Recuperação judicial exige equilíbrio para preservar empresas e credores, diz Marcello Perino

Data:

Recuperação judicial
Imagem meramente ilustrativa – Créditos: juststock / iStock

A recuperação judicial segue como um dos principais instrumentos para empresas brasileiras em crise, mas sua aplicação exige rigor técnico, transparência e equilíbrio entre a preservação da atividade econômica e a proteção dos credores, avalia o advogado Marcello do Amaral Perino.

Marcello Perino foi Juiz Substituto em Segundo Grau do Tribunal de Justiça de São Paulo e titular da 1ª Vara Regional de Competência Empresarial e de Conflitos de Arbitragem, Recuperação Extrajudicial e Judicial e Falências do TJSP. Hoje, atua na advocacia empresarial em processos de recuperação judicial, falências e crédito empresarial.

Segundo ele, o instituto, criado pela Lei nº 11.101/2005, representou avanço ao substituir a antiga concordata por um modelo voltado à preservação de empresas viáveis, empregos, arrecadação e circulação de riquezas. No entanto, o aumento dos pedidos nos últimos anos também trouxe a necessidade de maior atenção à viabilidade econômica dos planos apresentados.

“A recuperação judicial é uma ferramenta essencial para empresas viáveis. O desafio é assegurar que ela seja usada com técnica, transparência e equilíbrio, para que cumpra sua finalidade maior: permitir a superação da crise sem perder de vista os direitos dos credores e a preservação da atividade econômica”, afirmou Marcello Perino.

Para o advogado, a preservação da empresa não deve ser interpretada como autorização para impor sacrifícios ilimitados aos credores. Da mesma forma, a defesa do crédito não pode inviabilizar negócios que ainda tenham capacidade real de reorganização.

Marcello Perino avalia que planos com deságios elevados, prazos muito longos ou baixa atualização monetária podem reduzir de forma significativa o valor dos créditos, especialmente para pequenos e médios fornecedores. Por isso, defende análise mais rigorosa da viabilidade econômica da empresa e atuação técnica do administrador judicial.

Na avaliação de Marcello Perino, a efetividade da recuperação judicial depende da confiança entre devedores, credores, investidores e o próprio Judiciário. Quando bem conduzido, o processo preserva empresas viáveis, mantém empregos, reduz perdas econômicas e amplia as chances de pagamento aos credores. “Quando mal estruturada, a recuperação judicial tende a acirrar conflitos, deteriorar ativos e comprometer a segurança jurídica”, conclui o advogado Marcello Perino.

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Governo cria regras para combater cambismo digital e ampliar proteção de consumidores em eventos

O governo federal regulamentou a venda, a revenda e a transferência de ingressos pela internet com medidas destinadas a combater o cambismo digital, ampliar a transparência e proteger direitos dos consumidores. A regulamentação estabelece regras para filas, meia-entrada, taxas, revenda, transferência e reembolso. Outro decreto determina a disponibilização gratuita de água potável em eventos culturais, com regras específicas para eventos com mais de mil pessoas.

Tribunal do Júri condena corintiano por matar esposa palmeirense após discussão

O Tribunal do Júri condenou o empresário Leonardo Souza Ceschini a 13 anos e 24 dias de prisão, em regime fechado, pela morte da esposa, Érica Fernandes Alves Ceschini, ocorrida em 2021. A vítima foi atingida por oito golpes de faca após uma discussão relacionada à rivalidade entre Corinthians e Palmeiras. Os jurados reconheceram o feminicídio, o emprego de meio cruel e o aumento de pena pelo fato de o crime ter ocorrido na presença dos filhos do casal. A defesa informou que pretende recorrer da decisão.

Júri condena homem acusado de orquestrar assassinato do rapper Tupac Shakur

Resumo: Duane “Keffe D” Davis, de 63 anos, foi considerado culpado por um júri de Las Vegas por participação no assassinato do rapper Tupac Shakur, ocorrido em 1996. A acusação sustentou que Davis organizou a ação e estava no veículo de onde partiram os disparos, enquanto a defesa questionou a existência de provas independentes. Davis poderá ser condenado à prisão perpétua, e o caso ainda poderá ser objeto de recursos

CNJ avalia tornar obrigatório resumo estruturado em petições e recursos em todo o país

O CNJ avalia criar uma regra nacional para exigir resumos estruturados em petições iniciais e recursos, contendo informações como fatos, pedidos, decisões questionadas e fundamentos legais. A proposta busca uniformizar procedimentos e facilitar a utilização de ferramentas de inteligência artificial no Judiciário, mas também levanta discussões sobre formalismo processual, direito de acesso à Justiça e a necessidade de supervisão humana no uso da tecnologia.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo