Empresário de Porto Alegre é condenado por sonegação superior a R$ 4 milhões em tributos federais

Data:

Empresário de Porto Alegre é condenado por sonegação superior a R$ 4 milhões em tributos federais | Juristas
Créditos: sergign/Shutterstock.com

A 22ª Vara Federal de Porto Alegre condenou um empresário da capital gaúcha por suprimir e reduzir tributos federais em valor superior a R$ 4 milhões. A sentença foi proferida em 19 de janeiro, em ação penal proposta pelo Ministério Público Federal (MPF).

De acordo com a denúncia, entre os anos de 2008 e 2011, o empresário omitiu deliberadamente receitas da empresa, valendo-se de contas bancárias não escrituradas e de manobras fraudulentas, como a chamada “contabilização circular” por meio da conta “Caixa”, com o objetivo de dissimular o ingresso de recursos externos e reduzir a base de cálculo dos tributos devidos.

A fiscalização da Fazenda Nacional apurou a supressão do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da contribuição ao PIS/Pasep, totalizando cerca de R$ 4 milhões. Com a incidência de juros e multa, o crédito tributário atualmente ultrapassa R$ 11 milhões.

O juízo reconheceu que a materialidade do crime ficou demonstrada por robusta prova documental, que evidenciou a omissão de valores expressivos nas receitas da empresa durante o período investigado. Também restaram comprovados o dolo e a autoria, uma vez que o réu era sócio-majoritário, detentor de 98% do capital social, além de administrador e representante legal da empresa.

Segundo a sentença, não se trata de mero inadimplemento decorrente de dificuldades financeiras ou falhas técnicas, mas de conduta fraudulenta consciente e reiterada, voltada à ocultação da base de cálculo dos tributos. A reiteração da prática ao longo de quatro anos e o elevado montante envolvido afastaram qualquer hipótese de erro ou desorganização administrativa.

Diante disso, o empresário foi condenado à pena de três anos e nove meses de reclusão, em regime inicial aberto, além do pagamento de 20 dias-multa. A pena privativa de liberdade foi substituída por duas restritivas de direitos: prestação de serviços à comunidade ou a entidade pública e prestação pecuniária equivalente a 50 salários mínimos, além do pagamento das custas processuais.

A cobrança do crédito tributário ocorre de forma independente, por meio de ação de execução fiscal. O réu poderá recorrer da decisão em liberdade ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4).

(Com informações do TRF4)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

New Balance processa Decathlon nos EUA por suposta violação de marca em logotipo da Kiprun

A New Balance processou a Decathlon nos Estados Unidos, alegando que o logotipo utilizado pela marca esportiva Kiprun apresenta semelhança com seu tradicional símbolo em formato de “N”. A fabricante pede a retirada dos produtos do mercado, a destruição dos itens com o símbolo e indenização. A Decathlon contesta a acusação e afirma que o desenho representa a letra “K”. O processo tramita no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito de Massachusetts.

IA amplia preocupação com empregos e já afeta a entrada de jovens no mercado de trabalho

Pesquisas recentes indicam que a inteligência artificial já produz efeitos perceptíveis sobre o mercado de trabalho, especialmente nas oportunidades destinadas a profissionais jovens em ocupações mais expostas à automação. Estudos também apontam crescimento do uso de IA generativa nas empresas, inclusive sem conhecimento dos empregadores, levantando questões relacionadas à governança, segurança da informação, proteção de dados e relações trabalhistas. Os pesquisadores ressaltam, contudo, que os dados disponíveis ainda não comprovam uma substituição generalizada de trabalhadores pela tecnologia.

Nelson Wilians transferiu R$ 6,6 milhões para empresa de herdeiro da Casas Bahia, aponta Coaf

Relatório do Coaf que embasou a Operação Distrato registra 15 transferências realizadas por Nelson Wilians, entre setembro de 2024 e setembro de 2025, totalizando R$ 6,6 milhões destinados à Icon Properties, empresa ligada a Michael Klein. A movimentação é mencionada no contexto de investigação do Ministério Público de São Paulo sobre supostas fraudes envolvendo créditos de ICMS. Wilians afirma que as operações são lícitas e não têm relação com os fatos investigados. Michael Klein não se manifestou, enquanto a Casas Bahia informou ter criado um comitê independente para apurar o caso.

Candidata recorre à Justiça após desclassificação de concurso por uso de medicamento hormonal

Candidata ao concurso da Polícia Penal de Minas Gerais foi considerada inapta na avaliação médica após apresentar documentação indicando histórico de câncer de mama e uso contínuo de tamoxifeno. Ela afirma que exames recentes não apontam atividade da doença e questiona judicialmente a desclassificação, invocando o entendimento do STF no Tema 1.015. Os pedidos de liminar e o recurso apresentado pela candidata foram negados, enquanto o processo principal continua em tramitação.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo