INSS deve conceder pensão por morte a mãe de vítima de feminicídio

Data:

Viúva receberá pensão por morte de empregador que não registrou funcionário na CTPS
Créditos: Ruslan Guzov / shutterstock.com

A 7ª Vara Previdenciária Federal de São Paulo/SP emitiu uma ordem direcionada ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para ser concedida a pensão por morte a uma mulher cuja filha foi vítima de feminicídio e comprovou sua dependência financeira. A sentença, datada de 2 de agosto, foi proferida pela juíza federal Vanessa Vieira de Mello.

Conforme a magistrada, a análise das provas documentais e dos depoimentos indica que ambas viviam sob o mesmo teto. Conforme o processo (5018347-80.2022.4.03.6183) a filha falecida desempenhava um papel substancial no apoio financeiro à mãe. A juíza enfatizou: “Da prova documental, aliada à testemunhal, extrai-se que elas viviam na mesma casa. O auxílio financeiro prestado pela filha falecida era grande.”

Menino receberá pensão por morte da avó
Créditos: Katarzyna Bialasiewicz | iStock

Em 2017, a autora buscou o benefício de pensão por morte no âmbito administrativo após a morte da filha. Entretanto, o pedido foi negado sob a alegação de que a dependência econômica não havia sido comprovada.

Contudo, por meio de documentos e testemunhos apresentados, ficou evidente que a mãe residia com a filha, e esta, contribuía para as despesas do lar. Com o falecimento da filha, a mulher, que desempenhava atividades como diarista, enfrentou dificuldades financeiras.

A juíza destacou na decisão que a pensão por morte é um dos benefícios previdenciários de maior importância, servindo como uma proteção para amparar a família em situações de necessidade.

Assim, a juíza federal ordenou que o INSS conceda o benefício à autora, fixando o início do pagamento na data do falecimento da filha.

Sobre o grande número de feminicídios

INSS deve conceder pensão por morte a mãe de vítima de feminicídio | Juristas
Créditos: photodeti / Istock

O Brasil registrou, no ano passado, 1.410 casos de feminicídio. Em média, uma mulher foi assassinada a cada 6 horas no País por ser mulher. Os números são do Monitor da Violência, do portal G1 e do Núcleo de Estudos da Violência da USP (NEV-USP), divulgados em 8 de março deste ano.

O número elevado de feminicídios é uma questão complexa e multifacetada que envolve fatores sociais, culturais, econômicos e estruturais. Não há uma única resposta que explique completamente essa realidade, mas podemos identificar algumas razões que contribuem para os altos índices de feminicídio:

  1. Desigualdade de gênero: A persistente desigualdade entre homens e mulheres, tanto em termos de direitos quanto de oportunidades, é um fator significativo. Em muitas sociedades, a visão tradicional de gênero atribui maior poder aos homens, o que pode levar a atitudes de dominação e controle sobre as mulheres.

  2. Cultura machista: Normas culturais arraigadas que perpetuam a ideia de que os homens têm autoridade sobre as mulheres e que a violência é uma forma aceitável de resolver conflitos são contribuintes para o feminicídio.

  3. Violência doméstica: Ambientes familiares marcados por abuso físico, emocional ou psicológico podem criar um ciclo de violência que, em alguns casos, culmina em feminicídio. A falta de acesso a redes de apoio e serviços de proteção também pode perpetuar esse ciclo.

  4. Impunidade: A impunidade e a falta de responsabilização adequada para os perpetradores de violência contra as mulheres podem encorajar a repetição desses atos. Quando os agressores não enfrentam consequências legais significativas, isso envia a mensagem de que tais comportamentos são tolerados.

  5. Acesso a armas: Em algumas regiões, o fácil acesso a armas de fogo pode aumentar a letalidade das agressões, resultando em casos mais frequentes de feminicídio.

  6. Pressão social: Expectativas culturais e sociais podem pressionar homens a exercerem controle sobre as mulheres, o que pode levar a comportamentos violentos quando essas expectativas não são atendidas.

  7. Baixa conscientização: Em algumas comunidades, a conscientização insuficiente sobre os direitos das mulheres e os recursos disponíveis para ajudá-las a sair de situações de abuso pode perpetuar a vulnerabilidade das vítimas.

  8. Falta de recursos e apoio: A ausência de recursos financeiros, suporte legal e estruturas de acolhimento pode dificultar para as mulheres a saída de relacionamentos abusivos.

  9. Fragmentação do sistema judicial: Falhas no sistema judicial em lidar adequadamente com casos de violência contra as mulheres, seja por falta de treinamento adequado para profissionais, seja pela perpetuação de estereótipos prejudiciais, podem contribuir para a impunidade.

  10. Falta de educação e conscientização: A falta de educação sobre igualdade de gênero e direitos das mulheres pode perpetuar atitudes e comportamentos prejudiciais, aumentando o risco de violência.

Combater o feminicídio exige abordagens amplas e abrangentes, que incluam a conscientização, educação, políticas de igualdade de gênero, apoio às vítimas, reformas no sistema judicial e mudanças culturais profundas. É uma tarefa coletiva que exige o envolvimento de governos, instituições, sociedade civil e indivíduos.

Com informações do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) e G1.


Você sabia que o Portal Juristas está no FacebookTwitterInstagramTelegramWhatsAppGoogle News e Linkedin? Siga-nos

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Ricardo Krusty
Ricardo Krusty
Comunicador social com formação em jornalismo e radialismo, pós-graduado em cinema pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Fachin anuncia projeto de lei para regulamentar remuneração de magistrados

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, anunciou que pretende concluir até o final de 2026 uma minuta de projeto de lei federal para regulamentar a remuneração dos magistrados. A proposta integra uma agenda mais ampla de defesa da integridade, transparência e controle dos gastos públicos. Fachin também apresentou ao CNJ medidas para prevenir conflitos de interesse na magistratura.

Gusttavo Lima é responsabilizado por transtornos causados por número em música

Gusttavo Lima foi condenado a pagar cerca de R$ 149 mil a um empresário que afirmou ter recebido milhares de mensagens e ligações após seu número de telefone ser mencionado na música “Bloqueado”. A Justiça entendeu que a divulgação da canção contribuiu para os transtornos sofridos pelo proprietário do número. A decisão ainda não transitou em julgado e o pagamento foi determinado provisoriamente.

Estudo aponta falhas estruturais no combate à violência contra a mulher no Brasil

Estudo da Rede Nacional de Controle Externo pela Proteção das Mulheres, com dados dos 27 tribunais de contas brasileiros, identificou falhas de orçamento, planejamento, equipes e integração entre órgãos responsáveis pelo enfrentamento à violência contra a mulher. Auditorias apontaram estruturas incompletas, baixa execução orçamentária e ausência de planos formais em diversos municípios.

Executivos do Goldman Sachs são alvo de investigação por suposta fraude societária

A Polícia Civil de São Paulo indiciou dois executivos do Goldman Sachs por suspeita de fraude e abuso na administração de sociedade por ações em investigação envolvendo a estrutura societária de fundos ligados à Oncoclínicas. A apuração busca esclarecer se informações sobre a participação da Centaurus Capital foram omitidas ou apresentadas de forma irregular para evitar uma oferta pública de aquisição de ações. O Goldman Sachs nega irregularidades, enquanto a CVM já havia concluído que a Centaurus não estava obrigada a realizar a OPA.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo