Pesquisa indica desempenho da inteligência artificial em raciocínio jurídico superior ao de docentes

Data:

empregos
Créditos: Nespix | iStock

Professores de Direito preferiram, de forma majoritária, respostas elaboradas por inteligência artificial em comparação com respostas escritas por outros docentes, segundo estudo recente da Faculdade de Direito de Stanford. A pesquisa sugere que a tecnologia já é capaz de desempenhar raciocínio jurídico em nível elevado e pode se tornar uma ferramenta relevante no ensino jurídico.

O levantamento foi conduzido por professores de 14 faculdades de Direito dos Estados Unidos, que elaboraram 40 questões típicas de contratos do primeiro ano do curso, frequentemente discutidas em atendimentos acadêmicos. As perguntas foram respondidas tanto pelos próprios docentes quanto por sistemas de IA, incluindo o Gemini 2.5 Pro, do Google, e o NotebookLM.

Em uma avaliação cega, os mesmos professores compararam as respostas e, em 75% dos casos, consideraram as soluções produzidas pela inteligência artificial mais úteis para os estudantes. Segundo os pesquisadores, o desempenho das plataformas de IA foi equivalente ao dos docentes com melhor avaliação no estudo.

O pesquisador principal, o professor de Direito de Stanford Julian Nyarko, afirmou que os resultados surpreenderam pela magnitude. “Essas não eram apenas perguntas simples com respostas óbvias”, destacou em artigo publicado pela instituição.

O estudo envolveu ainda o pesquisador Alejandro Salinas, que ressaltou que menos de 4% das respostas geradas por IA foram consideradas prejudiciais ao aprendizado, percentual inferior ao observado nas respostas produzidas por professores, que chegou a 12%.

Os resultados surgem em um contexto de debate crescente nas faculdades de Direito e na prática jurídica sobre o uso da inteligência artificial. Pesquisas anteriores já indicavam que sistemas de IA são capazes de passar em exames de ordem, obter altas notas em avaliações acadêmicas e auxiliar na correção de provas jurídicas.

No cenário atual, instituições norte-americanas adotam abordagens distintas: algumas passaram a incluir o ensino de IA já no primeiro ano do curso, enquanto outras, como a Faculdade de Direito de Berkeley, impuseram restrições ao uso da tecnologia em atividades acadêmicas.

Para os autores do estudo, os achados indicam que a inteligência artificial pode funcionar como ferramenta de tutoria sob demanda, ampliando o acesso dos estudantes a respostas jurídicas qualificadas e complementando o ensino tradicional em sala de aula.

(Com informações da Forbes)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Anac endurece punições para passageiros indisciplinados em voos domésticos

A Anac passou a adotar regras mais rigorosas para combater a indisciplina no transporte aéreo. As punições variam conforme a gravidade da conduta e podem incluir orientação, multa de até R$ 17,5 mil e suspensão do direito de voar por até 12 meses. As companhias aéreas também poderão ser multadas em R$ 70 mil caso deixem de cumprir uma suspensão obrigatória.

Executivos de tecnologia defendem cautela no avanço da inteligência artificial

Executivos de grandes empresas de tecnologia passaram a defender maior cautela no desenvolvimento de sistemas avançados de inteligência artificial, diante de preocupações sobre segurança, autonomia e possível perda de controle sobre essas tecnologias. O debate envolve interesses econômicos, competição internacional e a necessidade de regulamentação, enquanto Estados Unidos, China e União Europeia discutem diferentes formas de lidar com os riscos e oportunidades associados à expansão da IA.

STF analisa lei de SP que exige castração de cães e gatos para comercialização

O ministro Flávio Dino, do STF, votou contra a obrigatoriedade generalizada de castração de cães e gatos como requisito para criação e comercialização no Estado de São Paulo. O relator da ADI 7.704 também propôs reduzir de 120 para 60 dias a idade mínima para entrega dos filhotes e estabelecer que a vacinação exigida seja aquela indicada para a idade do animal, com continuidade do protocolo pelo novo tutor. Para Dino, as regras devem considerar critérios veterinários individualizados e respeitar o bem-estar animal.

Justiça condena pai a indenizar filha por abandono afetivo na infância

A Justiça de Manaus condenou um homem a pagar R$ 50 mil por danos morais à filha, em razão do abandono afetivo e da ausência de assistência durante a infância. A decisão também autorizou a retirada do sobrenome paterno do registro civil, mas manteve o vínculo de filiação biológica e rejeitou o pedido de desconstituição da paternidade.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo