Grupo é acusado de usar falsos anúncios de veículos e imóveis para aplicar golpes

Data:

Movida Rent a Car
Imagem meramente ilustrativa – Créditos: YakobchukOlena / iStock

O juízo da 3ª Vara Especializada em Organização Criminosa da Capital recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) contra 26 pessoas acusadas de integrar uma organização criminosa estruturada e hierarquizada, supostamente articulada por integrantes da facção Terceiro Comando Puro (TCP).

Segundo a denúncia, o grupo atuava principalmente na prática de crimes patrimoniais, incluindo extorsões, roubos com restrição da liberdade das vítimas e estelionatos. A decisão também determinou a prisão preventiva de dois acusados: Íris Maurício da Silva Almeida e Vilmara de Morais.

Falsos anúncios de veículos

De acordo com as investigações, os integrantes do grupo publicavam anúncios falsos de veículos em plataformas como Facebook Marketplace e OLX. As vítimas eram atraídas pelos anúncios e orientadas a comparecer a locais em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, acreditando que realizariam a compra de um automóvel.

Ao chegarem aos endereços indicados, as vítimas eram surpreendidas por criminosos armados e mantidas sob domínio do grupo. Além de terem seus pertences roubados, algumas eram obrigadas a realizar transferências bancárias.

Cartões de crédito também eram subtraídos e utilizados em máquinas de pagamento que, segundo a investigação, seriam disponibilizadas por integrantes previamente envolvidos no esquema.

Golpes com imóveis

A organização também teria utilizado falsos anúncios de aluguel e venda de imóveis para aplicar golpes.

As vítimas realizavam transferências bancárias acreditando estar efetuando pagamentos relacionados à locação ou aquisição de propriedades. Depois da transferência, porém, deixavam de receber respostas dos supostos anunciantes.

Lavagem de dinheiro

As investigações apontaram ainda a existência de um núcleo financeiro responsável pela movimentação e ocultação dos valores obtidos com os crimes.

Segundo o MPRJ, os acusados utilizavam operações sucessivas e a pulverização dos recursos para dificultar o rastreamento do dinheiro e dar aparência lícita aos valores provenientes dos delitos.

Os crimes teriam ocorrido entre 2022 e 2024 em diferentes municípios da Baixada Fluminense, principalmente Belford Roxo, além de Cubatão, no litoral de São Paulo.

Prisões preventivas

Ao analisar a denúncia, o juiz Alexandre Abrahão considerou que havia elementos indicando que Íris Maurício da Silva Almeida e Vilmara de Morais ocupavam posições de destaque na estrutura da organização investigada.

Para o magistrado, os dois teriam participação relevante na suposta prática dos crimes patrimoniais e na posterior lavagem dos valores obtidos de forma ilícita. Por isso, foi decretada a prisão preventiva de ambos.

Para os demais acusados, foram impostas medidas cautelares alternativas à prisão. Entre elas estão a obrigação de comparecer a cada dois meses perante o juízo ou em cartório judicial e a proibição de manter contato com testemunhas, corréus e familiares deles.

A proibição de contato abrange encontros presenciais e comunicações por meios remotos, redes sociais, aplicativos ou por intermédio de terceiros.

O recebimento da denúncia dá início à ação penal, mas não representa condenação dos acusados. A responsabilidade criminal de cada réu ainda será analisada ao longo do processo, com garantia do contraditório e da ampla defesa.

(Com informações da Agência Brasil por Douglas Corrêa)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Amazon reedita episódio de “Tremembé” após ações por suposto uso indevido de imagem

A Amazon reeditou o quinto episódio da série Tremembé após pelo menos três pessoas ajuizarem ações contra a empresa por suposto uso não autorizado de imagem. Os autores pedem indenizações de R$ 150 mil e alegam danos morais decorrentes da exposição. Os processos tramitam na Justiça de São Paulo e ainda não tiveram decisão. O caso envolve questões relacionadas ao direito de imagem e à responsabilidade civil.

Egito condena apresentadora de TV e outros 11 réus à pena de morte por tráfico de drogas

A Justiça do Egito condenou a apresentadora Sarah Khalifa e outros 11 réus à pena de morte por suposta participação em um grupo organizado voltado à fabricação e ao tráfico de drogas. O processo também envolve acusações de posse e porte ilegal de armas e munições. A decisão foi proferida após consulta ao grão-mufti e ainda pode ser contestada por meio de recursos.

MPF recomenda revisão das regras sobre uso religioso, espiritual e terapêutico da ayahuasca

O Ministério Público Federal recomendou ao Conad e à Anvisa a revisão das regras relacionadas à ayahuasca no Brasil, especialmente para os usos religioso, espiritual e terapêutico. A proposta prevê grupos de trabalho, consulta a povos indígenas e comunidades tradicionais, revisão do enquadramento jurídico da DMT e criação de parâmetros para produção, circulação e utilização da bebida. Os órgãos terão 30 dias para informar se irão acatar as recomendações.

Morre aos 80 anos Robert Alexy, referência mundial na Teoria do Direito e dos princípios

Morreu aos 80 anos o jurista e filósofo alemão Robert Alexy, um dos principais nomes contemporâneos da Filosofia e da Teoria do Direito. Professor da Universidade de Kiel, tornou-se mundialmente conhecido por seus estudos sobre princípios, direitos fundamentais, proporcionalidade e argumentação jurídica. Sua obra exerceu forte influência sobre a doutrina e a jurisprudência brasileiras, especialmente no Direito Constitucional e em decisões do STF.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo