STJ reduz valor da ação coletiva contra instituições financeiras

Data:

A 4ª Turma do STJ reduziu, de forma provisória, a ação coletiva iniciada pelo Instituto de Defesa do Cidadão contra algumas instituições financeiras, incluindo o Banco Itaubank S.A. e o Itaú Unibanco S.A. Anteriormente, o valor da causa era de R$ 160 milhões. Agora, passou para R$ 160 mil. Para a turma, não há parâmetros precisos para fixar o valor da causa.

A ação movida pelo Instituto de Defesa do Cidadão questiona o oferecimento de produtos pré-aprovados pelos bancos, como cheque especial, cartão de crédito, empréstimo pessoal e linhas de crédito, de forma indiscriminada e com desconto de valores das verbas salariais dos consumidores. Para o Instituto, não há amparo do ordenamento jurídico para tal atitude.

Apesar da impugnação do valor pelo Itaú, ela foi rejeitada em primeira e segunda instância, o que levou o banco a recorrer ao STJ. Para o réu, a causa não tem conteúdo econômico imediato, o que impede a atribuição de valor a ela.

O relator do recurso, ministro Luis Felipe Salomão, afirmou em seu voto que a fixação do valor da causa é fundamental para definir a competência (juizados especiais) e calcular as custas. Porém, lembrou que a fixação precisa obedecer a critérios estimativos.

O ministro ainda destacou que o Instituto afirmou que o valor atribuído à causa diz respeito apenas a uma parcela total do endividamento do consumidor brasileiro (R$ 555 bilhões). Tal argumento foi rechaçado pelas instituições financeiras, que acreditam ser impossível comprovar que o endividamento é consequência direta dos descontos em conta-corrente, objeto da ação coletiva.

Apesar de reconhecer que a jurisprudência do STJ admite ser possível aferir o conteúdo econômico da demanda, assinalou que, no caso, não se apontou o número de contratantes lesados pelos bancos, nem o valor desse prejuízo, considerado individual ou coletivamente.

“Diante da impossibilidade de demonstração da repercussão econômica da prática de descontos atribuída às recorrentes na ação civil, tanto pela inexistência dos números referentes às apontadas apropriações das quais são acusadas as rés, quanto pela impossibilidade de precisão do número de afetados pelas práticas, o valor dado à causa, por hora, deve ser simbólico e provisório, podendo ser alterado posteriormente”, entendeu Salomão.

Por fim, o ministro lembrou a disposição do novo CPC que admite a correção do valor da causa pelo juiz se ela não corresponder ao conteúdo patrimonial em discussão. Além disso, destacou a possibilidade de impugnação do valor arbitrado pelo réu em preliminar de contestação.

 

Fonte: portal do STJ

Processo: REsp 1712504

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Juristas
Juristashttp://juristas.com.br
O Portal Juristas nasceu com o objetivo de integrar uma comunidade jurídica onde os internautas possam compartilhar suas informações, ideias e delegar cada vez mais seu aprendizado em nosso Portal.

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Defesa de Daniel Vorcaro aponta alterações em arquivos de celular apreendido pela Polícia Federal

A defesa de Daniel Vorcaro apresentou ao STF um laudo particular que identificou alterações em 657 arquivos e a criação de outros 436 no celular do empresário enquanto o aparelho estava sob custódia da Polícia Federal. O documento questiona procedimentos de preservação e extração de provas digitais e fundamenta o pedido de acesso aos dados originais do dispositivo.

Justiça nega pedido de Willer Tomaz para obrigar Richarlison a apagar publicações sobre ilha

A Justiça de Brasília negou pedido de Willer Tomaz e da empresa WT Administração de Imóveis e Bens para obrigar Richarlison a apagar publicações sobre a disputa por uma ilha em Angra dos Reis. O processo continua em andamento.

Maior corretora de criptomoedas do mundo sofre invasão e perde bilhões

A Binance sofreu um ataque hacker que resultou no desvio estimado de US$ 6,3 bilhões em criptomoedas. A corretora suspendeu temporariamente os saques, afirmou que os recursos dos clientes estão protegidos e prometeu cobrir os prejuízos. Empresas do setor conseguiram bloquear parte dos ativos, enquanto as investigações sobre a autoria do ataque continuam.

Presidente do TRF-1 decide em processo envolvendo empresa representada pela própria filha

A presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região...

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo