Justiça mantém demissão de professor por assédio sexual a alunas adolescentes

Data:

Assédio sexual pode ser caracterizado entre professor e aluno
Créditos: Andrey Popov | iStock

A 6ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) reformou decisão de primeira instância e confirmou a validade do ato administrativo que resultou na demissão de um professor da rede estadual de ensino por assédio sexual contra alunas adolescentes. Além da dispensa, foi mantida a proibição de nova contratação pelo Estado pelo prazo de cinco anos.

Após a exoneração, o professor ingressou com ação judicial contra o Estado. Em primeiro grau, a Justiça havia anulado o ato administrativo e condenado o ente público ao pagamento de R$ 30 mil por danos morais. Inconformadas, ambas as partes recorreram: o Estado pediu a nulidade da sentença, enquanto o professor pleiteou o aumento da indenização para R$ 50 mil, alegando ter sido injustamente rotulado como autor de crime sexual.

Entendimento do Tribunal

Relatora do caso, a desembargadora Sandra Fonseca deu provimento ao recurso do Estado para restabelecer a demissão e afastar qualquer indenização ao ex-servidor. Segundo a magistrada, o procedimento administrativo observou os princípios do contraditório e da ampla defesa, não havendo ilegalidade no ato de dispensa.

A relatora destacou que a conduta atribuída ao professor — manutenção de conversas de cunho sexual com alunas menores de idade — é incompatível com o exercício do magistério. Conforme os autos, antes da aplicação da penalidade, a direção escolar colheu depoimentos de dezenas de alunos e pais, além de prints de conversas em aplicativo de mensagens com conteúdo sexual explícito. O professor foi chamado para reunião, teve ciência das acusações e pôde apresentar sua defesa.

Parecer do Núcleo de Correição Administrativa concluiu que o servidor adotou postura incompatível com a função de educador. Diante da gravidade dos fatos e do vínculo precário mantido com o Estado, o Serviço de Inspeção decidiu pela dispensa e pela vedação de novas designações por cinco anos, contados da data da exoneração.

Embora tenha alegado ausência de devido processo legal, o professor teve pedidos de reconsideração rejeitados tanto pela escola quanto pela Superintendência da Secretaria de Ensino. Para a relatora, ele não conseguiu afastar as provas produzidas nem reconhecer a inadequação de sua conduta, limitando-se a sustentar que as conversas não configurariam crime.

Todos os recursos foram rejeitados, embora tenha sido admitido recurso às instâncias superiores.

O processo tramita em segredo de Justiça.

(Com informações do TJ-MG)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça do Rio nega prisão domiciliar humanitária ao ator José Dumont

A Justiça do Rio de Janeiro negou o pedido de prisão domiciliar humanitária formulado pela defesa do ator José Dumont, de 76 anos. Condenado a dez anos e quatro meses de reclusão pelos crimes de estupro de vulnerável e posse de pornografia infantil, ele permanece cumprindo pena em regime fechado.

STJ admite desvinculação de resultados desabonadores associados ao nome de pessoa

O STJ manteve decisão que determinou a desindexação de resultados considerados desabonadores associados exclusivamente ao nome de uma mulher. Para a Terceira Turma, a medida não representa aplicação do direito ao esquecimento, mas proteção à intimidade e aos dados pessoais. Os conteúdos permanecem disponíveis nos sites de origem e podem ser localizados por outras palavras-chave.

Clubes de futebol se posicionam contra possível proibição das bets

Clubes e federações de futebol se manifestam contra possível proibição dos cassinos on-line e defendem a manutenção do mercado regulado de apostas, com maior fiscalização e combate às plataformas ilegais.

Banco Central altera regras do Pix e amplia mecanismos de segurança

Banco Central aprova novas regras para o Pix, amplia o uso do Pix Automático, regulamenta a cobrança híbrida e reforça as obrigações das instituições financeiras na prevenção e no combate a fraudes.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo