Itália aprova lei que define tortura como crime

Data:

Itália aprova lei que define tortura como crime
Créditos: Rommel Canlas / shutterstock.com

A Câmara dos Deputados da Itália aprovou nesta quarta-feira (5), de maneira definitiva, o controverso projeto de lei que introduz o crime de tortura na legislação do país. O texto recebeu 198 votos a favor e 35 contra, mas 104 parlamentares se abstiveram. Sua aprovação teve o apoio do Partido Democrático (PD), legenda de centro-esquerda do primeiro-ministro Paolo Gentiloni, e é uma resposta às pressões da Corte Europeia de Direitos Humanos para a Itália reconhecer a tortura como crime.

O projeto tramitava no Parlamento desde 2013 e sofreu diversas modificações desde então. A última versão do texto, cujo principal objetivo é proteger os cidadãos da violência policial e tutelar a população carcerária, prevê penas de quatro a 10 anos de prisão para quem, por meio de agressões, ameaças ou crueldade, provocar “sofrimentos físicos agudos” ou “trauma psíquico verificável” em pessoas privadas de liberdade ou sob custódia.

A pena máxima sobe para 12 anos de reclusão caso o autor do crime seja um agente público, como um policial. No entanto a lei é criticada tanto à direita, que a considera uma punição contra as forças de ordem, quanto à esquerda, que diz que o texto é “frágil” e “pouco incisivo”.

Para ser considerado “tortura”, o delito precisa conter “vários atos de violência ou ameaças” ou comportar “um tratamento desumano ou degradante”. O texto ainda diz que nenhuma pessoa pode ser “expulsa, recusada ou extraditada” a países onde haja – levando em conta a presença de sistemáticas violações dos direitos humanos – um “risco fundamentado” de ela ser submetida a tortura.

Para o sindicato dos policiais, o projeto é uma “vingança” pelos episódios ocorridos na cúpula do G8 em Gênova, em 2001, quando uma pessoa morreu e dezenas foram torturadas durante a repressão das forças de segurança a manifestantes.

No último mês de junho, a Itália foi condenada pela Corte Europeia de Direitos Humanos por conta dos conflitos no G8 da capital da Ligúria. “O projeto aprovado pelo Parlamento não é uma boa lei e foi escrito mais com a preocupação de excluir do que de incluir em seu texto todas as formas contemporâneas de tortura, mas é um passo à frente“, declarou o presidente da Anistia Internacional na Itália, Antonio Marchesi.

Fonte: Justificando.

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Ministros do STJ completam 13 anos de atuação com precedentes relevantes em diversas áreas do Direito

Moura Ribeiro, Regina Helena Costa e Rogerio Schietti Cruz completam 13 anos no STJ com atuação marcada por julgamentos relevantes e formação de precedentes. Os ministros se destacam, respectivamente, em matérias de Direito Privado, Direito Público e Direito Penal e Processual Penal.

Cobranças judiciais de dívidas privadas atingem recorde histórico no Brasil em 2025

As cobranças judiciais de dívidas privadas atingiram recorde histórico em 2025, com 1,23 milhão de novos processos de execução de títulos extrajudiciais não fiscais, alta de aproximadamente 60% em relação a 2020. O crescimento ocorre em meio ao aumento do endividamento das famílias e às dificuldades de renegociação extrajudicial. Especialistas apontam fatores como excesso de crédito, juros elevados e dificuldades financeiras de consumidores, empresas e produtores rurais como elementos que contribuem para o aumento da judicialização.

MC Pipokinha é condenada por expor adolescentes a conteúdo sexual durante show em MS

A Justiça de Mato Grosso do Sul condenou MC Pipokinha e outras quatro pessoas ao pagamento conjunto de R$ 162,1 mil por danos morais coletivos, após um show em Corumbá que, segundo o processo, expôs adolescentes a cenas de nudez parcial e simulações de atos sexuais. A cantora deverá pagar R$ 100 mil, enquanto os demais condenados deverão desembolsar R$ 15.525 cada. Os valores serão destinados ao Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. Cabe recurso.

Homem é condenado em Taiwan por usar robô aspirador para filmar esposa sem consentimento

Um homem em Taiwan foi condenado a cinco meses de prisão e multado após usar remotamente um robô aspirador com câmera para filmar a esposa em momentos íntimos com outro homem. Embora as imagens tenham sido utilizadas em uma ação civil sobre infidelidade, a Justiça considerou ilegal a gravação por violar o direito à privacidade da mulher, ressaltando que o casamento não elimina a proteção à intimidade.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo