Leis estaduais que criam obrigações para empresas de telefonia são questionadas no STF

Data:

stf
Créditos: Irina Vodneva | iStock

A Associação das Operadoras de Celulares (Acel) e a Associação Brasileira de Concessionárias de Serviço Telefônico Fixo Comutado (Abrafix) ajuizaram no STF cinco ADIs, com pedidos de liminar, questionando leis estaduais de Pernambuco, Amazonas, Ceará e Rio de Janeiro, que criam obrigações para prestadores de serviços de telefonia e internet.

Em todas as ações, as entidades apontaram inconstitucionalidade formal, já que é competência privativa da União legislar sobre telecomunicações. Para elas, não há espaço para atuação do legislador estadual, já que existe a Lei Federal 9.472/1997 (disciplinou a prestação dos serviços de telecomunicações) e resoluções da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Na fundamentação, as associações apontaram precedentes do próprio tribunal sobre a obediência do sistema nacional de telecomunicações ao ordenamento jurídico federal.

Na ADI 6086, que questiona dispositivos da Lei 16.559/2019 (Código Estadual de Defesa do Consumidor de Pernambuco), as associações apontam que ela ofende o princípio da livre iniciativa ao restringir indevidamente a liberdade de preços e de atuação.

Na ADI 6087, que contesta Lei estadual 4.644/2018, do Estado do Amazonas, as entidades apontam que regular normas de cobrança de consumidores inadimplentes e de oferta de produtos e serviços por telefone invade a competência exclusiva da União para legislar sobre o tema. Além disso, apontam violação aos princípios da isonomia e da livre iniciativa.

A ADI 6088 questiona a Lei 4.658/2018, do Estado do Amazonas, que obriga as empresas prestadoras de serviços e concessionárias de água, luz, telefone e internet a inserirem nas faturas de consumo uma mensagem de incentivo à doação de sangue.

A ADI 6089 foi ajuizada contra a Lei 16.734 do Estado do Ceará. Ela proíbe as operadoras de telefonia móvel de bloquearem o acesso à internet após o esgotamento da franquia de dados acordados contratualmente por seus usuários. As associações apontam que a Anatel permite a interrupção do serviço de internet após o esgotamento da franquia.

Já na ADI 6094, a Acel e a Abrafix impugnam a Lei 8.169/2018 do Estado do Rio de Janeiro. A norma obriga as empresas a disponibilizarem declaração de quitação anual de débitos em suas páginas na internet e por meio da central de atendimento ao consumidor, o que já é previsto na Lei Federal 12.007/2009. Porém, a lei estadual obriga, ainda, o envio da declaração ao consumidor em até 48 horas, se for solicitado na central de atendimento.

Para as entidades, não há espaço para que o legislador estadual imponha novas obrigações às empresas de telecomunicações. (Com informações do Supremo Tribunal Federal.)

Processos relacionados: ADI 6088, ADI 6089, ADI 6094, ADI 6086 e ADI 6087

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Juristas
Juristashttp://juristas.com.br
O Portal Juristas nasceu com o objetivo de integrar uma comunidade jurídica onde os internautas possam compartilhar suas informações, ideias e delegar cada vez mais seu aprendizado em nosso Portal.

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Ministros do STJ completam 13 anos de atuação com precedentes relevantes em diversas áreas do Direito

Moura Ribeiro, Regina Helena Costa e Rogerio Schietti Cruz completam 13 anos no STJ com atuação marcada por julgamentos relevantes e formação de precedentes. Os ministros se destacam, respectivamente, em matérias de Direito Privado, Direito Público e Direito Penal e Processual Penal.

Cobranças judiciais de dívidas privadas atingem recorde histórico no Brasil em 2025

As cobranças judiciais de dívidas privadas atingiram recorde histórico em 2025, com 1,23 milhão de novos processos de execução de títulos extrajudiciais não fiscais, alta de aproximadamente 60% em relação a 2020. O crescimento ocorre em meio ao aumento do endividamento das famílias e às dificuldades de renegociação extrajudicial. Especialistas apontam fatores como excesso de crédito, juros elevados e dificuldades financeiras de consumidores, empresas e produtores rurais como elementos que contribuem para o aumento da judicialização.

MC Pipokinha é condenada por expor adolescentes a conteúdo sexual durante show em MS

A Justiça de Mato Grosso do Sul condenou MC Pipokinha e outras quatro pessoas ao pagamento conjunto de R$ 162,1 mil por danos morais coletivos, após um show em Corumbá que, segundo o processo, expôs adolescentes a cenas de nudez parcial e simulações de atos sexuais. A cantora deverá pagar R$ 100 mil, enquanto os demais condenados deverão desembolsar R$ 15.525 cada. Os valores serão destinados ao Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. Cabe recurso.

Homem é condenado em Taiwan por usar robô aspirador para filmar esposa sem consentimento

Um homem em Taiwan foi condenado a cinco meses de prisão e multado após usar remotamente um robô aspirador com câmera para filmar a esposa em momentos íntimos com outro homem. Embora as imagens tenham sido utilizadas em uma ação civil sobre infidelidade, a Justiça considerou ilegal a gravação por violar o direito à privacidade da mulher, ressaltando que o casamento não elimina a proteção à intimidade.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo