TJDFT mantém condenação de mulher por oferecer vagas falsas de emprego como vigilante

Data:

TJDFT mantém condenação de mulher por oferecer vagas falsas de emprego como vigilante | Juristas
Créditos: Mihajlo Maricic / Istock

A 3ª Turma Criminal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) manteve a condenação de uma mulher pelo crime de estelionato, após ela enganar sete pessoas com promessas falsas de emprego como vigilante e brigadista. As vítimas efetuaram pagamentos que somaram R$ 14 mil. A pena definitiva foi fixada em um ano, 11 meses e 10 dias de reclusão, em regime semiaberto.

O caso

Os crimes ocorreram entre setembro de 2022 e junho de 2023, em Ceilândia (DF). A acusada se apresentava sob o nome falso de “Priscila” e prometia vagas mediante o pagamento de R$ 4 mil por pessoa, sendo metade no início e o restante após a suposta contratação.

A primeira vítima, um motorista de aplicativo, conheceu a mulher durante uma corrida. Ela afirmou ter mais de 20 anos de experiência no setor e influência política, inclusive junto a deputados. Convencido, o motorista fez o pagamento inicial e indicou familiares e amigos, que também transferiram valores à acusada.

Para dar aparência de legitimidade ao golpe, a mulher emitiu notas promissórias em nome de “Priscila S. Saraiva” e até entregou um coturno de vigilante a uma das vítimas. Nenhuma das vagas, entretanto, foi efetivada. Após sucessivas desculpas e adiamentos, a acusada chegou a assinar uma confissão de dívida de R$ 14 mil, com vencimento em junho de 2023, mas não efetuou o pagamento. As vítimas descobriram posteriormente que o verdadeiro nome dela não era “Priscila”.

Decisão

Em sua defesa, a ré alegou falta de intenção de enganar, afirmando que as contratações dependiam da eleição de um candidato a deputado distrital. Pediu absolvição ou, alternativamente, o cumprimento da pena em regime aberto.

O colegiado rejeitou todos os argumentos. De acordo com o relator, as provas foram consistentes e convergentes, incluindo depoimentos das vítimas, notas promissórias, comprovantes de transferência e a confissão de dívida.

“As provas mostraram-se robustas e confirmaram que a acusada, agindo de forma premeditada, obteve vantagem econômica ilícita mediante falsas promessas de emprego”, destacou o relator.

A Turma também ressaltou que a utilização de nome falso e o recrutamento de múltiplas vítimas evidenciam o dolo e configuram o crime de estelionato.

Com base na Súmula 269 do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o colegiado manteve o regime semiaberto, em razão da reincidência da condenada. Além da pena de prisão, ela foi condenada a indenizar as vítimas, com valores entre R$ 1 mil e R$ 2 mil, devidamente atualizados.

A decisão foi unânime.

(Com informações do TJDFT)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça dos EUA suspende fusão bilionária entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação antitruste

A Justiça dos Estados Unidos suspendeu a fusão de aproximadamente US$ 110 bilhões entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação movida por 12 estados, liderados pela Califórnia. Os autores sustentam que a operação viola a legislação antitruste e poderá reduzir significativamente a concorrência nos mercados de cinema, televisão e entretenimento. O caso ainda será analisado pela Justiça, enquanto a transação também aguarda aprovação de reguladores internacionais.

Eduardo Bolsonaro obtém green card nos EUA após condenação pelo STF

Eduardo Bolsonaro recebeu o green card dos Estados Unidos, documento que lhe garante residência permanente no país. A concessão ocorre após sua condenação pelo STF a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. O documento amplia sua estabilidade migratória nos EUA, embora não lhe confira direitos políticos, como o voto nas eleições norte-americanas.

Justiça mantém justa causa de trabalhadora que gravou vídeos no TikTok com uniforme e críticas à empresa

A Justiça do Trabalho manteve a demissão por justa causa de uma trabalhadora que gravou vídeos para o TikTok nas dependências da empresa, utilizando uniforme com identificação da empregadora e divulgando informações consideradas falsas sobre o ambiente de trabalho. A decisão concluiu que a conduta violou normas internas, comprometeu a imagem da empresa e configurou mau procedimento, indisciplina e ato lesivo à honra do empregador, nos termos da CLT.

Copa do Mundo impulsiona apostas esportivas, mas setor enfrenta pressão por regras mais rígidas sobre publicidade

A Copa do Mundo impulsionou o mercado brasileiro de apostas esportivas, registrando aumento expressivo no número de apostas e no volume de transações. Apesar do crescimento, o setor não atingiu as projeções esperadas e passou a enfrentar maior pressão por regras mais rígidas para a publicidade das bets. O governo federal reforçou normas sobre propaganda, enquanto órgãos públicos e entidades civis discutem novas medidas para ampliar a proteção dos consumidores.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo