Advogado brasileiro está preso nos EUA por uso de informação privilegiada em negociação de ações

Data:

ex-preso político
Créditos: ra2studio | iStock

O advogado brasileiro Romero Cabral da Costa Neto (33), encontra-se sob custódia das autoridades americanas, após ser preso pelo Federal Bureau of Investigation (FBI), a polícia federal dos Estados Unidos, sob a suspeita de envolvimento em três casos de insider trading. As transações, que teriam resultado em lucros de mais de US$ 52 mil (R$ 254,6 mil), levantam questões sobre o uso de informações privilegiadas em negociação de ações e valores mobiliários. A prisão ocorreu em Washington, conforme comunicado divulgado pelo Escritório da Promotoria Americana, ligado ao Departamento de Justiça dos EUA, na quarta-feira (23).

O advogado, natural do Rio de Janeiro e com vínculos profissionais com o escritório Mattos Filho, estava realizando um estágio internacional no escritório americano Gibson, Dunn & Crutcher desde setembro de 2022. De acordo com o comunicado do Departamento de Justiça, Costa Neto possuía um visto de permanência nos Estados Unidos com duração de um ano.

Réu preso pode usar suas próprias roupas no tribunal do júri
Créditos: marchia | iStoxk

O escritório Mattos Filho emitiu um comunicado alegando que o advogado estava licenciado desde sua entrada no escritório americano e que, diante da situação, ele foi desligado da instituição até a conclusão do caso na Justiça americana. A defesa de Costa Neto ainda não se manifestou publicamente sobre as acusações.

As operações ilícitas teriam envolvido a negociação de ações sem que o advogado tivesse acesso legítimo às informações relevantes. Em maio, ele teria adquirido US$ 50 mil em ações de uma empresa de biotecnologia de Seattle e, no dia seguinte, as vendido por US$ 92,6 mil. O comunicado do Departamento de Justiça revela que Costa Neto acessou repetidamente mais de 100 arquivos relacionados a um processo de compra da empresa por uma biofarmacêutica sueca, embora não estivesse envolvido nessa transação.

Outro caso mencionado no comunicado diz respeito à compra de ações de uma empresa representada pelo escritório onde Costa Neto estagiava. Ele teria adquirido as ações um dia antes da divulgação de informações sobre um tratamento para um tipo específico de câncer. No entanto, a empresa anunciou uma oferta secundária de ações logo após, o que fez o preço dos papéis cair. O advogado vendeu os papéis e teria lucrado apenas US$ 1 mil. Nessas transações, ele não teria tido autorização para acessar documentos relativos à empresa.

Advogado brasileiro está preso nos EUA por uso de informação privilegiada em negociação de ações | Juristas
Créditos: ronstik | iStock

A terceira acusação envolve a compra e venda de 7 mil ações de uma empresa que anunciaria uma fusão, criando uma companhia de serviços para o setor petrolífero avaliada em US$ 5,4 bilhões. Com essa negociação, Costa Neto teria lucrado cerca de US$ 8,5 mil. O somatório dos lucros das três transações resultaria em US$ 52 mil.

As acusações de insider trading, que envolvem o uso de informações privilegiadas para vantagens indevidas em negociações de valores mobiliários, são tratadas com rigor nas leis americanas. A pena máxima para esses crimes nos Estados Unidos é de 20 anos de prisão, além de possíveis sanções financeiras. O caso está sendo investigado pelo FBI e pelo escritório regional da Filadélfia da Securities and Exchange Commission (SEC), o órgão de controle do mercado de ações dos EUA.

Com informações de O Globo e Infomoney.


Você sabia que o Portal Juristas está no FacebookTwitterInstagramTelegramWhatsAppGoogle News e Linkedin? Siga-nos

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Ricardo Krusty
Ricardo Krusty
Comunicador social com formação em jornalismo e radialismo, pós-graduado em cinema pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

BASF processa Apple nos EUA por suposta violação de patente de tecnologia de reconhecimento facial

A BASF, por meio da unidade trinamiX, processou a Apple nos Estados Unidos por suposta violação de patentes relacionadas a uma tecnologia de autenticação facial. A empresa alemã afirma ter desenvolvido, ao longo de cerca de dez anos, uma solução destinada a aumentar a segurança do reconhecimento facial contra fraudes com fotografias, máscaras 3D e réplicas de silicone. A ação envolve a utilização da tecnologia em modelos de iPhone e iPad e poderá resultar em responsabilização da Apple caso seja reconhecida a violação das patentes.

Primeiros processos sob nova sistemática da relevância da questão federal serão analisados pelo STJ

O STJ realizará, entre 30 de setembro e 6 de outubro, as primeiras sessões virtuais para análise de processos submetidos à nova sistemática da relevância da questão federal. As três Seções especializadas examinarão controvérsias relacionadas a atividade especial por exposição à eletricidade, honorários advocatícios em cobranças de taxas condominiais e utilização da palavra da vítima em processos envolvendo estupro de vulnerável e assédio sexual. O novo sistema prevê diferentes procedimentos conforme o reconhecimento ou não da relevância e poderá resultar na formação de precedentes qualificados.

Banco Central amplia de 30 para 80 dias prazo para contestar devoluções do Pix pelo MED

O Banco Central ampliou de 30 para 80 dias o prazo para contestação de devoluções realizadas pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Pix quando o recebedor suspeitar que o mecanismo foi acionado de forma fraudulenta. A mudança entrou em vigor em 1º de setembro e beneficia especialmente comerciantes e prestadores de serviços que podem sofrer com falsas alegações de fraude após receberem pagamentos. O prazo para a vítima de um golpe solicitar o MED permanece em até 80 dias após a transferência original.

Cristiano Zanin é reconduzido ao cargo de ministro substituto do TSE por mais dois anos

O ministro Cristiano Zanin, do STF, foi reconduzido para mais dois anos no cargo de ministro substituto do Tribunal Superior Eleitoral. Ele integra a composição da corte eleitoral desde agosto de 2024. O TSE é formado por sete ministros titulares e sete substitutos, com representação do STF, do STJ e da advocacia. O novo mandato de Zanin terá duração de dois anos, conforme as regras aplicáveis aos ministros indicados pelo Supremo.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo