Mãe e filho devem receber indenização e pensão vitalícia por negligência médica

Data:

plano de saúde
Créditos: sudok1 | iStock

O juízo da 2ª Vara da Fazenda Pública da comarca de Chapecó condenou o Estado de Santa Catarina e uma Associação Hospitalar ao pagamento de indenização por danos morais e pensão vitalícia a uma mãe e seu filho, vítimas de negligência médica e imperícia no atendimento prestado durante um parto cesáreo ocorrido em 2014.

De acordo com o Ministério Público, a mulher, grávida de 37 semanas na época, deu entrada no hospital em 15 de janeiro de 2014, com contrações. O médico de plantão a medicou para indução do parto em quantidade excessiva, apesar de não ser indicado, e não monitorou adequadamente sua condição.

Juiz condena AMIL por negar cobertura a parto de emergência
Créditos: PHDG / Shutterstock.com

O laudo pericial confirmou a falta de monitoramento adequado da mãe e do bebê, resultando em cerca de três horas de negligência médica. Isso levou a complicações, incluindo hipertonia uterina na mãe, que necessitou de uma cesárea de emergência.

No entanto, conforme os auto do processo (0300095-35.2015.8.24.0018), a cesárea foi atrasada em quase 1h30min devido à falta de leito no centro cirúrgico e de obstetra disponível. O bebê nasceu com parada cardiorrespiratória e precisou de reanimação. Ele ficou mais de 60 dias na UTI neonatal e passou por duas cirurgias nesse período.

Taxa de disponibilidade em parto de conveniada a plano de saúde é ilegal
Créditos: Fakhrul Najmi / Shutterstock.com

O erro médico resultou em paralisia cerebral no menino, causando danos neuropsicomotores permanentes, que “desencadearam atraso no desenvolvimento psicomotor, transtorno do espectro autista, distúrbio de deglutição, secundário à sequela de anóxia neonatal, convulsões e asma” pelos quais “necessita de respirador oral, fraldas, acompanhamento especializado na APAE, com fisioterapia e fonoaudiologia, além de pneumologista, psicóloga e terapia ocupacional”.

A mãe também desenvolveu depressão pós-parto e, mesmo após sua recuperação, continuou sem a possibilidade de trabalhar, já que, devido à gravidade das sequelas, seu filho necessita de auxílio integral.

Plano de saúde Unimed deve custear cirurgia fetal corretiva a gestante
Créditos: Andrey_Popov / Shutterstock.com

A decisão do juízo da 2ª Vara da Fazenda Pública reconheceu a negligência e imperícia médica no caso e determinou que o Estado de Santa Catarina e a Associação Hospitalar pagassem uma indenização por danos morais à mãe e à criança (R$100 mil ao menor e R$ 60 mil à mãe), além de uma pensão vitalícia no valor de um salário mínimo para cada um, além de terem que disponibilizar, na rede pública, ou custear na rede privada, os tratamentos de saúde que o menino venha a necessitar por conta das condições de saúde causadas pela anóxia neonatal.

Com informações do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC).


Você sabia que o Portal Juristas está no FacebookTwitterInstagramTelegramWhatsAppGoogle News e Linkedin? Siga-nos

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Ricardo Krusty
Ricardo Krusty
Comunicador social com formação em jornalismo e radialismo, pós-graduado em cinema pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Fachin anuncia projeto de lei para regulamentar remuneração de magistrados

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, anunciou que pretende concluir até o final de 2026 uma minuta de projeto de lei federal para regulamentar a remuneração dos magistrados. A proposta integra uma agenda mais ampla de defesa da integridade, transparência e controle dos gastos públicos. Fachin também apresentou ao CNJ medidas para prevenir conflitos de interesse na magistratura.

Gusttavo Lima é responsabilizado por transtornos causados por número em música

Gusttavo Lima foi condenado a pagar cerca de R$ 149 mil a um empresário que afirmou ter recebido milhares de mensagens e ligações após seu número de telefone ser mencionado na música “Bloqueado”. A Justiça entendeu que a divulgação da canção contribuiu para os transtornos sofridos pelo proprietário do número. A decisão ainda não transitou em julgado e o pagamento foi determinado provisoriamente.

Estudo aponta falhas estruturais no combate à violência contra a mulher no Brasil

Estudo da Rede Nacional de Controle Externo pela Proteção das Mulheres, com dados dos 27 tribunais de contas brasileiros, identificou falhas de orçamento, planejamento, equipes e integração entre órgãos responsáveis pelo enfrentamento à violência contra a mulher. Auditorias apontaram estruturas incompletas, baixa execução orçamentária e ausência de planos formais em diversos municípios.

Executivos do Goldman Sachs são alvo de investigação por suposta fraude societária

A Polícia Civil de São Paulo indiciou dois executivos do Goldman Sachs por suspeita de fraude e abuso na administração de sociedade por ações em investigação envolvendo a estrutura societária de fundos ligados à Oncoclínicas. A apuração busca esclarecer se informações sobre a participação da Centaurus Capital foram omitidas ou apresentadas de forma irregular para evitar uma oferta pública de aquisição de ações. O Goldman Sachs nega irregularidades, enquanto a CVM já havia concluído que a Centaurus não estava obrigada a realizar a OPA.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo