Justiça do Trabalho mantém justa causa de empregado que vendia canetas emagrecedoras no local de trabalho

Data:

Justiça do Trabalho mantém justa causa de empregado que vendia canetas emagrecedoras no local de trabalho | JuristasA Justiça do Trabalho manteve a dispensa por justa causa de um empregado acusado de comercializar canetas emagrecedoras nas dependências do restaurante onde trabalhava. A decisão foi proferida pelo juiz do Trabalho Rodrigo Rocha Gomes de Loiola, do projeto Ajude 4.0, que considerou comprovada a prática de conduta incompatível com as obrigações do contrato de trabalho.

A demissão ocorreu após a empresa instaurar procedimento interno para apurar denúncias de que medicamentos sujeitos a controle estavam sendo negociados dentro do estabelecimento.

Durante a investigação, foram localizadas quatro ampolas no armário utilizado pelo empregado e outras duas na geladeira destinada aos funcionários. Conforme registrado na sindicância interna, o trabalhador admitiu ter comercializado os produtos.

Empregado contestou a justa causa

Na reclamação trabalhista, o empregado pediu a reversão da dispensa motivada, alegando que os medicamentos eram destinados ao próprio uso e que parte das ampolas seria apenas entregue a uma colega, sem finalidade comercial.

Também sustentou que teria sofrido dupla punição pelo mesmo fato, afirmando ter recebido uma advertência verbal antes da aplicação da justa causa.

Provas confirmaram a versão da empresa

Ao analisar o conjunto probatório, o magistrado concluiu que os elementos apresentados confirmaram a narrativa da empregadora.

A sentença destacou que o próprio trabalhador reconheceu ter recebido R$ 700 de uma colega pela entrega de duas ampolas do medicamento, circunstância considerada incompatível com a alegação de simples repasse sem intuito de venda.

O juiz também afastou a tese de dupla punição, esclarecendo que, antes da rescisão do contrato, houve apenas a apuração dos fatos por meio de procedimento interno, sem aplicação de penalidade disciplinar.

Conduta expôs empresa a riscos

Na decisão, o magistrado ressaltou que a gravidade da conduta ultrapassa a esfera da relação de emprego, pois envolve medicamentos sujeitos a controle sanitário armazenados nas dependências da empresa.

Segundo o entendimento adotado, o simples fato de manter os produtos no ambiente de trabalho, inclusive na geladeira utilizada pela empregadora, já expunha a empresa a riscos administrativos e sanitários, tornando desnecessária a aplicação de punições gradativas antes da dispensa por justa causa.

Outro aspecto considerado relevante foi a existência de versões contraditórias apresentadas pelo empregado sobre a destinação das demais unidades encontradas em seu poder, o que comprometeu a credibilidade de sua defesa.

Comunicação à Polícia Federal e à Anvisa

Além de manter a validade da justa causa, o juiz determinou a expedição de ofícios à Polícia Federal e à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para que sejam apuradas possíveis irregularidades relacionadas à origem, à entrada e à comercialização dos medicamentos mencionados no processo.

(Com informações do Migalhas)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Nunes Marques dá prazo para PGR se manifestar sobre revisão da condenação de Bolsonaro

Kassio Nunes Marques concedeu dez dias para que a PGR se manifeste sobre o pedido de revisão criminal apresentado pela defesa de Jair Bolsonaro, que busca reverter a condenação de 27 anos e três meses de prisão. O caso deverá ser encaminhado ao plenário do STF após a manifestação da Procuradoria.

Desembargador do TJ-MG publica fotos com arma em rede social

O desembargador Roberto Apolinário de Castro, do TJ-MG, publicou fotos com uma arma de fogo e afirmou possuir autorização para porte. Em nota, declarou que as imagens foram feitas em sua residência e que o armamento está legalizado. O CNJ informou que não havia procedimento sobre o caso até a publicação da reportagem.

MP-SP pede condenação de Renato Cariani por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro

O Ministério Público de São Paulo pediu a condenação de Renato Cariani e de outros dois investigados por suspeita de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A investigação aponta o desvio de cerca de 12 toneladas de produtos químicos e possível movimentação superior a R$ 6 milhões. O processo está na fase de alegações finais da defesa.

STF suspende julgamento sobre restrições à Buser após placar de 3 a 2

O STF suspendeu o julgamento sobre a lei mineira que restringe o transporte coletivo por fretamento utilizado por plataformas como a Buser. Antes do pedido de vista de Dias Toffoli, três ministros votaram pela manutenção das regras e dois pela inconstitucionalidade, em discussão que envolve competência legislativa, livre iniciativa e concorrência.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo