INSS perde prédio construído para sediar agência da Previdência

Data:

O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) negou, na última semana, pedido feito pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para conseguir a escritura de um prédio de 942 metros quadrados construído na década de 1980 no município de Tenente Portela onde deveria ter sido instalada uma agência. Atualmente, o local é ocupado por um órgão da prefeitura, que se negou a sair.

A edificação foi erguida sobre um terreno doado pelo município ao antigo Instituto de Administração Financeira da Previdência e Assistência Social (Iapas). A implementação de uma unidade do órgão na área em até dois anos era uma das condições para que a transferência fosse concluída. O prédio foi construído, mas a agência nunca foi instalada. Como o acordo não foi cumprido, a prefeitura passou a ocupar o imóvel.

O INSS ingressou com o processo em junho do ano passado pedindo que a Justiça obrigasse o município a passar a escritura do prédio para o governo federal ou ressarcisse os gastos que a autarquia teve com a construção.

A prefeitura afirmou que a doação perdeu o efeito, uma vez que a área não foi aproveitada. Também salientou que a simples construção de uma edificação não caracteriza uso.

No primeiro grau, a 1ª Vara Federal de Palmeira das Missões (RS) deu parcial provimento à ação. Conforme a sentença, a formalização da escritura não pode ser feita já que o acordo não foi cumprido. No entanto, caberia o ressarcimento, pois o art. 884 do Código Civil diz que “aquele que, sem justa causa, se enriquecer à custa de outro, será obrigado a restituir o indevidamente auferido”. O valor da indenização foi estipulado em R$ 619 mil com atualização monetária. O município recorreu ao tribunal.

O relator do caso na 3ª Turma, desembargador federal Fernando Quadros da Silva, reformou o entendimento. Em seu voto, ele comentou: “havia uma lei municipal, houve mobilização orçamentária para a construção de um prédio e somente após 3 décadas a autarquia requer sua propriedade, que nunca foi ocupada ou destinada ao fim planejado. Ressalto aqui que não se trata de reclamação de propriedade que apenas não foi usada. Trata-se, sim, de doação por lei com encargo que não foi cumprido pelo donatário no prazo determinado, o que traz o imóvel ao seu estado anterior de propriedade plena do município, conforme a lei municipal previa”.

Processo: 5000897-25.2015.4.04.7127/TRF

Fonte: Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4)

Ementa:

ADMINISTRATIVO. CIVIL. DOAÇÃO COM ENCARGO DE IMÓVEL PELO MUNICÍPIO AO INSS. ENCARGO NÃO CUMPRIDO NO PRAZO – RETORNO DO IMÓVEL À MUNICIPALIDADE. DISCUSSÃO ACERCA DO CUMPRIMENTO DAS CONDIÇÕES DA DOAÇÃO – APÓS TRINTA ANOS DO PRAZO – PRESCRIÇÃO. 1. Na hipótese, o Município de Tenente Portela doou um imóvel ao INSS na condição de aproveitamento do imóvel em dois anos. O INSS apenas ergueu um edifício sem nunca ocupá-lo. 2. O prazo prescricional para a reversão da doação, sendo o INSS o donatário, é o do Decreto nº 20.910/32. 3. O termo inicial para a prescrição é o descumprimento do encargo que, no caso concreto, se configura na a data do documento liberatório para a ocupação do imóvel construído, qual seja, em 06/01/81.(TRF4 – APELAÇÃO CÍVEL Nº 5000897-25.2015.4.04.7127/RS, RELATOR: FERNANDO QUADROS DA SILVA, APELANTE: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL – INSS / MUNICÍPIO DE TENENTE PORTELA, APELADO : OS MESMOS. Data do Julgamento: 29 de novembro de 2016)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Wilson Roberto
Wilson Robertohttp://www.wilsonroberto.com.br
Empreendedor Jurídico, bacharel em Administração de Empresas pela Universidade Federal da Paraíba, MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas, professor, palestrante, empresário, Bacharel em Direito pelo Unipê, especialista e mestre em Direito Internacional pela Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa. Foi doutorando em Direito Empresarial pela mesma Universidade. Autor de livros e artigos.

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Projeto de Lei propõe criminalizar ‘injeção de prompt’ para manipular processos judiciais com IA

O Projeto de Lei 2543/26 propõe transformar em crime a utilização de técnicas de “injeção de prompt” para manipular sistemas de inteligência artificial empregados em processos judiciais e administrativos com o objetivo de obter vantagem indevida, causar danos ou influenciar resultados automatizados. A proposta prevê pena de um a quatro anos de reclusão e multa, com possibilidade de aumento em situações específicas. O texto também estabelece auditorias de processos e medidas de segurança para prevenir manipulações de sistemas de IA.

Brasil inicia processo para aplicar Lei da Reciprocidade contra tarifas dos EUA

O governo brasileiro iniciou o processo de aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica em resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais. A Camex avaliará se as medidas norte-americanas se enquadram na legislação, enquanto o Itamaraty iniciou consultas diplomáticas com Washington. Apesar da possibilidade de adoção de contramedidas comerciais, o governo afirma que pretende priorizar a negociação para tentar solucionar a disputa.

Uso excessivo de IA pode gerar “workslop” e comprometer produtividade, aponta estudo

O uso acelerado da inteligência artificial nas empresas deu origem ao fenômeno conhecido como workslop, que descreve conteúdos gerados por IA com aparência profissional, mas que apresentam informações genéricas, erros ou falta de contexto. Segundo levantamento da BetterUp Labs, 40% dos trabalhadores afirmam já ter recebido esse tipo de material. O problema pode gerar retrabalho, perda de produtividade, desgaste entre equipes e riscos relacionados à segurança da informação. Especialistas defendem o uso da IA como ferramenta de apoio, acompanhado de pensamento crítico, revisão humana, treinamento e políticas de governança.

Falha em turbina destrói janela e deixa passageiro parcialmente para fora de avião

Um passageiro ficou parcialmente para fora de um avião durante um voo entre a Grécia e a Alemanha após uma pá da turbina do motor direito se romper e fragmentos atingirem uma janela da cabine. O homem, de 61 anos, teve a cabeça e o ombro sugados para fora da aeronave e foi segurado pelas pernas pela esposa e por outros passageiros. A tripulação declarou emergência e conseguiu pousar em segurança. O NTSB participa da investigação, que ainda busca determinar a causa da falha no motor.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo