Denúncia por corrupção passiva contra senador Aécio Neves é recebida no STF

Data:

O senador Aécio Neves tornou-se réu por corrupção passiva e obstrução de investigações sobre organização criminosa. Por 4 votos a 1, a 1ª Turma do STF recebeu denúncia por ter visto indícios de crimes no inquérito instaurado pela Procuradoria-Geral da República, a partir da delação da JBS.

Destaca-se que Andrea Neves, Mendherson Souza Lima e Frederico Pacheco de Medeiros também se tornaram réus.

Acusado de tentar influenciar a escolha de delegados das investigações da Lava Jato, Aécio também é acusado de receber R$ 2 milhões da J&F, além de responder a outros oito inquéritos em trâmite no STF.

Quanto à denúncia de corrupção passiva, o colegiado foi unânime. No tocante à obstrução de investigações, o ministro Alexandre de Moraes foi vencido. O ministro entendeu que a peça acusatória possui apenas intenções de obstrução à justiça, mas não indícios de atos executórios.

A defesa alega a teoria da árvore dos frutos envenenadas para que a prova seja considerada ilegal. De acordo com os advogados dos réus, Joesley agiu orientado por Marcello Miller, na época Procurador da República, mas que se tornou advogado da JBS ao deixar o MPF. Em outras palavras, o advogado de Aécio afirma que Raquel Dodge reconheceu que Miller agiu em interesse da J&F, e não da persecução penal.

Apesar da alegação, o ministro Marco Aurélio negou o pedido, afirmando que as provas resultantes da delação não poderão ser anuladas, apesar de o fato de ter havido orientação para o flagrante poder anular a delação em si.

O ministro Luís Roberto Barroso seguir o relator e afirmou haver indícios fortes de corrupção passiva, como a forma do recebimento do dinheiro, e indícios relevantes de interferência de indicação de delegado amigo para cada réu.

O advogado de Mendherson Souza Lima ainda solicitou o desmembramento da ação, que enviaria os processos dos três réus sem prerrogativa de foro à primeira instância. O relator invocou o princípio do juiz natural, defendendo a remessa do caso ao TRF3, mas foi vencido por Barroso, Fux, Rosa Weber e Alexandre de Moraes. Para a maioria, as condutas denunciadas só produziram o resultado pela conjunção dos atores.

Por fim, a defesa ainda criticou a distribuição dos pedidos de medidas cautelares, alegando que foi feita em desfavor dos acusados. Mas Marco Aurélio salientou que não houve violação do juiz natural, já que tal distribuição se deu por prevenção pela conexão dos fatos referentes à investigação do núcleo político da Lava Jato. Por isso, o MPF dirigiu as petições diretamente ao gabinete do ministro Edson Fachin.

 

Fonte: Conjur

 

 

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Juristas
Juristashttp://juristas.com.br
O Portal Juristas nasceu com o objetivo de integrar uma comunidade jurídica onde os internautas possam compartilhar suas informações, ideias e delegar cada vez mais seu aprendizado em nosso Portal.

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Waze suspende alertas de segurança no Brasil após uso político durante eleições

O Waze suspendeu temporariamente no Brasil a função de alertas relacionados à segurança pública após identificar registros falsos utilizados para ironizar campanhas eleitorais. O caso evidencia os desafios das plataformas digitais para combater o uso indevido de recursos colaborativos e evitar a disseminação de informações enganosas durante períodos eleitorais.

STF inicia julgamento sobre acesso a dados de usuários da internet sem decisão judicial

O STF iniciou julgamento para definir se provedores de internet podem fornecer dados de conexão e registros de usuários diretamente às autoridades ou se é indispensável uma decisão judicial prévia. O relator, ministro Cristiano Zanin, e o ministro Dias Toffoli votaram pela validade da exigência prevista no Marco Civil da Internet. O julgamento foi suspenso e ainda não há data para sua retomada.

TRF-4 determina perda do cargo de juiz acusado de furtar champanhes em supermercado

O TRF-4 determinou a perda do cargo de um juiz federal acusado de furtar duas garrafas de champanhe de um supermercado em Santa Catarina. A decisão também prevê sua disponibilidade sem remuneração, mas ainda será analisada pelo CNJ, que poderá reexaminar a medida no âmbito administrativo.

Big techs ampliam identificação de conteúdos gerados por IA

Grandes empresas de tecnologia estão ampliando ferramentas para identificar e sinalizar conteúdos produzidos por inteligência artificial. A movimentação ocorre diante da pressão regulatória, especialmente na União Europeia, e de preocupações com conteúdos de baixa qualidade, desinformação, riscos jurídicos e impactos na experiência dos usuários. Especialistas avaliam que a disputa entre ferramentas de geração e sistemas de detecção de IA deve continuar à medida que os modelos se tornam mais sofisticados.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo