STJ afasta contribuição previdenciária sobre previdência privada exclusiva de dirigentes

Data:

Banco indenizará casal por fraude em previdência privada
Créditos: Martin Fredy | iStock

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que não incide contribuição previdenciária sobre valores pagos por empresas a planos de previdência privada, mesmo quando o benefício é restrito a dirigentes. A decisão foi unânime pela Segunda Turma, que negou provimento a recurso da Fazenda Nacional.

Origem do caso

A controvérsia surgiu a partir de ação anulatória movida pela Companhia Energética de Pernambuco (Neoenergia Pernambuco), que questionava a cobrança de contribuições sobre pagamentos feitos a um plano de previdência complementar aberta, contratado junto à Brasilprev e destinado exclusivamente a ocupantes de cargos de direção.

A Fazenda Nacional defendia que tais valores deveriam ser considerados remuneração habitual, integrando a base de cálculo da contribuição previdenciária.

Decisões anteriores

O Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5) deu provimento à ação da empresa, reconhecendo que a Lei Complementar 109/2001 afastou a exigência de que o plano de previdência fosse oferecido a todos os empregados para fins de exclusão da base de cálculo. Assim, a limitação prevista na Lei 8.212/1991, que condicionava a não incidência à universalidade do benefício, deixou de ser aplicável.

Julgamento no STJ

Ao analisar o recurso, o relator, ministro Afrânio Vilela, confirmou o entendimento do TRF5. O STJ considerou que a LC 109/2001, por ser norma posterior e específica sobre previdência complementar, afasta a exigência de universalidade do plano como requisito para excluir os valores da base de cálculo da contribuição.

O relator ainda citou precedente da Primeira Turma (REsp 1.182.060), que reconheceu a não incidência de contribuição sobre valores destinados a planos de previdência complementar, mesmo quando restritos a determinados grupos de empregados.

A Fazenda Nacional teve seus argumentos rejeitados, incluindo a tese de que os valores possuíam natureza remuneratória e deveriam obrigatoriamente ser estendidos a todos os empregados.

Leia o acórdão no REsp 2.142.645.

Processo: REsp 2142645

(Com informações do STJ)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Nunes Marques dá prazo para PGR se manifestar sobre revisão da condenação de Bolsonaro

Kassio Nunes Marques concedeu dez dias para que a PGR se manifeste sobre o pedido de revisão criminal apresentado pela defesa de Jair Bolsonaro, que busca reverter a condenação de 27 anos e três meses de prisão. O caso deverá ser encaminhado ao plenário do STF após a manifestação da Procuradoria.

Desembargador do TJ-MG publica fotos com arma em rede social

O desembargador Roberto Apolinário de Castro, do TJ-MG, publicou fotos com uma arma de fogo e afirmou possuir autorização para porte. Em nota, declarou que as imagens foram feitas em sua residência e que o armamento está legalizado. O CNJ informou que não havia procedimento sobre o caso até a publicação da reportagem.

MP-SP pede condenação de Renato Cariani por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro

O Ministério Público de São Paulo pediu a condenação de Renato Cariani e de outros dois investigados por suspeita de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A investigação aponta o desvio de cerca de 12 toneladas de produtos químicos e possível movimentação superior a R$ 6 milhões. O processo está na fase de alegações finais da defesa.

STF suspende julgamento sobre restrições à Buser após placar de 3 a 2

O STF suspendeu o julgamento sobre a lei mineira que restringe o transporte coletivo por fretamento utilizado por plataformas como a Buser. Antes do pedido de vista de Dias Toffoli, três ministros votaram pela manutenção das regras e dois pela inconstitucionalidade, em discussão que envolve competência legislativa, livre iniciativa e concorrência.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo