TJMG reconhece legitimidade de plataforma ao excluir motorista por condutas discriminatórias

Data:

aplicativos de transporte
Créditos: Rostislav_Sedlacek | iStock

A 14ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (TJMG) reformou sentença que havia determinado a reativação da conta de motorista de aplicativo e o pagamento de indenização por danos morais, reconhecendo a legitimidade da exclusão promovida pela plataforma após denúncias de LGBTfobia e comportamento inadequado.

O colegiado concluiu que o bloqueio da conta decorreu de descumprimento reiterado dos termos de uso e das diretrizes da comunidade, não havendo ilicitude na conduta da empresa.

Controvérsia

O motorista ajuizou ação após ter seu perfil desativado em dezembro de 2022. Alegou possuir avaliação elevada na plataforma e apresentou testemunhos de passageiros a fim de demonstrar a qualidade do serviço prestado. Sustentou, ainda, que não teve oportunidade de exercer o contraditório antes da exclusão e que jamais havia sofrido penalidades anteriores.

Em primeira instância, os pedidos foram acolhidos, com determinação de reativação da conta e fixação de indenização por danos morais.

Provas apresentadas pela plataforma

Em grau recursal, a empresa juntou documentação indicando o recebimento de reiteradas reclamações de usuários, com registros de práticas incompatíveis com as normas internas. Entre as denúncias, constavam relatos de manifestações de LGBTfobia, condutas de cunho sexual e comportamento grosseiro no atendimento aos passageiros.

Relatora do recurso, a desembargadora Cláudia Maia destacou que os autos continham diversos relatos descrevendo episódios de comportamento discriminatório e profissionalmente inadequado, configurando infrações às diretrizes da plataforma e violação ao padrão mínimo de urbanidade exigido dos motoristas credenciados.

A magistrada consignou, ainda, que a empresa comprovou ter notificado o motorista acerca das reclamações e das possíveis consequências do descumprimento das regras, demonstrando o esgotamento da via administrativa antes da exclusão definitiva.

Fundamentação do acórdão

Segundo o voto condutor, os testemunhos favoráveis apresentados pelo autor não foram suficientes para afastar os registros objetivos de má conduta documentados pela empresa.

O colegiado entendeu que, no âmbito da relação contratual privada regida pelos termos de uso da plataforma, é legítima a rescisão do vínculo quando evidenciado o descumprimento das obrigações assumidas, especialmente em hipóteses que envolvam relatos de discriminação e condutas ofensivas a usuários.

Assim, a Câmara reformou a sentença para julgar improcedentes os pedidos de reativação da conta e de indenização por danos morais.

O acórdão foi proferido no processo nº 1.0000.23.026865-8/002, com acompanhamento unânime dos demais integrantes da Turma Julgadora.

(Com informações do TJMG)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça dos EUA suspende fusão bilionária entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação antitruste

A Justiça dos Estados Unidos suspendeu a fusão de aproximadamente US$ 110 bilhões entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação movida por 12 estados, liderados pela Califórnia. Os autores sustentam que a operação viola a legislação antitruste e poderá reduzir significativamente a concorrência nos mercados de cinema, televisão e entretenimento. O caso ainda será analisado pela Justiça, enquanto a transação também aguarda aprovação de reguladores internacionais.

Eduardo Bolsonaro obtém green card nos EUA após condenação pelo STF

Eduardo Bolsonaro recebeu o green card dos Estados Unidos, documento que lhe garante residência permanente no país. A concessão ocorre após sua condenação pelo STF a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. O documento amplia sua estabilidade migratória nos EUA, embora não lhe confira direitos políticos, como o voto nas eleições norte-americanas.

Justiça mantém justa causa de trabalhadora que gravou vídeos no TikTok com uniforme e críticas à empresa

A Justiça do Trabalho manteve a demissão por justa causa de uma trabalhadora que gravou vídeos para o TikTok nas dependências da empresa, utilizando uniforme com identificação da empregadora e divulgando informações consideradas falsas sobre o ambiente de trabalho. A decisão concluiu que a conduta violou normas internas, comprometeu a imagem da empresa e configurou mau procedimento, indisciplina e ato lesivo à honra do empregador, nos termos da CLT.

Copa do Mundo impulsiona apostas esportivas, mas setor enfrenta pressão por regras mais rígidas sobre publicidade

A Copa do Mundo impulsionou o mercado brasileiro de apostas esportivas, registrando aumento expressivo no número de apostas e no volume de transações. Apesar do crescimento, o setor não atingiu as projeções esperadas e passou a enfrentar maior pressão por regras mais rígidas para a publicidade das bets. O governo federal reforçou normas sobre propaganda, enquanto órgãos públicos e entidades civis discutem novas medidas para ampliar a proteção dos consumidores.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo