Decisão do TST reconhece vínculo de emprego entre Uber Eats e ciclista entregador

Data:

estudante de medicina
Créditos: juststock / iStock

A Segunda Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) proferiu uma decisão unânime que reconhece o vínculo de emprego entre um ciclista entregador de alimentos da Uber Eats em São José dos Pinhais (PR) e a Uber do Brasil Tecnologia Ltda. Esta decisão tem implicações significativas no mundo dos serviços de entrega por aplicativo.

O entregador alegou que trabalhou para a Uber entre maio e julho de 2021, sem ter seu registro formalizado na carteira de trabalho, até ser descredenciado pela plataforma. Para embasar sua busca pelo reconhecimento do vínculo de emprego, ele apresentou registros diários de corridas, trajetos, horários e valores recebidos obtidos na plataforma digital da empresa.

O juízo de primeiro grau e o Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (PR) anteriormente haviam negado o vínculo de emprego, considerando a relação como uma parceria, não de subordinação. Eles apontaram que o entregador tinha liberdade para escolher o número de viagens, seus horários de trabalho e podia aceitar ou recusar entregas sem enfrentar penalidades.

Food Law
Crédito:wildpixel/istock.

No entanto, o entregador argumentou em seu recurso ao TST que, ao desativar o aplicativo, era punido pela Uber, que diminuía a demanda por seus serviços. Ele afirmou que a plataforma tinha o controle sobre as entregas, emitindo ordens ao entregador e exigindo que o serviço fosse executado com precisão, sob pena de descredenciamento, o que aconteceu com ele.

A relatora do recurso de revista (536-45.2021.5.09.0892), desembargadora convocada Margareth Rodrigues Costa, destacou que empresas-plataformas controlam e dirigem a prestação de serviços por meio de algoritmos e inteligência artificial. Ela ressaltou que essas empresas utilizam a “gamificação” para influenciar o comportamento dos prestadores de serviços, o que é essencialmente uma forma atualizada de subordinação jurídica, exercida por meio de algoritmos.

Entre os pontos citados por Margareth Costa para justificar o reconhecimento do vínculo estão o descadastramento do trabalhador em caso de descumprimento das condições, a remuneração determinada pela empresa (não negociada entre entregador e cliente) e a integração do trabalho na atividade econômica da empresa.

Além disso, ela enfatizou que a empresa tinha o poder discricionário de manter ou não o entregador na plataforma, o que evidencia seu controle sobre os trabalhadores.

Esta decisão do TST pode ter implicações significativas para o setor de entregas por aplicativo no Brasil, uma vez que reconhece a relação de subordinação entre as plataformas e os entregadores, o que pode resultar em obrigações trabalhistas adicionais para as empresas.

Com informações do Tribunal Superior do Trabalho (TST).


Você sabia que o Portal Juristas está no Facebook, Twitter, Instagram, Telegram, WhatsApp, Google News e Linkedin? Siga-nos!

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Ricardo Krusty
Ricardo Krusty
Comunicador social com formação em jornalismo e radialismo, pós-graduado em cinema pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Defesa de Daniel Vorcaro aponta alterações em arquivos de celular apreendido pela Polícia Federal

A defesa de Daniel Vorcaro apresentou ao STF um laudo particular que identificou alterações em 657 arquivos e a criação de outros 436 no celular do empresário enquanto o aparelho estava sob custódia da Polícia Federal. O documento questiona procedimentos de preservação e extração de provas digitais e fundamenta o pedido de acesso aos dados originais do dispositivo.

Revista Juristas amplia sua presença no cenário jurídico nacional e valoriza a produção intelectual brasileira

A Revista Juristas vem ampliando sua presença no cenário jurídico brasileiro ao promover a divulgação da produção intelectual de profissionais que contribuem para o desenvolvimento do Direito, o fortalecimento das instituições e o aperfeiçoamento do sistema de Justiça. Com 11 edições publicadas até outubro de 2026, a revista reúne entrevistas, artigos e reflexões sobre temas que influenciam diretamente a sociedade brasileira.

Justiça nega pedido de Willer Tomaz para obrigar Richarlison a apagar publicações sobre ilha

A Justiça de Brasília negou pedido de Willer Tomaz e da empresa WT Administração de Imóveis e Bens para obrigar Richarlison a apagar publicações sobre a disputa por uma ilha em Angra dos Reis. O processo continua em andamento.

Maior corretora de criptomoedas do mundo sofre invasão e perde bilhões

A Binance sofreu um ataque hacker que resultou no desvio estimado de US$ 6,3 bilhões em criptomoedas. A corretora suspendeu temporariamente os saques, afirmou que os recursos dos clientes estão protegidos e prometeu cobrir os prejuízos. Empresas do setor conseguiram bloquear parte dos ativos, enquanto as investigações sobre a autoria do ataque continuam.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo