Ministros do STF reforçam proibição de verbas remuneratórias sem autorização legal

Data:

verba salarial
Créditos: Vladimir Cetinski | iStock

Os ministros Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, reiteraram nesta quarta-feira (6) a vedação à criação, implementação ou pagamento de parcelas remuneratórias e indenizatórias sem previsão expressa na tese de repercussão geral firmada pelo Plenário da Corte sobre o teto constitucional e o regime remuneratório da magistratura e do Ministério Público.

A manifestação conjunta ocorreu após a divulgação de notícias indicando que diversos órgãos públicos teriam instituído novas verbas remuneratórias mesmo após o julgamento realizado pelo STF em 25 de março de 2026, sem observância das diretrizes fixadas pelo Tribunal.

Nos despachos, os ministros advertiram que o descumprimento da decisão poderá ensejar responsabilização penal, civil e administrativa de presidentes de tribunais, chefes de Ministérios Públicos, integrantes da Advocacia Pública, defensorias públicas e demais ordenadores de despesa responsáveis pela autorização dos pagamentos.

Os magistrados também reforçaram a obrigação de transparência ativa por parte de tribunais, Ministérios Públicos, defensorias, advocacias públicas e tribunais de contas, determinando a divulgação mensal, em portais institucionais, dos valores pagos a seus membros, com detalhamento individualizado das rubricas remuneratórias e indenizatórias.

Segundo a determinação, eventuais divergências entre os valores efetivamente pagos e aqueles divulgados ao público poderão gerar responsabilização dos gestores responsáveis.

A medida foi formalizada em despachos proferidos na Ação Direta de Inconstitucionalidade 6606, relatada por Gilmar Mendes; na Ação Direta de Inconstitucionalidade 6604, sob relatoria de Cristiano Zanin; na Reclamação 88319, relatada por Flávio Dino; e nos Recursos Extraordinários 968646 e 1059466, relatados por Alexandre de Moraes.

No julgamento realizado pelo Plenário em março deste ano, o STF estabeleceu parâmetros provisórios para o regime remuneratório da magistratura e do Ministério Público até a edição de lei nacional prevista no artigo 37, §11, da Constituição Federal. Na ocasião, a Corte reafirmou o teto constitucional de R$ 46.366,19 e vedou a criação de auxílios e verbas indenizatórias sem autorização em lei federal específica aprovada pelo Congresso Nacional.

(Com informações do STF por Jorge Macedo)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

STF retoma julgamento sobre uso da metragem dos imóveis no cálculo do IPTU

O STF retomou a análise de recurso apresentado por Chapecó (SC) contra decisão que considerou inconstitucional a definição da alíquota do IPTU com base na área construída do imóvel. O julgamento pode repercutir sobre legislações municipais, critérios de tributação e pedidos de restituição, além de suscitar debates sobre segurança jurídica e eventual modulação dos efeitos da decisão.

Músico é condenado nos EUA por fraude em streaming com músicas geradas por IA

Um músico da Carolina do Norte foi condenado nos Estados Unidos a 18 meses de prisão por participar de uma fraude em plataformas de streaming utilizando músicas geradas por inteligência artificial e robôs para aumentar artificialmente as reproduções. A Justiça determinou ainda dois anos de liberdade supervisionada e o confisco de mais de US$ 8 milhões.

OpenAI interrompe lançamento de novo sistema de IA diante de preocupações com segurança

A OpenAI adiou o lançamento do modelo GPT-6.1 Astra após identificar que o sistema não havia atingido os padrões de segurança estabelecidos pela empresa. O modelo possui capacidade para executar tarefas de forma autônoma. A decisão ocorre em meio a incidentes envolvendo agentes de IA e ao aumento do debate sobre segurança, supervisão independente e regulamentação dessas tecnologias.

Justiça dos EUA rejeita ações contra Google por supostas práticas anticompetitivas com IA

A Justiça Federal dos Estados Unidos rejeitou ações movidas pela Chegg e pela Penske Media contra o Google. As empresas alegavam que recursos de inteligência artificial utilizados no mecanismo de busca estariam reduzindo o tráfego e as receitas de seus sites e configurando práticas anticompetitivas.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo