TJDFT mantém condenação de médico e clínica por cicatrizes após procedimento estético

Data:

cirurgia
Créditos: Dutko | iStock

A 3ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios manteve a condenação solidária de um médico e do Instituto Dermaline de Medicina Ltda. ao pagamento de indenizações por danos morais e estéticos a um paciente que sofreu lesões permanentes após procedimento dermatológico realizado na clínica.

De acordo com o processo, o paciente foi submetido à aplicação de ácido tricloroacético e, posteriormente, apresentou lesões cutâneas que evoluíram para cicatrizes visíveis nos braços e antebraços. O autor alegou que não recebeu informações adequadas sobre os riscos do procedimento, não assinou termo de consentimento informado e teve acesso negado ao próprio prontuário médico.

Diante da situação, o paciente ingressou com ação judicial pedindo indenização por danos materiais, morais e estéticos, além de obrigação de fazer.

Na primeira instância, o Judiciário reconheceu falha na prestação do serviço médico e condenou solidariamente o profissional e a clínica ao pagamento de R$ 20 mil por danos morais e R$ 12,5 mil por danos estéticos.

O médico recorreu da decisão, sustentando ausência de erro médico e de nexo causal, além de afirmar que a responsabilidade pela guarda do prontuário caberia exclusivamente à clínica.

Ao analisar o recurso, a relatora destacou que a perícia judicial identificou falhas técnicas relevantes, como a inexistência de prontuário médico completo, ausência de termo de consentimento livre e esclarecido e falta de registros sobre orientações e acompanhamento pós-procedimento.

O laudo pericial também apontou que a utilização de ácido tricloroacético em concentração de 90% não corresponde às práticas dermatológicas normalmente recomendadas para o tratamento realizado.

O colegiado ainda rejeitou o argumento de que o arquivamento de sindicância no Conselho Regional de Medicina afastaria a responsabilidade civil do médico, ressaltando que as esferas administrativa e judicial são independentes.

Quanto à responsabilidade da clínica, a Turma reafirmou que o estabelecimento responde objetivamente pelos danos causados por profissionais que atuam em suas dependências, conforme prevê o Código de Defesa do Consumidor.

Na decisão, os desembargadores consideraram que as cicatrizes causaram impacto estético significativo, especialmente por atingirem áreas visíveis do corpo, com potencial de gerar constrangimentos sociais e profissionais. Os valores das indenizações foram mantidos por serem considerados proporcionais à gravidade do caso.

A decisão foi unânime.

Processo: 0716680-32.2023.8.07.0005.

(Com informações do TJDFT)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça nega pedido de Willer Tomaz para obrigar Richarlison a apagar publicações sobre ilha

A Justiça de Brasília negou pedido de Willer Tomaz e da empresa WT Administração de Imóveis e Bens para obrigar Richarlison a apagar publicações sobre a disputa por uma ilha em Angra dos Reis. O processo continua em andamento.

Maior corretora de criptomoedas do mundo sofre invasão e perde bilhões

A Binance sofreu um ataque hacker que resultou no desvio estimado de US$ 6,3 bilhões em criptomoedas. A corretora suspendeu temporariamente os saques, afirmou que os recursos dos clientes estão protegidos e prometeu cobrir os prejuízos. Empresas do setor conseguiram bloquear parte dos ativos, enquanto as investigações sobre a autoria do ataque continuam.

Presidente do TRF-1 decide em processo envolvendo empresa representada pela própria filha

A presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região...

OAB-ES demite advogada após divulgação de vídeo com manifestações políticas

A OAB-ES demitiu uma advogada de seu quadro de colaboradores após a divulgação de um vídeo com manifestações políticas gravado nas dependências da instituição. Em nota, a entidade reafirmou seu compromisso com a democracia e a liberdade de expressão, mas declarou não tolerar manifestações discriminatórias.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo