
Os gabinetes dos ministros Cristiano Zanin e Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), confirmaram que receberam nesta segunda-feira (14) o conteúdo integral do celular de Daniel Vorcaro, proprietário do extinto Banco Master. O compartilhamento ocorreu após determinação de Zanin para que a Polícia Federal encaminhasse uma cópia dos dados extraídos do aparelho.
O celular foi apreendido em novembro, durante a Operação Compliance Zero, e reúne mensagens que foram mencionadas pela Polícia Federal em relatório utilizado pelo ministro André Mendonça como fundamento para solicitar a abertura de investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes.
Além de Zanin e Gilmar Mendes, Moraes também solicitou acesso ao material. Os pedidos ocorreram antes do julgamento marcado para esta terça-feira (15), quando o Plenário do STF deverá analisar o relatório da Polícia Federal que identificou 52 mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes.
A discussão sobre o acesso aos dados começou depois que Zanin solicitou ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, acesso irrestrito ao conteúdo do aparelho. Fachin pediu ao ministro André Mendonça que disponibilizasse o material, mas Mendonça informou que o celular não estava em seu gabinete, mas permanecia sob custódia da Polícia Federal.
Segundo informações apresentadas por Mendonça, seu gabinete dispõe de uma cópia de segurança dos dados extraídos do aparelho. O material consiste em um HD criptografado entregue pela Polícia Federal em março de 2026, mantido lacrado desde então.
Antes do compartilhamento integral, Mendonça havia manifestado preocupação com a abertura e a distribuição de todo o conteúdo extraído do celular. Segundo o ministro, a medida poderia tumultuar o julgamento e comprometer o andamento das investigações. Ele também afirmou que todos os ministros do STF tinham acesso ao mesmo conjunto de informações que seria utilizado por ele na sessão.
Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, contudo, defenderam a necessidade de acesso ao espelhamento completo do aparelho para que os integrantes da Corte pudessem analisar os fatos em seu contexto. A Procuradoria-Geral da República também se manifestou favoravelmente ao acesso integral dos ministros aos dados extraídos do telefone.
Diante da informação de que o aparelho e o conteúdo estavam sob custódia da Polícia Federal, Zanin determinou que o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, compartilhasse o material com seu gabinete no prazo de 24 horas. O encaminhamento foi realizado nesta segunda-feira, conforme confirmado pelos gabinetes dos ministros.
O Plenário do STF foi convocado por Edson Fachin para analisar, nesta terça-feira (15), o relatório elaborado pela Polícia Federal a pedido de André Mendonça. O documento aponta uma possível relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro e reúne mensagens encaminhadas pelo empresário ao ministro.
A análise do caso envolve a validade do relatório e a possibilidade de prosseguimento de uma investigação envolvendo um integrante da própria Corte. Alguns ministros questionaram a iniciativa de Mendonça de solicitar a apuração sem prévia autorização do Plenário.
O julgamento é considerado inédito no STF e provocou divergências internas sobre os limites da atuação individual de ministros e os procedimentos aplicáveis à investigação de integrantes da própria Corte. A expectativa em torno da sessão também aumentou as discussões nos bastidores sobre a posição de cada ministro em relação ao caso.
(Com informações do G1 por Márcio Falcão, Ana Flávia Castro, Isabela Camargo e Fábio Amato)
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