Justiça condena pai a indenizar filha por abandono afetivo na infância

Data:

pai
Créditos: Light Field Studios | iStock

A 5ª Vara de Família da Comarca de Manaus (AM) condenou um homem ao pagamento de R$ 50 mil por danos morais a uma mulher que alegou ter sido abandonada pelo pai durante a infância. A decisão reconheceu o descumprimento dos deveres relacionados à paternidade responsável e considerou os impactos do abandono sobre a integridade psicológica e emocional da autora.

De acordo com os autos, após se mudar para outro Estado, o homem manteve contato com a filha apenas em poucas ocasiões e deixou de prestar assistência material durante seu desenvolvimento. Um relatório psicossocial apresentado no processo apontou consequências para a saúde psicológica e emocional da mulher, relacionadas à ausência paterna.

Ao proferir a sentença, o magistrado destacou que o afeto, por sua natureza, não pode ser imposto judicialmente, mas ressaltou que o dever de cuidado decorre da própria responsabilidade parental. Segundo o entendimento adotado, embora ninguém possa ser obrigado a amar outra pessoa, existem obrigações jurídicas relacionadas à proteção, assistência e cuidado dos filhos.

Na definição do valor da indenização, o juiz levou em consideração o abandono desde os primeiros anos de vida, a falta de auxílio material e a necessidade de acompanhamento psicológico. A reparação foi estabelecida em R$ 50 mil, com o objetivo de compensar os danos extrapatrimoniais suportados pela autora e reforçar a observância dos deveres inerentes à paternidade responsável.

A sentença também autorizou a retificação do registro civil para retirar o sobrenome paterno da certidão de nascimento. Para o magistrado, a alteração não interfere na ancestralidade nem na filiação biológica, que permanecem registradas, mas permite que o documento reflita a realidade social e emocional vivenciada pela autora.

Por outro lado, o pedido de desconstituição da paternidade foi rejeitado. Embora o juiz tenha reconhecido a ocorrência de abandono afetivo, moral e assistencial, entendeu que a exclusão da paternidade do registro de nascimento não encontra respaldo jurídico nas circunstâncias analisadas.

O processo tramita sob segredo de Justiça.

(Com informações do IBDFAM)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Gabinetes de Zanin e Gilmar recebem conteúdo integral do celular de Vorcaro

Os ministros Cristiano Zanin e Gilmar Mendes receberam a íntegra dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, proprietário do extinto Banco Master, antes do julgamento marcado pelo STF para esta terça-feira (15). O aparelho foi apreendido durante a Operação Compliance Zero e contém mensagens que integram relatório da Polícia Federal relacionado a uma possível investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes. A discussão sobre o acesso integral ao conteúdo envolve questões sobre transparência, competência e limites para a investigação de integrantes do Supremo.

Erro na identificação de cadáver leva TJ-SP a manter indenização a familiares

O TJ-SP manteve a condenação de um hospital e de uma funerária por falha que resultou na troca do corpo de uma mulher após seu sepultamento durante a pandemia de Covid-19. A indenização foi fixada em R$ 15 mil para cada um dos três familiares, totalizando R$ 45 mil por danos morais, além de aproximadamente R$ 700 por danos materiais. O tribunal entendeu que todos os integrantes da cadeia de prestação do serviço respondem pelo erro e que a pandemia não afasta o dever de cuidado na identificação dos cadáveres.

TJDFT mantém condenação de advogado por acusar falsamente magistrada de abuso de autoridade

O TJDFT manteve, por unanimidade, a condenação de um advogado por denunciação caluniosa na forma tentada após ele acusar uma magistrada de abuso de autoridade. O colegiado concluiu que a reclamação disciplinar apresentada pelo profissional deu origem a procedimento administrativo, mas não foram encontrados indícios de irregularidade na atuação da juíza. O tribunal também considerou válida a citação realizada por oficial de Justiça por telefone, seguida do envio dos documentos por aplicativo de mensagens.

Homem é condenado por simular próprio sequestro para extorquir a mãe em São Paulo

O TJ-SP manteve a condenação de um homem a quatro anos de reclusão, em regime inicial aberto, por simular o próprio sequestro com a participação de comparsas para exigir R$ 800 da mãe como suposto resgate. O tribunal considerou comprovado que o acusado participou do plano para obter vantagem econômica ilícita.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo