TST: acesso ao PJe por advogado não habilitado não substitui citação válida

Data:

man wearing blue suit
Photo by Adeolu Eletu on Unsplash

A 8ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) declarou nula a citação de uma empresa realizada por carta simples, sem aviso de recebimento, em ação trabalhista. O colegiado também determinou que o acesso ao sistema eletrônico da Justiça do Trabalho (PJe) por advogado ainda não habilitado no processo não substitui uma citação válida.

O caso envolve uma auxiliar de cozinha que processou uma churrascaria de Patos de Minas (MG). A empresa não compareceu à audiência inicial e foi declarada revel, o que levou à presunção de veracidade das alegações da trabalhadora e à condenação ao pagamento de diversas verbas.

O Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região havia mantido a decisão, considerando válida a citação baseada no envio de carta simples e na consulta feita por um advogado ao processo antes da audiência, mesmo que sua habilitação formal só tenha ocorrido após a decretação da revelia.

Ao recorrer ao TST, a empresa argumentou que a ausência de citação válida compromete a relação processual e anula todos os atos subsequentes, incluindo a sentença, por violação do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa.

O relator, desembargador convocado José Pedro de Camargo, destacou que a citação no processo do trabalho exige registro postal com aviso de recebimento ou outro meio que comprove a entrega. A carta simples, sem prova de entrega, não garante a ciência necessária para a validade do ato. Ele acrescentou que a mera consulta ao PJe por advogado não habilitado não configura comparecimento espontâneo e não supre as exigências legais.

Por unanimidade, a 8ª Turma anulou todos os atos processuais posteriores e determinou o retorno do caso à Vara do Trabalho de Patos de Minas. Com a decisão, o processo recomeça, devendo o responsável pela empresa ser citado formalmente para apresentar defesa e produzir provas antes de novo julgamento.

Processo: RR-0010322-51.2023.5.03.0071

(Com informações do Migalhas)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Governo cria regras para combater cambismo digital e ampliar proteção de consumidores em eventos

O governo federal regulamentou a venda, a revenda e a transferência de ingressos pela internet com medidas destinadas a combater o cambismo digital, ampliar a transparência e proteger direitos dos consumidores. A regulamentação estabelece regras para filas, meia-entrada, taxas, revenda, transferência e reembolso. Outro decreto determina a disponibilização gratuita de água potável em eventos culturais, com regras específicas para eventos com mais de mil pessoas.

Tribunal do Júri condena corintiano por matar esposa palmeirense após discussão

O Tribunal do Júri condenou o empresário Leonardo Souza Ceschini a 13 anos e 24 dias de prisão, em regime fechado, pela morte da esposa, Érica Fernandes Alves Ceschini, ocorrida em 2021. A vítima foi atingida por oito golpes de faca após uma discussão relacionada à rivalidade entre Corinthians e Palmeiras. Os jurados reconheceram o feminicídio, o emprego de meio cruel e o aumento de pena pelo fato de o crime ter ocorrido na presença dos filhos do casal. A defesa informou que pretende recorrer da decisão.

Júri condena homem acusado de orquestrar assassinato do rapper Tupac Shakur

Resumo: Duane “Keffe D” Davis, de 63 anos, foi considerado culpado por um júri de Las Vegas por participação no assassinato do rapper Tupac Shakur, ocorrido em 1996. A acusação sustentou que Davis organizou a ação e estava no veículo de onde partiram os disparos, enquanto a defesa questionou a existência de provas independentes. Davis poderá ser condenado à prisão perpétua, e o caso ainda poderá ser objeto de recursos

CNJ avalia tornar obrigatório resumo estruturado em petições e recursos em todo o país

O CNJ avalia criar uma regra nacional para exigir resumos estruturados em petições iniciais e recursos, contendo informações como fatos, pedidos, decisões questionadas e fundamentos legais. A proposta busca uniformizar procedimentos e facilitar a utilização de ferramentas de inteligência artificial no Judiciário, mas também levanta discussões sobre formalismo processual, direito de acesso à Justiça e a necessidade de supervisão humana no uso da tecnologia.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo