Relator quer retirar lista de IA de alto risco e ampliar poder de agências reguladoras

Data:

Relator quer retirar lista de IA de alto risco e ampliar poder de agências reguladoras | Juristas

O relator do projeto de lei que regulamenta a inteligência artificial no Brasil, deputado Aguinaldo Ribeiro, afirmou que pretende retirar do texto a lista específica de sistemas de IA enquadrados em categorias de risco. A proposta está em análise em comissão especial da Câmara dos Deputados após ter sido aprovada pelo Senado Federal em dezembro de 2024.

Pela nova proposta do relator, caberá ao modelo de governança definir quais tecnologias deverão ser consideradas de alto risco e, consequentemente, submetidas a regras mais rígidas. O texto também prevê mudanças na estrutura regulatória: em vez de concentrar as decisões na Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), as definições passariam a envolver tanto um órgão central quanto agências reguladoras setoriais.

Segundo Ribeiro, as agências específicas de cada setor seriam responsáveis por avaliar os riscos das tecnologias conforme a evolução do mercado e da inovação. Como exemplo, ele citou os veículos autônomos, atualmente classificados como sistemas de alto risco no texto aprovado pelo Senado.

De acordo com o parlamentar, o avanço tecnológico exige flexibilidade regulatória. Ele argumenta que determinadas ferramentas podem representar risco elevado em um primeiro momento, mas deixar de oferecer o mesmo grau de ameaça após testes, controles e evolução técnica.

O projeto aprovado pelo Senado enquadra como sistemas de alto risco ferramentas de IA utilizadas para recrutamento de trabalhadores, avaliação de acesso a serviços públicos essenciais, apoio a diagnósticos médicos e decisões relacionadas ao ingresso de migrantes no país. O texto também prevê a categoria de risco excessivo, proibindo tecnologias como armas autônomas controladas por inteligência artificial.

A proposta do relator, no entanto, recebeu críticas de especialistas. Para André Fernandes, diretor do Instituto de Pesquisa em Direito e Tecnologia do Recife (IP.rec), a retirada da lista representa um enfraquecimento do núcleo central da regulamentação. Segundo ele, a definição clara e estável dos sistemas de risco é fundamental para garantir segurança jurídica e incentivar o desenvolvimento responsável da inteligência artificial.

A tramitação do projeto na Câmara vem enfrentando sucessivos adiamentos desde o início de 2025. O relatório já teve a apresentação postergada ao menos duas vezes em meio a negociações políticas e pressões de empresas de tecnologia.

Nesta quinta-feira (28), o presidente da Câmara, Hugo Motta, afirmou durante o Brasília Tech Summit que a regulamentação da inteligência artificial é prioridade da atual gestão. Segundo ele, um novo relatório deverá ser apresentado na comissão especial em 9 de junho.

Outro ponto ainda sem consenso é a remuneração pelo uso de obras protegidas por direitos autorais no treinamento de modelos de IA. O tema já gerou forte debate no Senado, especialmente entre representantes do setor artístico e empresas de tecnologia.

Ribeiro afirmou que ainda busca uma solução equilibrada para o tema e pretende dialogar com o governo, artistas e empresas do setor para construir um consenso que preserve os direitos autorais sem comprometer o desenvolvimento tecnológico.

O relator também destacou a necessidade de articulação política para garantir que o texto aprovado pela Câmara avance posteriormente no Senado, evitando entraves semelhantes aos enfrentados por outras propostas ligadas ao setor de tecnologia.

(Com informações da Folha de São Paulo por Laura Scofield)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça dos EUA suspende fusão bilionária entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação antitruste

A Justiça dos Estados Unidos suspendeu a fusão de aproximadamente US$ 110 bilhões entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação movida por 12 estados, liderados pela Califórnia. Os autores sustentam que a operação viola a legislação antitruste e poderá reduzir significativamente a concorrência nos mercados de cinema, televisão e entretenimento. O caso ainda será analisado pela Justiça, enquanto a transação também aguarda aprovação de reguladores internacionais.

Eduardo Bolsonaro obtém green card nos EUA após condenação pelo STF

Eduardo Bolsonaro recebeu o green card dos Estados Unidos, documento que lhe garante residência permanente no país. A concessão ocorre após sua condenação pelo STF a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. O documento amplia sua estabilidade migratória nos EUA, embora não lhe confira direitos políticos, como o voto nas eleições norte-americanas.

Justiça mantém justa causa de trabalhadora que gravou vídeos no TikTok com uniforme e críticas à empresa

A Justiça do Trabalho manteve a demissão por justa causa de uma trabalhadora que gravou vídeos para o TikTok nas dependências da empresa, utilizando uniforme com identificação da empregadora e divulgando informações consideradas falsas sobre o ambiente de trabalho. A decisão concluiu que a conduta violou normas internas, comprometeu a imagem da empresa e configurou mau procedimento, indisciplina e ato lesivo à honra do empregador, nos termos da CLT.

Copa do Mundo impulsiona apostas esportivas, mas setor enfrenta pressão por regras mais rígidas sobre publicidade

A Copa do Mundo impulsionou o mercado brasileiro de apostas esportivas, registrando aumento expressivo no número de apostas e no volume de transações. Apesar do crescimento, o setor não atingiu as projeções esperadas e passou a enfrentar maior pressão por regras mais rígidas para a publicidade das bets. O governo federal reforçou normas sobre propaganda, enquanto órgãos públicos e entidades civis discutem novas medidas para ampliar a proteção dos consumidores.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo