Improbidade administrativa não pode ser confundida com mera ilegalidade do ato ou inabilidade do agente público que o pratica

Data:

Denúncia do MPF contra ex-prefeita de Seabra foi julgago improcedente

Improbidade Administrativa
Créditos: Michał Chodyra / iStock

A Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) manteve decisão de primeiro grau, que julgou improcedente a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) em desfavor da ex-prefeita do município de Seabra, no estado da Bahia.

De acordo com o que consta nos autos, a ex-prefeita teria aplicado irregularmente recursos públicos federais repassados pelo Ministério da Educação a serem destinados ao Programa Nacional de Alimentação e Creche (PNAC).

Depois do Juízo da primeiro grau ter absolvido a ré ao argumento de que não restou comprovada a prática de qualquer ato de improbidade administrativa, a ação penal chegou ao TRF1 por força de remessa oficial.

A remessa oficial é um instrumento que fixa o reexame obrigatório de sentença proferida contra a União, o Estado, o Distrito Federal, o Município e as respectivas autarquias e fundações de direito público. A regra ainda se aplica às sentenças que julgarem procedentes, no todo ou em parte, os embargos à execução de dívida ativa da Fazenda Pública.

Ao verificar o caso, a relatora, juíza federal convocada Simone dos Santos Lemos Fernandes, constatou que não restou provada a má administração de recursos públicos conforme apontado pelo Ministério Público Federal

A juíza federal convocada ressaltou que, embora o Parecer n. 310/2014 elaborado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) tenha constatado que apenas em 9 (nove) dias houve alimentação escolar, não consta nos autos nenhum outro elemento probatório que confirme a ausência de refeições na creche municipal, sobretudo em razão de o inquérito civil que baseou a presente ação ter se restringido à irregularidade da prestação de contas.

O que há, de acordo com a relatora, é que foram realizados procedimentos licitatórios com o objetivo de adquirir produtos alimentícios, assim como pagamentos referentes à alimentação, os quais não foram objeto de impugnação no decorrer do inquérito civil instaurado, de modo que restam dúvidas se as refeições foram ou não servidas aos alunos da creche municipal por 164 (cento e sessenta e quatro dias).

Para a magistrada, provavelmente ocorreu um equívoco no preenchimento do Demonstrativo Sintético Anual da Execução Físico-Financeira, tendo sido este o único documento a dizer que a merenda só foi servida por nove dias.

A relatora Simone dos Santos Lemos Fernandes destacou que “o contexto fático-probatório não comprovou a prática de ato de improbidade administrativa, de sorte que não há justa causa a justificar eventual condenação do requerido, haja vista a ausência de prova a confirmar se, de fato, houve problema no oferecimento das refeições na creche municipal”.

Desta forma, a Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), por unanimidade, negou provimento à remessa oficial, mantendo a sentença na sua integralidade. (Com informações do TRF1)

Processo nº: 0005360-49.2013.4.01.3312/BA

Ementa:

ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. ARTS. 10, CAPUT E 11, II, DA LEI 8.429/92. APLICAÇÃO IRREGULAR DE VERBA PÚBLICA DESTINADA À ALIMENTAÇÃO DE CRECHE MUNICIPAL. AUSÊNCIA DE PROVA. SENTENÇA MANTIDA.

1.O conjunto fático-probatório não é suficiente para comprovar a prática de ato de improbidade administrativa, inexistindo nos autos prova que confirme se, de fato, houve problema no oferecimento das refeições na creche municipal.

2.Inexistindo justa causa a justificar eventual condenação do requerido deve ser mantida a sentença de improcedência.

3.Remessa necessária não provida.

(TRF1 – Processo nº: 0005360-49.2013.4.01.3312/BA – RELATORA : DESEMBARGADORA FEDERAL MONICA SIFUENTES RELATORA CONVOCADA : JUÍZA FEDERAL SIMONE DOS SANTOS LEMOS FERNANDES AUTOR : MINISTERIO PUBLICO FEDERAL PROCURADOR : SAMIR CABUS NACHEF JUNIOR RÉU : DALVIO PINA LEITE ADVOGADO : BA00018883 – FLAVIO LUIZ MARQUES DOS SANTOS LITISCONSORTE ATIVO : FUNDO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCACAO – FNDE PROCURADOR : PROCURADORIA REGIONAL FEDERAL DA 1A REGIAO REMETENTE : JUIZO FEDERAL DA SUBSECAO JUDICIARIA DE IRECE – BA. Data do Julgamento: 17 de julho de 2018)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Juristas
Juristashttp://juristas.com.br
O Portal Juristas nasceu com o objetivo de integrar uma comunidade jurídica onde os internautas possam compartilhar suas informações, ideias e delegar cada vez mais seu aprendizado em nosso Portal.

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Defesa de Daniel Vorcaro aponta alterações em arquivos de celular apreendido pela Polícia Federal

A defesa de Daniel Vorcaro apresentou ao STF um laudo particular que identificou alterações em 657 arquivos e a criação de outros 436 no celular do empresário enquanto o aparelho estava sob custódia da Polícia Federal. O documento questiona procedimentos de preservação e extração de provas digitais e fundamenta o pedido de acesso aos dados originais do dispositivo.

Justiça nega pedido de Willer Tomaz para obrigar Richarlison a apagar publicações sobre ilha

A Justiça de Brasília negou pedido de Willer Tomaz e da empresa WT Administração de Imóveis e Bens para obrigar Richarlison a apagar publicações sobre a disputa por uma ilha em Angra dos Reis. O processo continua em andamento.

Maior corretora de criptomoedas do mundo sofre invasão e perde bilhões

A Binance sofreu um ataque hacker que resultou no desvio estimado de US$ 6,3 bilhões em criptomoedas. A corretora suspendeu temporariamente os saques, afirmou que os recursos dos clientes estão protegidos e prometeu cobrir os prejuízos. Empresas do setor conseguiram bloquear parte dos ativos, enquanto as investigações sobre a autoria do ataque continuam.

Presidente do TRF-1 decide em processo envolvendo empresa representada pela própria filha

A presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região...

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo