STF retoma julgamento sobre responsabilidade do Estado por perda de visão de fotojornalista em protesto

Data:

Fotógrafo vítima de contrafação será indenizado por empresa turística
Créditos: dusanpetkovic | iStock

A 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal retomará, na próxima terça-feira (28), o julgamento que discute a responsabilidade do Estado de São Paulo pela perda de visão do fotojornalista Sérgio Silva, atingido por bala de borracha durante a cobertura de uma manifestação em 2013, na capital paulista.

O caso envolve a análise do dever de indenizar o profissional, que perdeu a visão do olho esquerdo após ser atingido durante protestos contra o aumento da tarifa do transporte público. As lesões resultaram na atrofia do globo ocular.

Além da responsabilidade estatal, o colegiado também examina a possibilidade de fixação de pensão mensal vitalícia, em valor a ser definido, e o pagamento de indenização por danos morais no montante de R$ 100 mil.

O julgamento foi transferido do plenário virtual para o presencial após pedido de destaque do relator, ministro Alexandre de Moraes, que havia votado contra o reconhecimento da responsabilidade do Estado. Com isso, a análise foi reiniciada, desconsiderando os votos anteriormente proferidos.

Na fase virtual, os ministros Flávio Dino e Cristiano Zanin haviam se posicionado favoravelmente à indenização. Já a ministra Cármen Lúcia havia pedido vista e deverá apresentar seu voto na retomada do julgamento.

A controvérsia jurídica centra-se na comprovação do nexo de causalidade entre a atuação policial e o dano sofrido, requisito essencial para a responsabilização civil do Estado, conforme o artigo 37, §6º, da Constituição Federal.

Nas instâncias anteriores, a Justiça de São Paulo afastou o dever de indenizar sob o argumento de que não foi possível comprovar que o disparo partiu de agente estatal, classificando o objeto que atingiu o jornalista como “não identificado”.

No STF, a defesa sustenta que há elementos suficientes para caracterizar a responsabilidade estatal, argumentando que o disparo foi realizado por policial militar durante a repressão ao protesto. Também defende que cabe ao Estado comprovar eventual culpa exclusiva da vítima ou a ruptura do nexo causal.

Durante o julgamento virtual, o ministro Flávio Dino votou pelo reconhecimento da responsabilidade do Estado com base na teoria do risco administrativo, entendendo que a existência de “boa probabilidade” de que o disparo tenha partido de agente público é suficiente para caracterizar o nexo causal. Para ele, exigir prova absoluta da origem do disparo em contexto de tumulto equivaleria a impor ônus excessivo à vítima.

O caso dialoga com precedentes da Corte sobre responsabilidade civil do Estado em operações de segurança pública, especialmente em situações envolvendo a atuação de jornalistas durante a cobertura de manifestações.

(Com informações do Migalhas)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Ministros do STJ completam 13 anos de atuação com precedentes relevantes em diversas áreas do Direito

Moura Ribeiro, Regina Helena Costa e Rogerio Schietti Cruz completam 13 anos no STJ com atuação marcada por julgamentos relevantes e formação de precedentes. Os ministros se destacam, respectivamente, em matérias de Direito Privado, Direito Público e Direito Penal e Processual Penal.

Cobranças judiciais de dívidas privadas atingem recorde histórico no Brasil em 2025

As cobranças judiciais de dívidas privadas atingiram recorde histórico em 2025, com 1,23 milhão de novos processos de execução de títulos extrajudiciais não fiscais, alta de aproximadamente 60% em relação a 2020. O crescimento ocorre em meio ao aumento do endividamento das famílias e às dificuldades de renegociação extrajudicial. Especialistas apontam fatores como excesso de crédito, juros elevados e dificuldades financeiras de consumidores, empresas e produtores rurais como elementos que contribuem para o aumento da judicialização.

MC Pipokinha é condenada por expor adolescentes a conteúdo sexual durante show em MS

A Justiça de Mato Grosso do Sul condenou MC Pipokinha e outras quatro pessoas ao pagamento conjunto de R$ 162,1 mil por danos morais coletivos, após um show em Corumbá que, segundo o processo, expôs adolescentes a cenas de nudez parcial e simulações de atos sexuais. A cantora deverá pagar R$ 100 mil, enquanto os demais condenados deverão desembolsar R$ 15.525 cada. Os valores serão destinados ao Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. Cabe recurso.

Homem é condenado em Taiwan por usar robô aspirador para filmar esposa sem consentimento

Um homem em Taiwan foi condenado a cinco meses de prisão e multado após usar remotamente um robô aspirador com câmera para filmar a esposa em momentos íntimos com outro homem. Embora as imagens tenham sido utilizadas em uma ação civil sobre infidelidade, a Justiça considerou ilegal a gravação por violar o direito à privacidade da mulher, ressaltando que o casamento não elimina a proteção à intimidade.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo