Projeto que proíbe propaganda com apelo erótico envolvendo crianças e adolescentes avança na Câmara

Data:

estatuto da criança e do adolescente ECA
Créditos: Chodyra Mike / Shutterstock.com

A Comissão de Comunicação da Câmara dos Deputados aprovou, em dezembro, projeto de lei que veda a veiculação de peças publicitárias com imagens, mensagens ou insinuações de cunho erótico envolvendo crianças e adolescentes. A proibição abrange conteúdos visuais, sonoros ou textuais, inclusive representações reais, simulações, encenações e materiais produzidos por inteligência artificial.

De acordo com a proposta, ficam vedadas publicidades que utilizem crianças ou adolescentes em contextos de erotização, bem como situações explícitas ou implícitas de conotação sexual, manifestadas por meio de gestos, falas, vestimentas, poses ou cenários que promovam a sexualização do público infantojuvenil.

O descumprimento da norma poderá ensejar sanções administrativas, que incluem advertência, obrigação de veiculação de retificação da propaganda e multa entre R$ 20 mil e R$ 200 mil, conforme a gravidade da infração, o alcance da publicidade, a reincidência e a capacidade econômica do infrator. Em caso de reincidência, os valores das multas poderão ser aplicados em dobro.

O colegiado aprovou o substitutivo apresentado pelo relator, deputado Gustavo Gayer (PL-GO), ao Projeto de Lei nº 967/2015, de autoria do ex-deputado Delegado Waldir (GO). A proposta original previa a proibição, em todo o território nacional, de publicidades de lingerie que explorassem a imagem e o corpo feminino.

Autorregulação publicitária

Ao analisar a matéria, o relator ressaltou a relevância da publicidade na vida contemporânea, especialmente para setores como o de moda íntima, e ponderou que restrições excessivamente amplas poderiam gerar insegurança jurídica, diante da subjetividade de conceitos como exploração do corpo feminino.

Gayer destacou ainda que o sistema de autorregulação publicitária, conduzido pelo Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar), já contempla normas éticas voltadas à proteção da dignidade humana. Segundo ele, a proposta buscou enfrentar de forma objetiva um problema específico e urgente: a erotização de crianças e adolescentes em conteúdos publicitários.

Tramitação

A proposta será analisada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) e, posteriormente, pelo Plenário da Câmara dos Deputados. Para se converter em lei, o texto ainda deverá ser aprovado pela Câmara e pelo Senado Federal.

(Com informações da Agência Câmara de Notícias por Murilo Souza)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Ministros do STJ completam 13 anos de atuação com precedentes relevantes em diversas áreas do Direito

Moura Ribeiro, Regina Helena Costa e Rogerio Schietti Cruz completam 13 anos no STJ com atuação marcada por julgamentos relevantes e formação de precedentes. Os ministros se destacam, respectivamente, em matérias de Direito Privado, Direito Público e Direito Penal e Processual Penal.

Cobranças judiciais de dívidas privadas atingem recorde histórico no Brasil em 2025

As cobranças judiciais de dívidas privadas atingiram recorde histórico em 2025, com 1,23 milhão de novos processos de execução de títulos extrajudiciais não fiscais, alta de aproximadamente 60% em relação a 2020. O crescimento ocorre em meio ao aumento do endividamento das famílias e às dificuldades de renegociação extrajudicial. Especialistas apontam fatores como excesso de crédito, juros elevados e dificuldades financeiras de consumidores, empresas e produtores rurais como elementos que contribuem para o aumento da judicialização.

MC Pipokinha é condenada por expor adolescentes a conteúdo sexual durante show em MS

A Justiça de Mato Grosso do Sul condenou MC Pipokinha e outras quatro pessoas ao pagamento conjunto de R$ 162,1 mil por danos morais coletivos, após um show em Corumbá que, segundo o processo, expôs adolescentes a cenas de nudez parcial e simulações de atos sexuais. A cantora deverá pagar R$ 100 mil, enquanto os demais condenados deverão desembolsar R$ 15.525 cada. Os valores serão destinados ao Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. Cabe recurso.

Homem é condenado em Taiwan por usar robô aspirador para filmar esposa sem consentimento

Um homem em Taiwan foi condenado a cinco meses de prisão e multado após usar remotamente um robô aspirador com câmera para filmar a esposa em momentos íntimos com outro homem. Embora as imagens tenham sido utilizadas em uma ação civil sobre infidelidade, a Justiça considerou ilegal a gravação por violar o direito à privacidade da mulher, ressaltando que o casamento não elimina a proteção à intimidade.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo