Seguro em folha, mesmo para atendente de Samu, só com a anuência do servidor

Data:

Um município do sul do Estado terá de ressarcir, devidamente corrigidos, valores descontados por três anos de uma ex-funcionária a título de seguro de vida em grupo. Ela foi contratada em caráter temporário para atuar na função de técnica em enfermagem do Sistema de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

A decisão foi da 1ª Câmara de Direito Público do TJ, em apelação sob a relatoria do desembargador Luiz Fernando Boller. O pleito fora julgado improcedente em primeiro grau, com a condenação da ex-funcionária ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios. Naquela oportunidade, a prefeitura sustentou que efetuava os descontos com total anuência da contratada.

O desembargador Boller, entretanto, além de constatar a inexistência de provas capazes de comprovar tal aquiescência, valeu-se de depoimentos colhidos nos autos para firmar seu juízo. As testemunhas disseram que a inclusão em seguro de vida em grupo era imposição do município, firmada no momento da assinatura do contrato de trabalho sob a justificativa de se tratar de uma atividade de bastante risco.

“Diante da inexistência de comprovação da anuência da servidora em aderir ao plano de seguro de vida em grupo, o município deverá ressarcir os valores descontados a esse título durante os mais de três anos, desde o início do contrato de trabalho, porquanto ilegais”, registrou o desembargador em seu voto, seguido de forma unânime pelos demais integrantes daquele órgão julgador (Apelação Cível n. 0006654-17.2011.8.24.0020 – Acórdão).

Responsável: Ângelo Medeiros – Reg. Prof.: SC00445(JP)
Textos: Américo Wisbeck, Ângelo Medeiros, Daniela Pacheco Costa e Sandra de Araújo
Fonte: Tribunal de Justiça de Santa Catarina

Ementa:

APELAÇÃO. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. IMPROCEDÊNCIA. FUNCIONÁRIA CONTRATADA EM CARÁTER TEMPORÁRIO POR MUNICÍPIO, PARA EXERCER A FUNÇÃO DE TÉCNICA EM ENFERMAGEM NO SAMU-SERVIÇO DE ATENDIMENTO MÓVEL DE URGÊNCIA. INSURGÊNCIA DA AUTORA. IRRESIGNAÇÃO QUANTO AO DESCONTO DE SEGURO DE VIDA EM GRUPO EM SEUS PROVENTOS. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA ANUÊNCIA DA DEMANDANTE. TESE ACOLHIDA. ÔNUS QUE INCUMBIA AO MUNICÍPIO. ART. 333, INC. II, DA LEI Nº 5.869/73. RESTITUIÇÃO DEVIDA. SENTENÇA REFORMADA. “O ente público só pode descontar em folha valores a título de seguro de vida, com a anuência do servidor. Não apresentando a autorização expressa nos autos, reconhece-se os abatimentos como impróprios, tendo em vista a regra processual inserta no art. 333, inc. II, CPC”. (Apelação Cível nº 2003.000763-6, de Xaxim, rel. Des. Volnei Carlin, j. 05/05/2005). RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. (TJSC, Apelação n. 0006654-17.2011.8.24.0020, de Criciúma, rel. Des. Luiz Fernando Boller, j. 20-09-2016).

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Wilson Roberto
Wilson Robertohttp://www.wilsonroberto.com.br
Empreendedor Jurídico, bacharel em Administração de Empresas pela Universidade Federal da Paraíba, MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas, professor, palestrante, empresário, Bacharel em Direito pelo Unipê, especialista e mestre em Direito Internacional pela Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa. Foi doutorando em Direito Empresarial pela mesma Universidade. Autor de livros e artigos.

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Defesa de Daniel Vorcaro aponta alterações em arquivos de celular apreendido pela Polícia Federal

A defesa de Daniel Vorcaro apresentou ao STF um laudo particular que identificou alterações em 657 arquivos e a criação de outros 436 no celular do empresário enquanto o aparelho estava sob custódia da Polícia Federal. O documento questiona procedimentos de preservação e extração de provas digitais e fundamenta o pedido de acesso aos dados originais do dispositivo.

Justiça nega pedido de Willer Tomaz para obrigar Richarlison a apagar publicações sobre ilha

A Justiça de Brasília negou pedido de Willer Tomaz e da empresa WT Administração de Imóveis e Bens para obrigar Richarlison a apagar publicações sobre a disputa por uma ilha em Angra dos Reis. O processo continua em andamento.

Maior corretora de criptomoedas do mundo sofre invasão e perde bilhões

A Binance sofreu um ataque hacker que resultou no desvio estimado de US$ 6,3 bilhões em criptomoedas. A corretora suspendeu temporariamente os saques, afirmou que os recursos dos clientes estão protegidos e prometeu cobrir os prejuízos. Empresas do setor conseguiram bloquear parte dos ativos, enquanto as investigações sobre a autoria do ataque continuam.

Presidente do TRF-1 decide em processo envolvendo empresa representada pela própria filha

A presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região...

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo