Quinta Turma anula decisão do TJPR que impediu um deputado de nomear advogado para defendê-lo

Data:

advogado
Créditos: utah778 | iStock

A decisão do TJPR que impediu um deputado federal de nomear um advogado para defendê-lo em julgamento que confirmou sua condenação por denunciação caluniosa foi anulada pela 5ª Turma do STJ. O tribunal estadual deverá julgar novamente a apelação, permitindo a prévia habilitação do advogado que o deputado escolheu.

Narram os autos que, antes do julgamento da apelação, o advogado do réu renunciou à causa, e um defensor dativo foi nomeado. No entanto, o deputado pediu a nomeação de novo defensor, já que não conseguia se comunicar com o primeiro, mas o pedido foi negado. Assim, constituiu um advogado por conta própria, que requereu vista do processo por 15 dias e pediu que o caso fosse incluído em pauta para julgamento só depois de 5 de outubro de 2018.

Apesar da alegação do advogado, de que se submeteria a uma cirurgia no joelho, o desembargador negou o pedido por entender que tinha intuito protelatório e que havia nos autos defensor nomeado capaz de acompanhar o julgamento.

O deputado foi condenado por denunciação caluniosa a 2 anos e 6 meses de reclusão em regime semiaberto, substituída por duas penas restritivas de direito. Ele impetrou habeas corpus no STJ alegando que seu direito de ampla defesa foi cerceado.

O relator do HC, ministro Reynaldo Soares da Fonseca, entendeu que o pedido do advogado tinha, sim, intuito protelatório, para que o deputado se elegesse antes de sua condenação ser confirmada por órgão judicial colegiado. No entanto, afirmou que a situação justifica a concessão do habeas corpus.

Para o ministro, “A estratégia procrastinatória visada pelo paciente foi informada ao desembargador pelo próprio defensor dativo, o que denota, em um primeiro momento, a quebra do sigilo profissional que deve permear a relação entre advogado e cliente”. Ele pontuou que a situação demonstra a impossibilidade de o deputado ser defendido pelo defensor nomeado diante da ausência de confiança na relação.

Fonseca ainda destacou jurisprudência da própria corte que considera o julgamento nulo em hipóteses que atentam contra o direito inafastável do réu de escolher um defensor. Ele ainda lembrou que o relator do tribunal poderia ter habilitado o advogado e, na mesma ocasião, indeferido o pedido de adiamento, “assegurando, assim, o direito do acusado, ao tempo em que evitava eventual abuso do direito de defesa”.

Processo: HC 488364

(Com informações do Superior Tribunal de Justiça)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Juristas
Juristashttp://juristas.com.br
O Portal Juristas nasceu com o objetivo de integrar uma comunidade jurídica onde os internautas possam compartilhar suas informações, ideias e delegar cada vez mais seu aprendizado em nosso Portal.

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

New Balance processa Decathlon nos EUA por suposta violação de marca em logotipo da Kiprun

A New Balance processou a Decathlon nos Estados Unidos, alegando que o logotipo utilizado pela marca esportiva Kiprun apresenta semelhança com seu tradicional símbolo em formato de “N”. A fabricante pede a retirada dos produtos do mercado, a destruição dos itens com o símbolo e indenização. A Decathlon contesta a acusação e afirma que o desenho representa a letra “K”. O processo tramita no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito de Massachusetts.

IA amplia preocupação com empregos e já afeta a entrada de jovens no mercado de trabalho

Pesquisas recentes indicam que a inteligência artificial já produz efeitos perceptíveis sobre o mercado de trabalho, especialmente nas oportunidades destinadas a profissionais jovens em ocupações mais expostas à automação. Estudos também apontam crescimento do uso de IA generativa nas empresas, inclusive sem conhecimento dos empregadores, levantando questões relacionadas à governança, segurança da informação, proteção de dados e relações trabalhistas. Os pesquisadores ressaltam, contudo, que os dados disponíveis ainda não comprovam uma substituição generalizada de trabalhadores pela tecnologia.

Nelson Wilians transferiu R$ 6,6 milhões para empresa de herdeiro da Casas Bahia, aponta Coaf

Relatório do Coaf que embasou a Operação Distrato registra 15 transferências realizadas por Nelson Wilians, entre setembro de 2024 e setembro de 2025, totalizando R$ 6,6 milhões destinados à Icon Properties, empresa ligada a Michael Klein. A movimentação é mencionada no contexto de investigação do Ministério Público de São Paulo sobre supostas fraudes envolvendo créditos de ICMS. Wilians afirma que as operações são lícitas e não têm relação com os fatos investigados. Michael Klein não se manifestou, enquanto a Casas Bahia informou ter criado um comitê independente para apurar o caso.

Candidata recorre à Justiça após desclassificação de concurso por uso de medicamento hormonal

Candidata ao concurso da Polícia Penal de Minas Gerais foi considerada inapta na avaliação médica após apresentar documentação indicando histórico de câncer de mama e uso contínuo de tamoxifeno. Ela afirma que exames recentes não apontam atividade da doença e questiona judicialmente a desclassificação, invocando o entendimento do STF no Tema 1.015. Os pedidos de liminar e o recurso apresentado pela candidata foram negados, enquanto o processo principal continua em tramitação.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo