Grupo Libra Bioenergia tem recuperação judicial deferida com dívida superior a meio bilhão de reais

Data:

Grupo Libra Bioenergia tem recuperação judicial deferida com dívida superior a meio bilhão de reais | Juristas
Destilaria do Grupo Libra.
Credito: divulgaçâo

A Juíza Titular da Vara Cível Especializada de Recuperação Judicial da Comarca de Cuiabá-MT, Anglizey Solivan de Oliveira, deferiu o pedido de Recuperação Judicial do Grupo Libra Bioenergia, que enfrenta um passivo declarado de R$ 534,7 milhões. O pedido engloba seis empresas e dois produtores rurais.

O Grupo atua há mais de 40 anos nos setores de agricultura, geração de energia, produção de biocombustível e proteína vegetal, gerando mais de 1.500 empregos diretos e indiretos. É reconhecido por ser a primeira indústria brasileira a produzir simultaneamente etanol de cana-de-açúcar e milho durante todo o ano.

Capacitado para entregar diariamente 850 metros cúbicos (m³) de etanol, 210 toneladas de WDG (grãos de destilaria úmidos), 120 toneladas de DDGS (grãos de destilaria secos com solúveis) e gerar energia por biomassa, o Grupo Libra Bioenergia tem um potencial de faturamento de R$ 1 bilhão por ano com etanol e derivados.

No pedido de Recuperação Judicial, o Grupo apontou acumulação de perdas nos últimos cinco anos, influenciadas pelo congelamento de preços da gasolina pela Petrobrás, e pelos impactos econômicos da pandemia de Covid-19. A crise incluiu proibição de circulação de veículos, oscilação acentuada nos preços das commodities, inflação nos preços de matérias-primas e insumos, além de restrições de crédito durante a pandemia.

Grupo Libra Bioenergia tem recuperação judicial deferida com dívida superior a meio bilhão de reais | Juristas
Euclides Ribeiro socio da ERS Advocacia

“As empresas estão com crise de caixa enquanto têm capacidade de produção ociosa, precisando ajustar a entrada de novos recursos via ‘DIP’ (Debtor-In-Possession) que serão utilizados unicamente para produção, e não para pagar dívidas. Neste momento de crise, é salutar a intervenção, ainda que mínima do Poder Judiciário, apenas para proteger os ativos e garantir o empréstimo DIP, até que as empresas voltem a produzir em sua capacidade plena, enquanto negociam com os credores, de uma única e definitiva vez, a forma de pagar as dívidas, com a usina operando em plena capacidade,” defende Euclides Ribeiro, sócio da ERS Advocacia e advogado do Grupo.

Em relação aos novos financiamentos DIP (Debtor-In-Possession) previstos para 2024, Ribeiro destaca o interesse de gestoras em produtores rurais de Mato Grosso em recuperação judicial, gerando um mercado que, apesar de exigir gestão mais colaborativa, está crescendo e contribuindo para a economia local.

A SSG Capital, especializada em Special Situations, será responsável pela solução de capital do Grupo Libra, utilizando transações customizadas por meio de instrumentos de crédito e/ou de equity. Bernardo Mascarenhas, sócio fundador da SSG Capital, ressalta a segurança jurídica trazida pela nova Lei de Recuperação Judicial e Falência nº 14.112 de 2020.

Quanto aos tributos, o Grupo Libra acertou todos os acordos com o Estado de Mato Grosso, não possuindo dívidas vencidas, e está em tratativas com a Receita Federal para reestruturação de tributos federais por meio de programas previstos em lei.

A magistrada Anglizey Solivan de Oliveira, que conduzirá o processo, possui perfil ativo em recuperações judiciais, participando do Grupo de Trabalho sobre Recuperação Judicial coordenado pelo ministro Luís Felipe Salomão, do STJ. Ela é cotada para se tornar Desembargadora em Mato Grosso na eleição de fevereiro de 2024.


Você sabia que o Portal Juristas está no FacebookTwitterInstagramTelegramWhatsAppGoogle News e Linkedin? Siga-nos!

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Ricardo Krusty
Ricardo Krusty
Comunicador social com formação em jornalismo e radialismo, pós-graduado em cinema pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Câmeras com IA identificam comportamentos suspeitos e reacendem debate sobre vigilância

Câmeras de monitoramento, tradicionalmente utilizadas para registrar ocorrências e...

Inteligência artificial amplia ataques cibernéticos e coloca empresas brasileiras na mira de grupos criminosos

O avanço da inteligência artificial generativa tem contribuído para o aumento e a sofisticação de ataques cibernéticos realizados por grupos criminosos. No Brasil, empresas e instituições passaram a figurar entre os alvos de operações de ransomware e roubo de dados. Além dos prejuízos financeiros, os ataques podem gerar responsabilidades relacionadas à proteção de dados pessoais e exigir comunicação à ANPD e aos titulares afetados.

Nova lei aumenta penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes na internet

A Lei 15.487/2026 endureceu as penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes, inclusive aqueles praticados pela internet ou com o uso de inteligência artificial. A norma elevou diversas penas, incluiu os crimes no rol dos hediondos, criou mecanismos de investigação digital, como as chamadas “rondas virtuais”, e ampliou a proteção psicológica e psicossocial às vítimas. A legislação também prevê aumento de pena quando houver uso de IA, deepfakes, redes sociais, aplicativos de mensagens ou jogos online para facilitar a prática criminosa.

Alemanha planeja reformar “minijobs” e ampliar contribuição previdenciária

A Alemanha avalia reformar o sistema de “minijobs”, modalidade de trabalho de curta jornada que atende cerca de 7 milhões de pessoas. Entre as propostas estão o fim da possibilidade de renunciar às contribuições previdenciárias e o aumento dos encargos pagos pelas empresas. Sindicatos defendem a mudança por considerarem o modelo precário, enquanto empregadores argumentam que os minijobs garantem flexibilidade ao mercado de trabalho. Estudantes e trabalhadores que dependem dessa modalidade temem redução da renda. O governo alemão ainda deverá definir os detalhes da reforma.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo