STJ fixa prazo de dez anos para prescrição de indenização por evicção

Data:

respeito aos prazos
Créditos: Audioundwerbung | iStock

A 4ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) firmou o entendimento de que o prazo prescricional para pretensões indenizatórias decorrentes de evicção — perda de imóvel em razão de reivindicação do verdadeiro proprietário — é de dez anos, por se tratar de responsabilidade contratual. Com esse entendimento, o colegiado deu provimento ao recurso interposto por um casal contra o vendedor de um imóvel rural.

De acordo com o processo, o casal adquiriu a propriedade no ano 2000, mas perdeu a posse do bem após o ajuizamento de ação pauliana por credores do antigo proprietário. O instrumento jurídico tem por finalidade anular negócios firmados por devedores insolventes, quando envolvem bens passíveis de constrição para pagamento de dívidas.

A perda definitiva da posse ocorreu em 2011. Em 2016, os compradores ingressaram com ação de indenização contra o vendedor. Contudo, tanto em primeira quanto em segunda instâncias, o pedido foi julgado prescrito.

Inconformados, os autores recorreram ao STJ. Em decisão monocrática, o relator, ministro João Otávio de Noronha, manteve o entendimento das instâncias ordinárias. No entanto, durante o julgamento colegiado, o ministro Antônio Carlos Ferreira apresentou voto-vista divergente, reconhecendo que o prazo prescricional aplicável ao caso é de dez anos, uma vez que a pretensão indenizatória decorre diretamente do contrato de compra e venda.

Após o voto-vista, o relator retificou seu posicionamento e passou a acompanhar a divergência. Para Noronha, o prazo de três anos se aplica apenas às hipóteses de responsabilidade extracontratual, o que não se verifica nos casos de evicção. Nessa situação, incide a regra geral de prescrição decenal prevista no artigo 205 do Código Civil.

Em seu voto, o ministro destacou que a indenização por danos decorrentes da evicção envolve relação jurídica de natureza contratual, razão pela qual deve se submeter ao prazo prescricional de dez anos.

A decisão foi unânime. O colegiado determinou o retorno dos autos à primeira instância para que seja analisado o mérito do pedido indenizatório.

REsp 1.854.664

Clique aqui para ver o acórdão.

(Com informações do ConJur)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça dos EUA suspende fusão bilionária entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação antitruste

A Justiça dos Estados Unidos suspendeu a fusão de aproximadamente US$ 110 bilhões entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação movida por 12 estados, liderados pela Califórnia. Os autores sustentam que a operação viola a legislação antitruste e poderá reduzir significativamente a concorrência nos mercados de cinema, televisão e entretenimento. O caso ainda será analisado pela Justiça, enquanto a transação também aguarda aprovação de reguladores internacionais.

Eduardo Bolsonaro obtém green card nos EUA após condenação pelo STF

Eduardo Bolsonaro recebeu o green card dos Estados Unidos, documento que lhe garante residência permanente no país. A concessão ocorre após sua condenação pelo STF a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. O documento amplia sua estabilidade migratória nos EUA, embora não lhe confira direitos políticos, como o voto nas eleições norte-americanas.

Justiça mantém justa causa de trabalhadora que gravou vídeos no TikTok com uniforme e críticas à empresa

A Justiça do Trabalho manteve a demissão por justa causa de uma trabalhadora que gravou vídeos para o TikTok nas dependências da empresa, utilizando uniforme com identificação da empregadora e divulgando informações consideradas falsas sobre o ambiente de trabalho. A decisão concluiu que a conduta violou normas internas, comprometeu a imagem da empresa e configurou mau procedimento, indisciplina e ato lesivo à honra do empregador, nos termos da CLT.

Copa do Mundo impulsiona apostas esportivas, mas setor enfrenta pressão por regras mais rígidas sobre publicidade

A Copa do Mundo impulsionou o mercado brasileiro de apostas esportivas, registrando aumento expressivo no número de apostas e no volume de transações. Apesar do crescimento, o setor não atingiu as projeções esperadas e passou a enfrentar maior pressão por regras mais rígidas para a publicidade das bets. O governo federal reforçou normas sobre propaganda, enquanto órgãos públicos e entidades civis discutem novas medidas para ampliar a proteção dos consumidores.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo