Tribunal mantém condenação de concessionária por abandono em estação ferroviária

Data:

Tribunal mantém condenação de concessionária por abandono em estação ferroviária | Juristas
Linha férrea
Autor
redstone

A 2ª Câmara Reservada ao Meio Ambiente manteve, em parte, a sentença proferida pela 1ª Vara de Boituva que condenou uma concessionária de serviços ferroviários a se abster de utilizar o entorno de uma estação como depósito de vagões abandonados, sucatas e materiais ferroviários inservíveis. O colegiado redimensionou o valor da indenização por danos morais e materiais coletivos para R$ 5 milhões.

Conforme consta dos autos, a requerida manteve, durante anos, vagões e resíduos ferroviários abandonados na Estação Iperó. Em seu voto, o relator da apelação, desembargador Paulo Alcides, destacou que não há dúvidas de que a conduta omissiva da concessionária, ao deixar os detritos ao relento, sem qualquer cuidado ou isolamento, causou prejuízos não apenas ao local, mas a toda a população da pequena cidade. “Como se percebe, piche, soda cáustica, materiais contaminantes e extremamente nocivos à saúde e ao meio ambiente foram deixados por anos no local (ao que consta, por quase três décadas) a céu aberto. Nesse contexto, agiu acertadamente o juízo a quo ao condenar a requerida”, afirmou.

O magistrado também ressaltou que a posterior retirada dos trens do local, após ação promovida pelo Município, não afasta a responsabilidade da concessionária nem os danos já causados, que permanecem passíveis de reparação. Destacou, ainda, circunstância agravante relacionada ao valor histórico e cultural da Estação de Iperó para a comunidade local, condição que, segundo ele, foi em parte perdida em razão do prolongado estado de abandono ao qual o espaço foi submetido.

Quanto ao montante indenizatório, o relator observou que o dano moral coletivo decorre da ofensa a uma coletividade e, por atingir um número indeterminado de pessoas, exige critérios próprios de valoração. Segundo o desembargador, devem ser considerados a longa duração dos danos, que se estenderam por décadas, e a elevada capacidade econômica da requerida, uma das maiores empresas do setor ferroviário. No entanto, ponderou que, com a incidência de juros moratórios de 1% ao mês desde o ajuizamento da ação, o valor fixado em primeiro grau (R$ 9,2 milhões) já ultrapassava R$ 20 milhões, extrapolando os parâmetros da razoabilidade. “Diante disso, com base nos princípios da proporcionalidade e da vedação ao enriquecimento indevido, fixo a indenização em R$ 5 milhões”, concluiu.

O julgamento foi unânime.

Apelação nº 3004439-97.2013.8.26.0082.

(Com informações do TJ-SP)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Fachin anuncia projeto de lei para regulamentar remuneração de magistrados

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, anunciou que pretende concluir até o final de 2026 uma minuta de projeto de lei federal para regulamentar a remuneração dos magistrados. A proposta integra uma agenda mais ampla de defesa da integridade, transparência e controle dos gastos públicos. Fachin também apresentou ao CNJ medidas para prevenir conflitos de interesse na magistratura.

Gusttavo Lima é responsabilizado por transtornos causados por número em música

Gusttavo Lima foi condenado a pagar cerca de R$ 149 mil a um empresário que afirmou ter recebido milhares de mensagens e ligações após seu número de telefone ser mencionado na música “Bloqueado”. A Justiça entendeu que a divulgação da canção contribuiu para os transtornos sofridos pelo proprietário do número. A decisão ainda não transitou em julgado e o pagamento foi determinado provisoriamente.

Estudo aponta falhas estruturais no combate à violência contra a mulher no Brasil

Estudo da Rede Nacional de Controle Externo pela Proteção das Mulheres, com dados dos 27 tribunais de contas brasileiros, identificou falhas de orçamento, planejamento, equipes e integração entre órgãos responsáveis pelo enfrentamento à violência contra a mulher. Auditorias apontaram estruturas incompletas, baixa execução orçamentária e ausência de planos formais em diversos municípios.

Executivos do Goldman Sachs são alvo de investigação por suposta fraude societária

A Polícia Civil de São Paulo indiciou dois executivos do Goldman Sachs por suspeita de fraude e abuso na administração de sociedade por ações em investigação envolvendo a estrutura societária de fundos ligados à Oncoclínicas. A apuração busca esclarecer se informações sobre a participação da Centaurus Capital foram omitidas ou apresentadas de forma irregular para evitar uma oferta pública de aquisição de ações. O Goldman Sachs nega irregularidades, enquanto a CVM já havia concluído que a Centaurus não estava obrigada a realizar a OPA.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo