma da decisão e abertura de processo disciplinar

Diante do impasse, o Tribunal de Justiça de São Paulo reformou a decisão do magistrado e concedeu a progressão de regime ao condenado.

No julgamento do mérito da reclamação, o STJ reconheceu o descumprimento das suas determinações e comunicou o caso ao CNJ e ao tribunal estadual, o que resultou na instauração do processo administrativo disciplinar concluído nesta semana.

(Com informações do CJN por Regina Bandeira)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça dos EUA suspende fusão bilionária entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação antitruste

A Justiça dos Estados Unidos suspendeu a fusão de aproximadamente US$ 110 bilhões entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação movida por 12 estados, liderados pela Califórnia. Os autores sustentam que a operação viola a legislação antitruste e poderá reduzir significativamente a concorrência nos mercados de cinema, televisão e entretenimento. O caso ainda será analisado pela Justiça, enquanto a transação também aguarda aprovação de reguladores internacionais.

Eduardo Bolsonaro obtém green card nos EUA após condenação pelo STF

Eduardo Bolsonaro recebeu o green card dos Estados Unidos, documento que lhe garante residência permanente no país. A concessão ocorre após sua condenação pelo STF a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. O documento amplia sua estabilidade migratória nos EUA, embora não lhe confira direitos políticos, como o voto nas eleições norte-americanas.

Justiça mantém justa causa de trabalhadora que gravou vídeos no TikTok com uniforme e críticas à empresa

A Justiça do Trabalho manteve a demissão por justa causa de uma trabalhadora que gravou vídeos para o TikTok nas dependências da empresa, utilizando uniforme com identificação da empregadora e divulgando informações consideradas falsas sobre o ambiente de trabalho. A decisão concluiu que a conduta violou normas internas, comprometeu a imagem da empresa e configurou mau procedimento, indisciplina e ato lesivo à honra do empregador, nos termos da CLT.

Copa do Mundo impulsiona apostas esportivas, mas setor enfrenta pressão por regras mais rígidas sobre publicidade

A Copa do Mundo impulsionou o mercado brasileiro de apostas esportivas, registrando aumento expressivo no número de apostas e no volume de transações. Apesar do crescimento, o setor não atingiu as projeções esperadas e passou a enfrentar maior pressão por regras mais rígidas para a publicidade das bets. O governo federal reforçou normas sobre propaganda, enquanto órgãos públicos e entidades civis discutem novas medidas para ampliar a proteção dos consumidores.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo